Meia hora de entretenimento

Finalmente chegou a época de eleições. Época dos comícios nas praças, jingles altos em horários infortúnios, papéis, placas em casas e outdoors poluindo nossa cidade e confundido nosso cérebro ao dirigir  e, o melhor de tudo, o horário eleitoral gratuito em nossa televisão aberta brasileira no horário da cesta de uns e do jornal de outros.

Sinceramente, o horário eleitoral é o horário do circo. Tem cada jingle idiota ou até mesmo pessoas sem instruções de política que tentam se eleger prometendo mil e uma coisa, mas, no final, não fazem nada só se tentam a releição para continuar no status que estão (quando não viram corruptos...). E eles fazem de tudo para chamar nossa atenção em poucos segundos, se fazendo de bobos, quase se vestem de palhaços para nós acabarmos sendo os palhaços nos quatro anos de mandato.

A verdade é que o número de votos brancos e nulos está aumentando por uma única razão: o brasileiro não vê interesse na política dos políticos. Muitos dos brasileiros estão desmotivados com o andar do país que, por mais que saiba que o voto seja para mudar esse futuro, não confia mais em ninguém para assumir as rédias desta situação de calamidades públicas. O fato é que o brasileiro só luta por aquilo que convém quando convém; só luta quando está em estado de alerta, para aí ele levanta a voz e ser ouvido, fora isso, ele se acomoda no sofá.

Mais do que instrução em nossas escolas e universidades, necessitamos é de uma motivação além das lenga-lengas de promessas eleitorais para melhorar esta situação. A verdade é que realmente precisamos de alguém que se interesse por essa política e faça pela gente o que nós não temos coragem e/ou motivação de fazermos por nós mesmos. Enquanto isso, sentemo-nos em nossos sofás para rir dos palhaços que chamam nossas atenções nessa meia hora de entretenimento televisivo, afinal, como dizia uma música do Engenheiros do Hawaii nos anos 80: "Eu presto atenção no que eles dizem, mas eles não dizem nada".

Ana Luiza Pereira

Madness (Escrito por Antonio Machado Neto)


Minha dor de cabeça se foi
e com ela
minha lucidez
Minha criatividade era dependente de minha loucura. 
Minha loucura se foi há muito... 
Dentro de mim reside apenas um ser inanimado, 
carente por momentos de adrenalina, 
sedento por vida...
Não há nada que me motive... 
Sou fruto de um passado melancólico e pertenço a um futuro decadente... 
Simplesmente sou inerte a quaisquer que sejam as pessoas que me cercam... 
pois elas nada significam a mim...

"Não necessito de sua piedade... De ti quero somente nada, sou sozinho por escolha e escolhi ficar longe de ti.."

Antonio Machado Neto

Conhecendo Jesus

Toda a vez que perguntam "Quem é Jesus Cristo?", as pessoas automaticamente respondem: "Aquele que deu a sua vida por nós no alto da cruz, o nosso Salvador.". Não estão erradas, porque nós, como cristãos, somos ensinados a sempre ver e reconhecer o lado divino do Cristo, afinal, é dogma. Porém, eu, como pensante, reconheço acima do divino o lado humano de Cristo; o lado que ficou quarenta dias no deserto resistindo às tentações do diabo, O Filho do Homem que se fez humano e soube fazer as escolhas certas, com a ajuda de Deus Pai, e entregar a sua vida a Ele em redenção por nós. Vaticano que me perdoe, mas, para mim Jesus é homem antes de ser Deus Trino.

Quando queremos conhecê-lo, a forma mais clássica é orando, pedindo proteção a Deus e rezando suas orações. Não é assim desde criança? Na catequese, aprendemos que outra forma de conhecer a Cristo é ler a bíblia, pois lá estão seus feitos, sua vida, sua história, seus ensinamentos e seu amor. Mas, e quando nada disso faz com que sintamos que conhecemos esse amigo verdadeiro que é Jesus Cristo? O que devemos fazer? Ir à missa. Uma igreja é um santuário; entrando nela, você entra na casa daquele que é Santo e que quer nos redimir. Não é necessário se ajoelhar perante o sacrário, cantar, participar da missa de alguma forma, apenas pedir perdão e comungar. Pedindo perdão, você  abre seu coração e tem de novo a chance de ser santo(a) como Cristo e, quando comungar, você se torna lar do mesmo e não é mais necessário ajoelhar no sacrário, pois você já é o sacrário de Deus, só basta anunciar o mesmo Cristo que vive em você (e que você nem sempre percebe) à todas as nações da terra.

Ana Luiza Pereira

Canção dos homens (Escrito por Lya Luft)

Que quando chego do trabalho ela largue por um instante o que estiver fazendo - filho, panela ou computador - e venha me dar um beijo como os de antigamente.

Que quando nos sentarmos à mesa para jantar, ela não desfie a ladainha dos seus dissabores domésticos. E se for uma profissional, que divida comigo o tempo de comentarmos nosso dia.

Que se estou cansado demais para fazer amor, ela não ironize nem diga que "até que durou muito" o meu desejo ou potência.

Que quando quero fazer amor ela não se recuse demasiadas vezes, nem fique impaciente ou rígida, mas cálida como foi anos atrás.

Que não tire nosso bebê dos meus braços dizendo que homem não tem jeito pra isso, ou que não sei segurar a cabecinha dele, mas me ensine docemente se eu não souber.

Que ela nunca se interponha entre mim e as crianças, mas sirva de ponte entre nós quando me distancio ou me distraio demais.

Que ela não me humilhe porque estou ficando calvo ou barrigudo, nem comente nossas intimidades com as amigas, como tantas mulheres fazem.

Que quando conto uma piada para ela ou na frente de outros, ela não faça um gesto de enfado dizendo "Essa você já me contou umas mil vezes".

Que ela consiga perceber quando estou preocupado com trabalho, e seja calmamente carinhosa, sem me pressionar para relatar tudo, nem suspeitar de que já não gosto dela.

Que quando preciso ficar um pouco quieto ela não insista o tempo todo para que eu fale ou a escute, como se silêncio fosse falta de amor.

Que quando estou com pouco dinheiro ela não me acuse de ter desperdiçado com bobagens em lugar de prover minha família.

Que quando eu saio para o trabalho de manhã ela se despeça com alegria, sabendo que mesmo de longe eu continuo pensando nela.

Que quando estou trabalhando ela não telefone a toda hora para cobrar alguma coisa que esqueci de fazer ou não tive tempo.

Que não se insinue com minha secretária ou colega para descobrir se tenho amante.

Que com ela eu também possa ter momentos de fraqueza e de ternura, me desarmar, me desnudar de alma, sem medo de ser criticado ou censurado: que ela seja minha parceira, não minha dependente nem meu juiz.

Que cuide um pouco de mim como minha mulher, mas não como se eu fosse uma criança tola e ela a mãe, a mãe onipotente, que não me transforme em filho.

Que mesmo com o tempo, os trabalhos, os sofrimentos e o peso do cotidiano, ela não perca o jeito terno e divertido que tanto me encantou quando a vi pela primeira vez.

Que eu não sinta que me tornei desinteressante ou banal para ela, como se só os filhos e as vizinhas merecessem sua atenção e alegria.

E que se erro, falho, esqueço, me distancio, me fecho demais, ou a machuco consciente ou inconscientemente, ela saiba me chamar de volta com aquela ternura que só nela eu descobri, e desejei que não se perdesse nunca, mas me contagiasse e me tornasse mais feliz, menos solitário, e muito mais humano.

Lya Luft

Em busca da tranquilidade


Já fui sonhadora o bastante e acreditei na paixão e no amor. Lembro-me da minha infância quando imaginava meus 15 anos ao lado de um namorado que seria meu príncipe encantado e viveríamos felizes para sempre.

Hoje em dia, meu pensamento mudou. Ainda acredito em amor e paixão mas de uma forma diferente... Eu aprendi as consequências desses sentimentos após o fim, e mesmo assim me iludo. Quando estou mais racional, acredito fielmente que tudo isso são um emaranhado de hormônios juntos que dilatam minhas pupilas, aceleram meu coração e que me faz cheirar a feromônios. 

Mas nem nesse estado, ou quando estou pior, eu não paro de observar e aprender sobre os sentimentos... Eles são e serão sempre um mistério, por mais avassaladora seja essa paixão ou amor. Sim, eu vivo com meu coração, embora muitas vezes eu caia pelo mesmo, mas também acho que aprendi muito com ele.

Um certo dia, um sábio amigo me disse que os deuses do olimpo sentem inveja da humanidade porque vivemos como o Carpe Diem (viver cada segundo como o último) e, esses segundos, se tornam especiais e eternos. Não temos os momentos eternos, mas a eternidade dos momentos em nossos corações, principalmente quando amamos.

Porém, quando se é jovem, principalmente hoje em dia, pensamos que tudo é amor quando nem sempre é a verdade. Desgastamos em palavras e atos, desgastamos nosso coração para uma coisa que não conhecemos ao certo. Quem dera eu ter o amor como os dos meus pais e avós...

Contudo, um dia pensei e cheguei a conclusão que amor  de nossos pais é um porto seguro de tudo; do cotidiano, do trabalho puxado, dos estudos chatos e até de si próprio. Ele te protege, guarda, zela e dá a tranquilidade que precisa; é como um anjo. E, um dia, saberemos ser como nossos pais e saber abdicar de certas coisas que queremos para não causar discórdia, brigas; para conservar a tranquilidade e a amizade que o amor nos dá.

Ana Luiza Pereira

Canção das mulheres (Escrito por Lya Luft)

Que o outro saiba quando estou com medo, e me tome nos braços sem fazer perguntas demais. 

Que o outro note quando preciso de silêncio e não vá embora batendo a porta, mas entenda que não o amarei menos porque estou quieta. 

Que o outro aceite que me preocupo com ele e não se irrite com minha solicitude, e se ela for excessiva saiba me dizer isso com delicadeza ou bom humor. 

Que o outro perceba minha fragilidade e não ria de mim, nem se aproveite disso. 

Que se eu faço uma bobagem o outro goste um pouco mais de mim, porque também preciso poder fazer tolices tantas vezes. 

Que se estou apenas cansada o outro não pense logo que estou nervosa, ou doente, ou agressiva, nem diga que reclamo demais. 

Que o outro sinta quanto me dóia idéia da perda, e ouse ficar comigo um pouco - em lugar de voltar logo à sua vida. 

Que se estou numa fase ruim o outro seja meu cúmplice, mas sem fazer alarde nem dizendo ''Olha que estou tendo muita paciência com você!''

Que quando sem querer eu digo uma coisa bem inadequada diante de mais pessoas, o outro não me exponha nem me ridicularize. 

Que se eventualmente perco a paciência, perco a graça e perco a compostura, o outro ainda assim me ache linda e me admire. 

Que o outro não me considere sempre disponível, sempre necessariamente compreensiva, mas me aceite quando não estou podendo ser nada disso. 

Que, finalmente, o outro entenda que mesmo se às vezes me esforço, não sou, nem devo ser, a mulher-maravilha, mas apenas uma pessoa: vulnerável e forte, incapaz e gloriosa, assustada e audaciosa - uma mulher.

Lya Luft

Pensando sobre esse amor...

"Será que te amo?", veio essa pergunta agora para me tirar o sono.
Sei que sinto falta da sua presença sempre do meu lado,
Sei que sinto falta do seu carinho e calmaria,
Sei que sinto falta do seu sorriso e dos beijos calorosos.
Admito que supria a falta de cafuné com você e por muitas vezes fingi dormir no seu colo só para ter carinho o bastante para que você aquietasse o meu coração conturbado.
Mas...
Será que te amo?
Você foi o relacionamento mais tranquilo e o menos perturbante que tive, apesar de um pouco confuso e conturbado.
Sei que somos jovens, somos ainda imunes para errar em certos quesitos por falta de experiência ou orientação... Mas errar ao dizer três palavras?
"Eu te amo"... Talvez eu tenha acreditado tanto nessas palavras que nem me preocupei devidamente.
Mas a verdade é; eu realmente te amo e amei, mas como amigo e parceiro ou namorado e companheiro? Não sei.
Mas uso minha imunidade para seguir em frente e aprender mais uma vez que amores é, de fato, um terreno de areia movediça.

Ana Luiza Pereira

Amigo vs. Ela

Amigo: Desculpe, não sei mais o que falar... Apenas, boa sorte com seus sentimentos.
Ela: Obrigada amigo, mas com sentimentos; sorte é azar, convivência é amor e vivência é paciência.

Ana Luiza Pereira

Aprendendo a pecar

Muitos dos cristãos põe a culpa da existência do pecado em Eva e Adão, outros na serpente, mas acho que nessa história, ninguém tem a culpa. Deus pôs uma única regra no Jardim para exatamente por nossa integridade humana à prova, afinal, somos criações d'Ele e Ele sabe que somos fracos e facilmente influenciáveis.

A questão que quero apresentar é que tudo o que é pecado é, na verdade, uma provação da vida, de Deus e/ou até mesmo sua e dos seus conceitos. É uma questão de conhecimento do que faz e se aquilo é certo ou errado, bem ou mal e se deve seguir em frente ou não.

Eu, como cristã desde que me conheço por gente, nascida e criada na mesma comunidade católica, tenho uma educação e os conceitos do que é certo ou errado (até mesmo do que é pecado) totalmente diferentes da minha melhor amiga que é ateia por opção. Não venho aqui tirar a razão de quem diz que o mal (e o pecado) está a espreita de qualquer lugar desse mundo. Contudo, ponho aqui a reflexão: mentir, omitir, julgar (e etc.) nos convém como seres humanos conscientes do que é bem e mal? 

Muitas das vezes, fomos educados a pecar em nossa própria casa sem perceber. Fomos criados ouvindo do nossos pais para nunca mentirmos, mas chega numa idade, quando você atende o telefone e é uma vendedora de telemarketing para os seus pais e eles mesmos pedem para que você minta. Isso confunde a cabeça de um adolescente em formação, até mesmo a criança. Vemos nossos vizinhos julgando os que passam na rua com vestes diferentes, então você aprende a julgar também, às vezes, sem consciência plena que aquilo não é bom, mas faz por hábito social.

E, o pior de tudo, é você tentar se desvencilhar desses "erros de fábrica" depois, ouvindo do mundo que você é quadrado e que fazer mais uma vez não faz diferença. A verdade, é que a culpa do pecado não é do ser humano, da serpente ou de Deus, porque todo o pecado é uma prova diária de dignidade. Todavia, não conseguir se desvencilhar de tais pecados que fazem mal (não só a pessoa que comete, mas aos outros também), isso é culpa da sociedade e sua educação conturbada a nova geração. Afinal, sociedade, o que você diz mesmo ser bom e mau?

Ana Luiza Pereira

Devolvo-te


Devolvo seus presentes;
Seus ursos e cordões,
Cartas e anéis
E a promessa de sermos um.

Mas não posso devolver nossas lembranças,
Lágrimas e risos,
Sentimentos intrínsecos
Desenvolvidos na cumplicidade de um relacionamento.

Devolvo-te o que posso devolver
Com o pedido de perdão por não ser o suficiente
E a promessa de seguir em frente,
Embora haja marcas em mim do nosso amor.

Ana Luiza Pereira

Não vi (Escrito por Gabriel Porcino dos Santos)


Não vi minha vida passar diante de meus olhos, pois estes estavam ofuscados.
Muito menos, as súplicas do meu coração, pois minha mente estava enebriada pela música.
E, em um devaneio, flagro me recordando de vís venenos como estes para existir: tempos onde a tua existência já me bastava.
Quem me dera se soubesse o que viria de vir...

Gabriel Porcino dos Santos

Mágico


Quando jovem, almoçava sempre com um senhor, mais ou menos com 60 anos, muito bem humorado e bastante amigo. Um dia descobri que ele já fora um mágico renomado quando era jovem, então pedi-lhe para me apresentar seus truques...

 Foi o da moeda, das cartas, do coelho, do desaparecer e reaparecer... Qualquer coisa que minha mente, ainda criança, podia imaginar aquele senhor fazia em seus truques. Aquilo me fascinava, era deslumbrante e eu ficava sem palavras, embora o sorriso não saísse de minha boca e o brilho de meus olhos. E ele não se cansava de dia após dia, repetir os mesmos truques e, às vezes, inventar uns novos.

Quando eu ficava muito curiosa, perguntava: "Como consegue fazer isso?". E ele, sempre paciente perante minha ansiedade de sempre querer ver mais de seus truques, respondia: "É a inexplicável mágica, criança. Se você acreditar, és capaz de fazer tudo". Toda a vez que eu ouvia aquela resposta simplesmente sorria e não parava mais de sorrir.

 Passou-se um, dois, três... O sábio senhor não aparecia mais. Uma semana depois soube que o velho senhor mágico que me fazia sorrir faleceu de alguma doença que hoje nem lembro mais e o sorriso que ele deixava se fora.

Fui ao seu enterro prestar minhas homenagens à família e em sua lápide o seguinte epitáfio fora escrito: "Mágicos não existem". Não entendi naquela época o porquê da contradição daquelas palavras com os atos do velhinho que conheci.

Hoje, mais ou menos na idade daquele senhor, digo que ele era sábio. De fato, mágicos não existem, truques são apenas truques que enganam nossos olhos e que podem ser desvendados a qualquer momento e ensinados a qualquer um. Ele fazia aquilo para obter sorrisos e não dinheiro. Hoje sei que o olhar apaixonado de um jovem a te admirar é muito reconfortante, embora seja muita responsabilidade. Ele queria simples momentos e a mágica que ele dizia era a vida, a inexplicável vida. Eu acreditei e fiz de tudo. Ainda bem que tive esse ensinamento para me guiar, por isso estou aqui: vim ensinar-lhes o mesmo. Dê asas aos a si e aos Ícaros dos seus pensamentos, acredites na vida e a olhe com seu coração que você descobrirá a magia em qualquer lugar e ser capaz de fazeres tudo.

Ana Luiza Pereira

Complexo de Édipo


Há um erro de fábrica da nossa humanidade que não há como reparar quando o assunto é procurar alguém para um relacionamento; o complexo de Édipo. Pare e pense; quantas vezes você reparou no alguém que você ama, já amou ou apenas se apaixonou algo que te lembrasse de algum parente próximo ou familiar que você simplesmente ame demais? Bem, eu te respondo que já perdi as contas.

A verdade é que alimentamos a necessidade de encontrar alguém que lembre quem nós amamos de fato. Não digo que maridos não amam suas esposas, ou vice-versa, mas digo que nossos pais ou aquela pessoa que nos criou é a primeira pessoa que nós amamos de fato. Ou, até mesmo, aquele tio que brincou com você quando criança. Às vezes, pode até ser outro tipo de complexo vinculado; como seria a minha mãe se ela não tivesse me abandonado?

Enquanto isso, a necessidade de procriação aumenta ao passar dos anos, até (no caso das mulheres de 30 anos) chegar ao ápice...

Não prolongando o assunto, coisas mínimas na personalidade ou no físico de quem estamos juntos como parceiros; como os olhos, o jeito de falar quando briga, etc., nos fascina e, se nós analisarmos, acharemos a resposta que lembra alguém: alguém que amamos de fato.

Ana Luiza Pereira

Vida de ilusões

Queria poder ter uma vida sem ilusões, mas a vida nos impõe ilusões desde criança. Pensamos que ser adulto é ser forte e invulnerável, mas cresci e vi que os adultos são bem mais humanos vitimizados que as crianças abandonadas (ao menos eles se fazem assim). Portanto, criei uma barreira guardando minha infantilidade e cultivando-a aos poucos. Já me chamaram de criatura estranha por ser assim, mas percebi nas crianças a fortaleza que um adulto precisa. Sua ingenuidade e inocência os fazem felizes, imbatíveis e extremamente fortes. Um adulto ao olhar com olhos de ressaca uma criança, sua ressaca se torna uma inveja da vida boa e de sua beleza interior. Podem me julgar de estranha, sou feliz apesar do medo de crescer. Amadurecer não significa perder a criança que você é, mas significa aprender com a vida; seja com olhos de criança forte, olhos de adolescente apaixonado ou olhos de adulto de ressaca.

Ana Luiza Pereira

Pensamentos de mim mesma

Hoje parei para analisar a condição humana e suas complexidades.  Embora não seja a primeira vez que faço isso, hoje eu tive uma visão diferente...

Não sei explicar, mas esta condição de que vos falo me irrita tanto! Somos egoístas, ingratos, hipócritas... Como dizia minha avó; somos o que é de “ruindade” nesse mundo.

Não pense que falo isso numa visão de superioridade, pelo o contrário, digo isso porque me julgo. Não sou perfeita para ser deus, e nem desejo ser um deus um dia. Apenas me julgo porque o julgamento de si próprio me fascina. Há tanto erros que tenho para reparar, embora muitos sejam de fábrica.

Há muitas vezes que, ao me deparar com alguma cena triste na rua, como uma mendiga magra, seja por fome ou pelo crack, sendo mãe e amamentando seu bebê; dando a aquele ser uma oportunidade de viver e lutar nesse mundo cruel demais para ele e, talvez, simples demais para mim. Encarar tais cenas cotidianas, as vezes, quando o egoísmo fala mais alto, me faz agarrar mais e mais aos luxos que tive e ainda tenho, em outras vezes, me deixa tão indignada com a desigualdade de oportunidades que a criança tem comparada a mim que perco o sono querendo gritar para o mundo ouvir; então escrevo.

Sei que palavras não mudam o mundo, mas palavras mudam pessoas. E, quando digo isso, não digo em questão de rótulos, julgamentos ou coisa parecida. Digo isso porque certas palavras ditas em horas erradas machucam e, tal dor, muda e desmuda qualquer um que possa senti-la. Porém, palavras certas ditas em qualquer hora deixam o dia tão colorido quanto o sorriso que pudera ter arrancado.

Dizem para mim que eu sou uma ótima escritora, mas eu digo não; esse é apenas um dom. Digo palavras escritas para poderem ser lidas e ouvidas ao mundo. Porém, como escritora, conheço o poder das palavras certas e das certas palavras; afinal, esse é um princípio básico.

Contudo, o universo das palavras me fascina tanto que não paro de pensa-las e, muitas vezes, cantá-las na minha cabeça. Prendi-me de tal modo a este mundo de palavras que não me dou mais bem pronunciando-as, mas escrevendo. Acho que meu pensamento ao escrever sabe escolher exatamente as palavras certas, enquanto, ao falar; digo são as certas palavras.

Acho que tudo o que disse foi besteira. Um pensamento solto que, por algum motivo que não sei, tive que escrever em plena madrugada. Todavia, tudo o que disse foi para expor a minha complexidade e minhas verdades, enquanto o meu julgamento de mim mesma está apenas começando...

Ana Luiza Pereira

Vendo minha voz

Nós somos o poder e não apenas insetos
Queremos vencer e mandar um papo reto
Queremos coisas coisas legais
Que não sejam apenas internacionais

Queremos ser lembrados
Pela glória do nosso suor louvados

Ofereço a minha voz,
A voz da mudança
Do povo a esperança
De um mundo melhor.
Ofereço a voz
Do fino requinte,
Do povo o palpite
E dos que fazem com suor.

Vivemos num mundo capitalista,
Rodeados de pessoas materialistas.
Será que esse é o caminho da conquista
Do progresso sensacionalista?

Ana Luiza Pereira

Monstro de pedra


Hoje sonhei com um monstro de pedra que me fitava com maus olhos. Acordei no susto dos olhos dourados do gigante olhando fixamente a minha alma e comecei a pensar. Temos, de fato, bestas interiores, nas quais, a luta contra elas se torna infinita e até cansativa. Mas por que sonhei com um titã? Então, parei, olhei para mim mesma e cheguei a conclusão que certos medos meus estão tão solidificados e magnânimos que apenas a ideia ou o nome deles me faz tremer na base. Olhar em seus olhos, por mais frios, com brilhos malévolos ou horripilantes que sejam é a única saída de enfraquecê-los. Porém, cadê a Dona Coragem para apertar minha mão agora?

Ana Luiza Pereira

Viva aos tolos!



            Alguns consideram o Brasil como um país ainda “subdesenvolvido”, outros o Brasil está “em desenvolvimento”; não importa o termo, eles escondem muitas coisas.
            Não importa qual termo usemos; a mídia também é controlada e não mostra toda a bagunça na Câmara e do Senado no alto do Planalto da Alvorada. Chamam os que estão ali de “171”, ou seja, leva as pessoas no papo e, sinceramente, não estão errados. Muitos que estão ali porque prometeram algo importante na sua gestão que até hoje não se vê obras ou melhoras. Eles prometem fazer nosso país crescer e adotar o termo de “desenvolvido”, mas se esquecem de que para isso necessita-se de bem mais do que cuidar da economia, mas também da educação, a renda per capita, das condições de trabalho, saúde, etc. Tudo isso, ajuda numa melhor economia e num melhor estilo de vida para as pessoas desse país.
            A verdade é que as pessoas desse país pensam que o Brasil melhora apenas com seu andar crescente econômico, pensam que só assim eles verão o dinheiro dessa economia em seus bolsos e esquecem que em Brasília há uma roubalheira do dinheiro público, que usamos esse dinheiro para manter um status em relação a outros países ou, até mesmo, pagar dívidas externas, seja nossa ou não.
            Tolos! Sim, somos o país dos tolos, pois não pensamos antes em votar, não no presidente, ele é apenas uma figura representativa do país, mas nos senadores e deputados. Afinal, quem aprova as leis é a Câmara e o Senado e não o presidente. A população apenas se contenta com o que vê ou ouve na mídia, se esquece de procurar mais fontes de como é o candidato, o que ele já fez e afins.
             Então, minha cara população brasileira, se não fizeres isso, eu proponho uma coisa: mudemos nossa bandeira; “Desordem e Regresso”, está mais em alta por essas bandas ultimamente.

Ana Luiza Pereira

Discursando sobre fé

Imaginem uma vela e sua chama incandescente e a guardem em seu coração.

Antes de discursar sobre qualquer coisa, partamos do princípio que não há homem sem fé. Na matriz do psicológico da humanidade; ter fé, acreditar em algo (que seja Deus, ciência, destino ou, até mesmo, em si) nos motiva a seguir em frente e o homem não é nada se ele não tem nada para superar. Somos imperfeitos, mas com fé podemos ser sempre melhores do que somos hoje.

Eu, como pessoa, acredito que ter fé é acreditar naquilo que você acha ser verdade. Creio em Deus, Ele é o Pai verdadeiro, eu creio em Jesus Cristo, nosso irmão que se fez humano para nos ensinar a amar, eu creio em Maria, nossa Mãe intercessora que nos guarda junto do Pai e creio no Espírito Santo, que nos ilumina na nossa caminhada de conversão a Deus e que, um dia (se Deus quiser!), vai me mostrar as respostas que procuro. Pessoas acreditam na ciência e creem nela como a verdade do universo e assim vai...

Porém, filósofos como Nietzsche, que era ateu, e Voltaire, como deísta (que crê em Deus como criador, mas não nega que o mundo é regido por leis naturais e científicas); tais filósofos "não-cristãos" diziam que religião é uma forma de dominação e retenção de poder e que apenas seres inferiores procuram na religião para uma espécie de consolo. Não discordo de nenhum deles.

Sim, a religião, principalmente a Católica Apostólica Romana foi sim uma forma de dominação e retenção de poder comprovado pela História Mundial. Veja a Idade Média; basicamente, quem mandava no povo era a Igreja feita por homens que usavam o Santo Nome de Deus em vão. Mas, o nosso Santo Padre, o Papa João Paulo II, se ajoelhou pedindo perdão pelos os antigos erros da Igreja para os descendentes da mesma sociedade dominada pela religião no século XV. Quem de nós o perdoou é poque teve fé em suas palavras, quem perdoou é teve amor e quem tem amor tem um pedaço de Deus. Contudo, ele poderia não ter feito, afinal, já haviam se passado cinco séculos da Idade Média, mas sabe-se lá o porquê...

E, sim, somos seres inferiores. Eu sou uma formiga operária trabalhando em prol de uma comunidade cristã fraterna. E por muitas e muitas vezes tive minha vela, que eu chamo de fé, quase se apagando por alguma razão que hoje não lembro mais. Por muitas vezes, eu ajoelhei e clamei a Deus respostas, uma salvação de algum aperto, consolo ou algo parecido e, quando a ajuda divina não vinha de imediato, eu duvidava, mas quando vinha, eu me esquecia de agradecer. Isso me faz ser pequeno, inferior; uma simples formiga.

Enfim, fé é sinônimo de muitas coisas. Já vimos que é sinônimo de motivação, superação, verdade, perdão, amor... Mas falta algo. Fé também é sinônimo de aprendizagem. Não há cristão que não creia na Sagrada Família, que não tenha uma imagem dela como exemplo em sua casa e que não reflita vez em quando do que falta para nossas famílias chegarem perto da santidade que foi a família de Jesus. Ter como exemplo a Sagrada Família é aprender a honrar a família que tens, amá-la, prezá-la, zelá-la e, acima de tudo, respeitá-la. E assim se estende a todos os Santos e Beatos que nós queiramos como exemplo para nos ensinar algo.

Feche os olhos novamente e lembre-se da vela que falei no início. A vela que eu mandei que você imaginasse é a situação da sua fé hoje e eu não sei como ela está, porém, se minhas palavras fizeram essa chama incandescente brilhar mais vívida é porque cumpri minha missão que Deus me incumbiu, porque eu admito a minha condição de ser ferramenta do Espírito Santo de Deus e passar o que sei e sinto, mas agora é a sua vez.

Ana Luiza Pereira