Inocência na janela

Conversando sobre o passado, lembrei-me de coisas banais. Lembrei-me de quando era criança e de toda a minha inocência. Lembrei-me de quando eu me prostrava diante das janelas e observava as pessoas e suas feições. Irritadas, confusas, infelizes. Todas elas com suas sacolas, pastas e emoções, todas cansadas e com as vidas desorganizadas.

Lembro-me que minha meta de vida, quando criança, era ajudar essas pessoas. Ficava na janela esperando que elas olhassem para mim para que, então, eu pudesse sorrir para elas e amenizar suas dores. Era impressionante. Suas feições melhoravam e, por um momento, a criança que fui e que estava na janela, lhes dera a esperança necessária para seguir em frente. Quando não melhoravam, elas ficavam confusas do porquê que eu fazia aquilo, já que há muito tempo se esqueceram que no mundo ainda há inocência nos pequeninos.

Comecei então, a fazer isso a todo momento. Cumprimentei pessoas e espalhei sorrisos, doçura e a minha inocência. Observei vários comportamentos, comportamento demais para serem descritos nessas linhas de caderno. Mas eu não lembro o que houve com essa menina... Hoje ela é apenas uma boa lembrança. Só sei que hoje sou a pessoa que procura em cada janela a inocência da criança que procura cumprimentar desconhecidos para amenizar suas dores. Tempo, o que você fez comigo?

Ana Luiza Pereira

Família Cristã

Não é surpresa a ninguém quando ouvimos dizer que família é o suporte principal de qualquer pessoa. Infelizmente, vivemos numa época onde a desestrutura familiar se torna mais frequente, então, fico a me perguntar: por quê?

Brigas e desavenças toda família tem, mas o que ergue uma família é o amor. Se uma família está desestruturada, é porque há falta de amor. Onde podemos encontrar o amor? Em Deus.

Deus por si só é um exemplo de família que ama: Pai criador, Filho redentor, Espírito santificador. Tendo Ele como base familiar, teremos então, além do primeiro contato com um grupo social, o contato com a primeira igreja, a pedra angular de Cristo.

Cristo veio para nos ensinar o amor imensurável e incondicional, teve medo, foi humano, mas sua face santa nos ensinou que a fé, esperança e a caridade são os maiores pilares que o cristão pode ter. Isso tem que ser passado pela família, combatendo os anabatistas, que acreditam que seus filhos poderão andar com suas próprias pernas e escolher sua própria religião, mas não irão... Eles não sabem quem é Deus.

Entendam que a família é bem mais que status, é amor. É estar junto de quem você ama e de quem ama você, independente de sangue. São os nossos primeiros intercessores que hão nos amar e nos ensinar independente de nossas falhas. E como Jesus quis relatar na parábola do "Filho Pródigo"; recupere sua honra e sejais humildes, pois sua família sempre estará de braços abertos para te acolher.

Ana Luiza Pereira



Intercedei por nós que recorremos a vós!

A base de qualquer pensamento humano para buscar qualquer religião é, não só a busca das respostas às perguntas filosóficas, mas o conforto. Qualquer denominação religiosa tenta dar o conforto necessário aos seus praticantes, prendendo assim, eles àquela religião.

Deixo bem claro a quem se aproxima de mim que sigo sim a religião católica, embora conteste algumas regras de sua doutrina, e também gosto de aprender sobre outras mais. Contudo, não gosto quando ouço sobre nossa "adoração" a santos ou pessoas religiosas. Adorar é somente a Deus, tenha a certeza que a pessoa (católica) que disse isso não sabe o seu significado ou usa como forma de eufemismo. Todavia, nós católicos temos devoção aos santos, pois acreditamos que eles são nossos intercessores junto ao Pai, Filho e Espírito Santo como Trindade.

Quando pedimos algo aos santos, pedimos como forma de ajuda. Ao agradecermos, agradecemos pela intercessão concedida deles junto a Deus e agradecemos a Deus pela graça. Portanto, outras pessoas podem não entender tal pensamento católico por não saberem de tais fatos apresentados.

Porém, intercessão não é somente dadas pelas mãos dos santos, mas também pelas mãos dos amigos (sejam eles de qualquer denominação religiosa). Todos aqueles que rezam por ti como intenção junto a Deus, são também considerados nossos intercessores, por mais que não saibamos. Porque, como dizia São Paulo em sua carta aos Colossenses; "Suportai-vos uns aos outros e perdoai-vos mutuamente." (Cl 3, 13). E não. Muita gente erra ao ler esse trecho e pensar que suportar é na denotação de "aguentar, tolerar", mas, na verdade, é na denotação de "dar suporte", ser amigo apesar das diferenças e interceder por esta pessoa (por mais que você tenha desavenças) junto a Deus, para que Ele ilumine seus caminhos.

Portanto, caros amigos e irmãos, intercedei por aqueles recorrer a vós e por aqueles que também não recorreram. Somos convidados a ser Santos e sermos amigos, irmãos e intercessores do próximo e isso só nos aproxima mais de Deus Pai.

Ana Luiza Pereira

A parte que me dói


Digo tais palavras necessárias para um bom entendimento da situação, mas diante dos meu olhos, vejo olhos tristes. A voz fanha de quem quero muito bem vai me dilacerando o coração.

O pranto começa da minha parte arrependida e pecadora... Será que errei de novo ao ouvir meu coração e não seus conselhos? Mas já dei o primeiro passo... Já a vi naquele estado deplorável por outros e nunca desejei que ela ficasse assim por mim.

Ela chora perante quem prometeu não faze-la chorar. Será que já posso morrer? Ver tal cena me mata, pois sei a razão... Tudo por uma escolha...

Eu sei que ela quer minha felicidade, meu bem e tudo mais... Mas, chega uma hora que seguir seu coração é a melhor escolha para quem deseja se arriscar para ser feliz...

Mãe, quero que entenda que não foi por pirraça, mas porque tem certas coisas que só quebrando a cara que se aprende... Eu te amo, mãe! Mil desculpas...

Ana Luiza Pereira

Feliz dia do coração!

Feliz dia do coração de criança,
do coração inocente,
do coração cheio de esperança,
do coração puro,
do coração que imagina,
do coração que eu tinha...

Feliz dia das crianças!
Para aqueles que são
e para os que foram,
os que revém em seu coração
a pequenez e a pureza que tiveram.

Por que criança não é aquela que tem idade,
mas as que tem coração...
Portanto, feliz dia do coração!

Ana Luiza Pereira

Antologia poética

Refletir sobre a escrita
é bem mais que refletir sobre significados,
palavras
ou caligrafia...

Refletir sobre a escrita é refletir sobre si.
Como era...
Como é...
E imaginar como será.

Com o passar dos tempos agreguei a mim experiências.
Digo que sou todos, com e sem marca registrada.
Sou Vinícius nas poesias de amor,
Drummond nas poesias reflexivas,
Clarice nas prosas que me busco,
Machado em suas críticas,
Gullar em seus contos...

Sou uma antologia dos poetas que li,
dos prosistas que reli,
dos compositores que amei...

Reflito sobre mim e o que aprendo no que leio e faço.
Reflito sobre tudo nos livros e apenas os reproduzo.
Sou cópias originais de pensamentos autônomos sobre o mundo.
Reutilizo palavras gastas, dando a elas vida nova e significado
em textos comuns sobre pensamentos do que aprendo,
do que leio,
do que faço.

Sou um livro de poemas escritos
lidos
e relidos
de poetas
cuja morte não apagou seus nomes da história
e cujas histórias e aprendizagens estão gravadas em meu coração.

Ana Luiza Pereira

Canção dos olhares

Vi olhos, tais olhos...
Olhos que vi vibrantes,
olhos inertes,
olhos secando horizontes.

Olhos de cor doce,
cor que dá fome,
cor que te come
nas piscadelas antes - dorme.

Olhos que o tempo mudara,
olhos irreconhecíveis,
olhos visíveis,
olhos notáveis...

Tais olhos que te quero meu!
Tais olhos quero que guias sejam.
Olhos que não pereçam,
olhos que mereçam...

Tais olhos imortalize, pois, em mim
para termos um fim
nesta canção de amor arredia.
E com o amanhã virá o dia
que terei os olhos perfumados de jasmim...

Ana Luiza Pereira

Descrença no homem

Descreio do homem quando o vejo decepcionar quem o ama. Descreio do homem por causa de seus atos egoístas e mesquinhos. Descreio fielmente do homem que habito e que habita nesta terra cálida. Mas creio em Deus e em algo superior a mim. Contudo, entro em conflito quando a regra é amar ao próximo quanto a mim mesma. Não amo a mim, porém amo ao próximo até mais, embora nem sempre confie no mesmo. Descreio do homem para não me decepcionar, apenas me surpreender. Cativo-me por ele, como a Raposa do Pequeno Príncipe, e por suas variáveis mentalidades. Mas descreio quando me tratas como a única rosa de seu asteroide... A vida me mostrou que eles descobrirão que sou apenas mais uma rosa dentre muitas na face da Terra. Então me decepciono e, para isso não acontecer novamente, descreio. Descreio dos atos, palavras e de alguns sentimentos humanos. Mas não descreio de d'Aquele que o fez, pois sabia o que estava fazendo.


Ana Luiza Pereira