A vida de Chico Bento (Inspirado no livro "O Quinze" de Rachel de Queiroz)

No céu brilha estrelas;

sem nuvem, sem chão.

Chico Bento, entre redes e elas,

ouvia o sermão:



- Oxi, aqui num chove!

O gado morre,

as prantas morre...



- Oxi! Puquê recrama?

São José ouve a quem reza...

A chuva há de chuver

nessas minhas secas terras.



Mãe Nácia se balançava na rede,

olhos no céu com esperança

e na boca a sede

da terra fértil e mansa.



- Amanhã há de vir, mainha!

Vamu viajar pra terras pruveitosas,

com a intercessão da Rainha

e também da vossa...



- Qui terras são essas, Chico?

Perguntou-lhe seu amor.

- Terras além du horizonte, Cordulina,

terras sem temor.



O amanhã viria,

mas a esperança de Chico não morreria,

Viveria a esperar

a chuva chegar.



Muito vai sofrer,

com sorriso nos lábios e sem temer,

mas ele só pedia

a Deus a chuvinha.



Cometeu muitos crimes,

fome, descaso e objetos roubados...

mas a esperança não saía dos olhos de Bento.

- Ara, meu Deus! Esse calor desgramado...



E quando veio a chuva

rala, fina, intrusa

inesperada aos olhos de Cordulina, seu amor

mas atendendo as preces de Mãe Nácia



Chico voltou a sorrir.

Lábios rachados

ficaram molhados



- Finarmente Deus!

Obrigado pela chuva!

Obrigado pela bênção aos filhos seus...

Ana Luiza Pereira
Inspirado no livro "O Quinze" de Rachel de Queiroz de 1930.

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