Punhais ditos (Escrito por Fernanda Ferreira de Barros Campos)


As pessoas se esquecem que palavras ferem... E, uma vez proferidas, não tem como voltar atrás. Quem profere, quase sempre esquece do que falou, ficando o dito pelo não dito, afirmando nunca ter dito nada! Quem escuta, nunca esquece do que ouviu, ficando mais dito do que deveria ou poderia... Cada vírgula, cada entonação, cada "se".

Para o locutor, as palavras entonadas não passam de poeira  ao vento, carregadas facilmente, assim como facilmente esquecidas. Para o ouvinte, as palavras ouvidas são como um jatobá  de raízes profundas, difícil de ser arrancado. E, no final, quem proferiu e feriu se posta de mártir e quem ouviu e quem ouviu e se feriu convive com a cicatriz da arma impune das palavras e a acusação velada da culpabilidade.

Mas a vida toma outras direções e quem viver em função somente das palavras que outrora foram seu algóz, na verdade não viverá.

Por isso, erra aquele que se apega ao que vem depois da tempestade, achando ser um punhal para atingi-lo. Porque de outras prioridades se faz a vida e de outras importâncias se gasta o tempo!

Fernanda Ferreira de Barros Campos

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