Promessa do Ano Novo

Penso como foi minha vida esse ano,
Comparei com anos anteriores
E vejo que muito mudei 
Pra melhor? Não sei.

Me fechei pras pessoas,
Me calei perante as coisas,
Abaixei minha cabeça quando me apedrejaram.

Em compensação,
Descobri quais são amizades verdadeiras,
Não usei mais pessoas para meu próprio ego,
Aprendi a ouvir mais, mesmo que eu não concorde com o que dizem.

Mas ainda sou humana,
Muito errei sendo assim ou assado.
Então, nessa reflexão do melhor de mim, eu digo;
Deixarei para trás tudo de mal que fui e resgatarei tudo de bom.

Me socializarei mais,
Assumirei mais compromissos,
Serei mais responsável pelos meus atos e palavras,
Seguirei em frente apesar dos pesares de cabeça erguida.

Afinal, é pra isso que serve Anos Novos,
Deixar para trás o que foi ruim e sempre tentar ser o melhor de você.

Ana Luiza Pereira

Natalidade


Todos esperam essa época do ano. Para a maioria das pessoas; é a época mais feliz que tem, pois é a época de dar e receber presentes. Para alguns; não é tão feliz assim, pois é a época que a TV mais mexe com nossa cabeça, nos deixando cada vez mais supérfluos. Para outros; é um dia comum.

Mas não é só isso... Vejo nos filmes e maratonas de seriados, Hollywood tentando exprimir o verdadeiro significado do Natal, mas eles sempre deturpam com a imagem comercial dessa época: o Papai Noel. Sendo que, na verdade, o verdadeiro Papai Noel, São Nicolau, foi uma figura que representou a caridade cristã perante homens pagãos na Idade Média.

O fato que venho exprimir é uma coisa que todos sabem: Natal é tempo de família. Tempo das pazes, tempo de sorrir e abraçar, tempo de cuidar da família que tens. Tempo de ver todos como uma família só e ser humilde e dar ao seu irmão que não tem luxo algum, e não a quem já tem ou é da sua família de sangue. 

Esqueçam o presépio e a árvore. Olhe em você: é você que espera pelo Natal e, provavelmente, por Cristo que vem. Quais seus defeitos? Você quer mudá-los? Então, lhe darei a primeira dica: prepare seu coração. Cristo habita em nossos corações para sempre, mas renasce em nós em cada Natal, Páscoa e afins. Seu coração é uma manjedoura de Cristo? Deus gosta dos servos mais obedientes e humildes, se nosso coração é soberbo, egoísta e mesquinho, com certeza, nesse Natal, Cristo não nascerá em nós.

Eis o maior segredo de Deus: NÓS somos o presépio vivo. Mas não transbordamos essa alegria sendo estrelas guias a outras pessoas. Até mesmo em nossa família, quantas e quantas vezes nesse ano ela precisou de Cristo e você não mencionou seu nome? Se Deus não preza a família, o Filho do Homem apenas teria descido dos céus.

Então, amigos, zele pela sua família e pela natalidade de Cristo que habitará em você. Seja Maria, José, Rei mago e estrela guia desse Cristo. E tenha um Feliz Natal!

Ana Luiza Pereira

Mãe vs. Filha

Mãe: Por que você não lembra daquela viagem?
Filha: Porque há contextos de épocas da minha vida que prefiro não lembrar.

Ana Luiza Pereira

Uma esperança (escrito por Clarice Lispector)



Aqui em casa pousou uma esperança. Não a clássica, que tantas vezes verifica-se ser ilusória, embora mesmo assim nos sustente sempre. Mas a outra, bem concreta e verde: o inseto.
Houve um grito abafado de um de meus filhos:
- Uma esperança! e na parede, bem em cima de sua cadeira! Emoção dele também que unia em uma só as duas esperanças, já tem idade para isso. Antes surpresa minha: esperança é coisa secreta e costuma pousar diretamente em mim, sem ninguém saber, e não acima de minha cabeça numa parede. Pequeno rebuliço: mas era indubitável, lá estava ela, e mais magra e verde não poderia ser.
- Ela quase não tem corpo, queixei-me.
- Ela só tem alma, explicou meu filho e, como filhos são uma surpresa para nós, descobri com surpresa que ele falava das duas esperanças.
Ela caminhava devagar sobre os fiapos das longas pernas, por entre os quadros da parede. Três vezes tentou renitente uma saída entre dois quadros, três vezes teve que retroceder caminho. Custava a aprender.
- Ela é burrinha, comentou o menino.
- Sei disso, respondi um pouco trágica.
- Está agora procurando outro caminho, olhe, coitada, como ela hesita.
- Sei, é assim mesmo.
- Parece que esperança não tem olhos, mamãe, é guiada pelas antenas.
- Sei, continuei mais infeliz ainda.
Ali ficamos, não sei quanto tempo olhando. Vigiando-a como se vigiava na Grécia ou em Roma o começo de fogo do lar para que não se apagasse.
- Ela se esqueceu de que pode voar, mamãe, e pensa que só pode andar devagar assim.
Andava mesmo devagar - estaria por acaso ferida? Ah não, senão de um modo ou de outro escorreria sangue, tem sido sempre assim comigo.
Foi então que farejando o mundo que é comível, saiu de trás de um quadro uma aranha. Não uma aranha, mas me parecia "a" aranha. Andando pela sua teia invisível, parecia transladar-se maciamente no ar. Ela queria a esperança. Mas nós também queríamos e, oh! Deus, queríamos menos que comê-la. Meu filho foi buscar a vassoura. Eu disse fracamente, confusa, sem saber se chegara infelizmente a hora certa de perder a esperança:
- É que não se mata aranha, me disseram que traz sorte...
- Mas ela vai esmigalhar a esperança! respondeu o menino com ferocidade.
- Preciso falar com a empregada para limpar atrás dos quadros - falei sentindo a frase deslocada e ouvindo o certo cansaço que havia na minha voz. Depois devaneei um pouco de como eu seria sucinta e misteriosa com a empregada: eu lhe diria apenas: você faz o favor de facilitar o caminho da esperança.
O menino, morta a aranha, fez um trocadilho, com o inseto e a nossa esperança. Meu outro filho, que estava vendo televisão, ouviu e riu de prazer. Não havia dúvida: a esperança pousara em casa, alma e corpo.
Mas como é bonito o inseto: mais pousa que vive, é um esqueletinho verde, e tem uma forma tão delicada que isso explica por que eu, que gosto de pegar nas coisas, nunca tentei pegá-la.
Uma vez, aliás, agora é que me lembro, uma esperança bem menor que esta, pousara no meu braço. Não senti nada, de tão leve que era, foi só visualmente que tomei consciência de sua presença. Encabulei com a delicadeza. Eu não mexia o braço e pensei: "e essa agora? que devo fazer?" Em verdade nada fiz. Fiquei extremamente quieta como se uma flor tivesse nascido em mim. Depois não me lembro mais o que aconteceu. E, acho que não aconteceu nada.

Clarice Lispector

O perdão não pode esperar!

Domingo de sol, fui à igreja em busca da Persona Christi encontrado no padre na hora da confissão. Mas ele não estava lá, então fui ao Santíssimo rezar e começar meu Ato de Contrição.

Ouvia da janela os pássaros cantarem bem alto, como pequenos sinos. Sentei-me perto das janelas e dos pássaros para fazer alguma leitura da Palavra e uma mera reflexão sobre minha vida.

Um pouco depois, ouvi passos logo atrás de mim. Virei-me para ver o que era. Vi o meu pároco sendo seguido por um mendigo, logo pensei: "Meu padre foi ajudá-lo."

Continuei ali esperando. A espera se tornou longa, então comecei a rezar um terço. Porém, minha visão periférica viu o mendigo sair e um ladrão entrar na sacristia. Senti medo. "Será que ele veio nos roubar? E se ele me matar?" Em meu interior, rezava mais e mais alto, clamando pela minha vida.

Quando terminei o terço e o ladrão saiu. "Obrigado Senhor!" Mas logo após, entrou um casal de jovens que eu conhecia. Ela era mais nova que eu e estava grávida de poucos meses, eles estavam esperando um filho antes do casamento. Julguei. Nos meus pensamentos, apedrejava aquele casal jovem pela sua irresponsabilidade e inconsequência.

O sino da igreja tocou três vezes, indicando que já eram 9 horas da manhã. Peguei o jornal da missa daquele dia e, no evangelho, Jesus dizia: "Quem não tem nenhum pecado, que atire a primeira pedra." Foi quando recobrei a consciência; quem era eu para julgar? Estava ali em busca do perdão, mas o que eu fiz foi o contrário. Pequei na Santa Casa de Deus e perante Ele.

Envergonhei-me como Adão e Eva quando descobriram que pecaram e estavam nus. Onde foi parar minha humildade? Não fui serva, fui filha pródiga. Chorei.

Senti uma mão atrás de mim e uma voz me perguntou:

- Por que choras?

- Porque pequei. - respondi - Vim à casa do Pai em busca do perdão e o que fiz foi temer o mundo e julgar meu próximo. Choro, pois estou envergonhada, não sou a cristã que pensei que fosse.

- Vou te contar um segredo. Vê aquele crucifixo ali no altar? Aquele homem que está representado ali morreu há muito tempo atrás, derramando seu sangue por amor ao Pai e à nós em redenção dos nossos pecados. Se você se sente mal por pecar, ótimo! Porque prova que o sacrifício da cruz não foi em vão e você tem a salvação. Basta tentar se redimir com o Pai e com seus irmãos.

Saí em direção a sacristia, sem nada a dizer, prendendo as lágrimas e apertando os passos. Adentrei-me sem permissão e ajoelhei-me perante o padre.

- Perdão padre! Pois pequei em atos, palavras, pensamentos e omissões! Perdoe-me! - clamei chorando.

- Dos teus pecados já não me lembro mais... - disse uma voz diferente do meu pároco.

Olhei para cima e vi Jesus vestido de branco. Minha boca se abriu e mais nenhuma palavra saía.

- Estive aqui, esperando por você o tempo todo. Adiastes teu próprio perdão por pensar que eu estava ocupado... Persona Christi vive em todo o lugar, principalmente nos irmãos que julgaste. Mas agora aprendeste que estou aqui para te perdoar a qualquer momento, contanto que estejas arrependida como agora. - disse ele a mim, estendendo a mão.

Segurei em sua mão e levantei dizendo:

- Obrigado Senhor!

Senti outra mão no meu ombro que me fez acordar. Foi tudo um sonho bom, um sonho que Deus me dera para lembrar-me que, por mais que peque, Ele me ama e me perdoa. Era hora de me confessar depois tantas horas na fila da confissão comunitária. E, assim, fui. Mas com um sorriso no rosto, pois Deus me ama.

Ana Luiza Pereira

Encontro com a Rosa


Fui ao lindo jardim
de rosas cultivado pela Mãe.
Encontrei rosas de todas
as cores, jeitos e perfumes.
Mas um perfume de algumas
se sobressaiam mais que outras...
Tais rosas que encantaram
muitas e muitas mais,
reviveram seus jeitos murchos
e espalharam seus perfumes.
Foi esse o chamado "o milagre das rosas"
e esse perfume permanecera.
Milagre feito pelo Pai,
intercedido pela Mãe
que me fez levantar as mãos aos céus
e gritar com todo o meu fôlego:
Obrigado por estar aqui, meu Senhor!
Obrigado Rosa!

Ana Luiza Pereira
Foto: Show do Rosa de Saron na Fazenda do Mendanha, Campo Grande - Rio de Janeiro (15/12/12)

Verbs

I care
I die to care
I care too much,
A lot of...

I live
I live to die
I live in my crazy way,
Long way...

I love
I love everything
I love you
too much...

I'm going
I'm going to unknown
I'm going to live my life,
Bye!

Ana Luiza Pereira

Desânimo

Às vezes, algo bate desenfreadamente à porta. Abro procurando, ansiosamente, a alegre cara da felicidade, mas nada vejo. Apenas um trote... Uma tristeza sem motivo me abate e eu me encontro desanimada. Maldita intrusa! Não vira quando entrara pela porta... Só espero que vá rápido embora...

Ana Luiza Pereira

Convite


Convido-te para curtir a vida.
A esse convite não há recusa...

Convido-te para curtir sua vida,
mas com o alerta que nada é bom dilaceradamente.
Tenha juízo!
Ou apenas um pingo de consciência do que faz
e nunca deixe que ela pese...

Convido-te a fazer da vida uma festa,
momentos únicos e felizes,
momentos especiais com amigos.

Apenas convido-te a abrir seus olhos
para o que você está perdendo
e aproveitar
com juízo,
pois a vida é efêmera
e a juventude é uma questão de coração.

Ana Luiza Pereira

Chagado de amor



            Quando perguntares “Quem me ama?” e achares que a resposta é “Ninguém.”, saiba que há alguém sim.
            Meu amor transborda por ti, e não importa quem e como sejas; eu amo. Conheço você há tempos e, a maioria das vezes, você não lembra o meu nome. Você pode descrer que alguém é capaz de amar tanto, mas eu tenho marcas desse amor.
            Convido-te todo o dia a caminhar comigo nessa estrada cheia de pedras, quedas, pessoas boas e ruins, mas muitas das vezes você desiste com os flagelos da vida.
            E quando perguntares a mim: “Quem és tu que dizes que me amas tanto?”, eu respondo em alto e bom som: “Sou o Pai, o Filho e o Espírito Santo que habita em você e que você renega.
            Ouças a voz do teu coração porque agora que eu te direi: eu morro todos os dias por ti, porque te amo. E renasço a cada dia que dizes sim. Você não vê minha face, pois meu nome não é mais Jesus, mas você vê minha essência em sua família, em seus amigos e a todos os outros ao seu redor.
            Não tenho mais corpo, mas meu corpo já fora flagelado, já teve sua pele arrancada, já fora pregado, já fora quebrado, já fora flechado... E cada gota de sangue que caía de mim, eu só pensava em você.
            E não pense porque sou Filho de Deus Pai, nascido do Espírito Santo no ventre de uma mulher, que sou soberbo. Eu também caí, beijei o chão que pisava, lavei seus pés, fui traído por quem amei e confiei, mas perdoei. Perdoei a todos que junto com ele me humilhou, me pregou e me expôs na cruz.
             Carreguei durante um árduo caminho uma cruz imensa e pesada de pecados que não eram meus e, mesmo sendo Deus, tive ajuda em uma parte do caminho. Morri nesta cruz por cada pecado que tens cometido em atos, pensamentos, palavras e omissões. Venho morrido por isso há milênios. Minha aliança contigo é com este sangue que derramei para lavares sua alma, mas você insiste em se tornar impuro.
          Tu és meu irmão, então eu te amo e te respeito. Mas ainda quero que caminhes comigo e siga o meu Pai, o nosso Pai. Estou aqui no seu coração, batendo à sua porta, pedindo para cuidar de suas feridas com as minhas chagas de meu amor. Atenda esta porta, não caia e perca tudo o que eu te dei. És tão especial para mim que ainda vivo por ti e morro por ti. Siga-me! Cuidarei de você até o fim dos tempos.”

Ana Luiza Pereira