Limbo das palavras


Perdi-me.
Perdi-me no limbo de nossos sonhos.
Onde palavras, pensamentos, poesias e nossos planos são formados,
no núcleo intrínseco da parte esquecida de nós mesmos.
Vi palavras há muito não lembradas.
Conversações que nunca hão de acontecer.
Vi as minhas mortes sentimentais.
Lembrei dos seus defeitos,
 que o meu amor por você me fez esquecer.
Mas o que escrevo?
Nem sei mais...
O limbo vem ao poeta e não o poeta ao limbo.
Minha mão se mexe sem o meu comando,
escrevendo palavras desconhecidas até então.
Sou analfabeto de meus poemas, não sei o que escrevo.
É o limbo, caro poeta, ele que faz seu trabalho usando-te.
Perca-se para se achar, arrisque-se no desconhecido...
Viva o limbo das palavras que estás lendo.
É assim ser poeta?
Escrever palavras ao vento não é viver o limbo.
Lindo e complexo limbo...
Existe alguém aí para me compreender?
No meio de lembranças, palavras e poesias
só encontro amor, tristeza e alegrias.
Qual será o caminho de casa?
Estas palavras no papel estão me encaminhando para o ponto final.
Mas não há finais aqui...
Reticências?
Caminharei entre as palavras perdidas, elas sim me mostrarão o caminho...

Ana Luiza Pereira
Poesia vencedora do Concurso Nacional de Poesia da Editora Vivara 2013.

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