O tempo

Ontem meus pais namoraram,
Hoje eu sou a alegria da família,
Amanhã eu vou agradecer a Deus por tudo o que Ele me deu.

Ana Luiza Pereira
Poema escrito no ano de 2003 para concorrer ao 1º Festival Poético do Colégio Dimitri Marques.

Noite inesquecível (parte 3)

Quando voltava para sala, o sinal bate. Hora do meu encontro. Fui à sala de aula recolher minhas coisas e não encontro ninguém além de Kami fazendo isso por mim.

- Onde esteve? - perguntei.

- Por aí. - respondeu ela enigmática. - Vai almoçar agora? - perguntou.

- Não. Vou a um lugar. - disse.

- Posso te acompanhar?

Fiquei um minuto silenciosa pensando seriamente em responder não. Mas aqueles olhos me passam tanta confiança faz tanto tempo que não tive como não recusar...

- Claro! - sorri.

- Onde vai?

- Prédio dos calouros.

- Por quê?

Não deu. Queria poder esconder algo, mas da minha melhor amiga não dá. Contei dos meus sonhos sobre ontem que pareciam reais demais, então, eu encarava como uma lembrança. Contei sobre eu achar ser o Lucas e do porquê de estar indo ao prédio dos calouros. E ela apenas sorriu.

Percebi no ato que havia algo de errado com ela, mas nada perguntei. Chegando lá, falei para ela que era hora de nos separarmos, que eu devia ver a pessoa de ontem sozinha. Mas ela disse:

- E se não for ele quem você espera?

- Como assim?

Na mesma hora lembrei de quando atacava meu pescoço enquanto eu estava na cama, ofegante, trêmula e toda molhada. Vi, então, aqueles olhos... Os mesmos olhos...

- Era você! - exclamei.

- Sim... - falou ela de cabisbaixo.

- Você é bi? - perguntei. Meu Deus! Eu não a conhecia...

- Não... Eu menti para você para se aproximar e, fatalmente, me aproveitei de você quando bêbada.

- Mas eu senti um pênis dentro de mim... Como?

- Eu tenho meus brinquedos... Me desculpa. - e ela se afastou. No mesmo instante, todas as lembranças ficaram nítidas em mim e em minha cabeça.

Dias se passaram e eu só via ela e sua cara de gozo quando, por sorte, o meu gozo espirrava nela. Sentia suas mãos me masturbando e via seus olhares safados quando fechava os olhos. Sentia suas mãos em meus seios e seus seios sobre mim... Lembrava de tudo, mas ela não estava mais ali para conversarmos. Ela me contou e foi embora, porém, algo sobre isso deveria ser feito.

- Olá. - digo quando ela abre a porta de casa.

- Oi. - diz ela acanhada. - O que faz aqui?

- Então, você não tem aparecido mais e eu fiquei preocupada...

- Hum... Não aconteceu nada demais. Bem, tenho que ir, foi bom te ver, adeus. - diz ela fechando a porta na minha cara. Eu a intercepto.

- A quem vim enganar? - perguntei antes de atacá-la de beijos e irmos para o quarto, para que ela me fizesse sentir de novo cada tremor e sensação boa daquela noite inesquecível.

Ana Luiza Pereira

Questão de orgulho

Acho que to sendo boa influência, vejo hoje minha prima escrevendo textos divinais e meu namorado postando opiniões reflexivas e fico pensando; será que realmente é minha influência ou será que eles finalmente libertaram-se das amarras do silêncio para, enfim, falarem e serem escutados? Não sei responder. Mas me dá muito orgulho ler cada palavra escrita pelas mãos deles.

Ana Luiza Pereira
Para os esclarecimentos dos leitores: meu namorado é o Gabriel Porcino que tem textos dele aqui no blog e minha prima é Fernanda Ferreira que também tem textos deles aqui no blog.

Encontros e desencontros (Escrito por Fernanda Ferreira de Barros Campos)


Na vida, às vezes perdemos pessoas que muito amamos e não sabemos o por quê. Às vezes, ganhamos pessoas que nunca esperávamos e nos surpreendemos. 

A vida não tem nexo, é um emaranhado de desencontros para no final nos reencontrarmos. É um amontoado de encontros para podermos recomeçar. 

Porque a pessoa amada que nos deixou, essa não pode ser substituída nunca. E fica a lágrima escondida em um coração dilacerado que já não espera o regresso do amor que se foi. 

Já a pessoa que entra em nossa vida, sem pedir licença, essa vem para nos reconfortar, para mostrar que ainda existe os "ses", "poréns", "mas". 

A vida é mesmo uma controversa em uma confusa e injusta corrida pelos porquês... A vida vale cada minuto apesar da eterna vontade de desistir.

A essa pessoa que se perde perde de nossas vida, chamo... Infortunado... Perdeu um tesouro... Um amor... A essa pessoa que se lança como um cordeiro, como um amigo que me levanta ante meus infortúnios... Esse... Chamo Deus!

Fernanda Ferreira de Barros Campos

Punhais ditos (Escrito por Fernanda Ferreira de Barros Campos)


As pessoas se esquecem que palavras ferem... E, uma vez proferidas, não tem como voltar atrás. Quem profere, quase sempre esquece do que falou, ficando o dito pelo não dito, afirmando nunca ter dito nada! Quem escuta, nunca esquece do que ouviu, ficando mais dito do que deveria ou poderia... Cada vírgula, cada entonação, cada "se".

Para o locutor, as palavras entonadas não passam de poeira  ao vento, carregadas facilmente, assim como facilmente esquecidas. Para o ouvinte, as palavras ouvidas são como um jatobá  de raízes profundas, difícil de ser arrancado. E, no final, quem proferiu e feriu se posta de mártir e quem ouviu e quem ouviu e se feriu convive com a cicatriz da arma impune das palavras e a acusação velada da culpabilidade.

Mas a vida toma outras direções e quem viver em função somente das palavras que outrora foram seu algóz, na verdade não viverá.

Por isso, erra aquele que se apega ao que vem depois da tempestade, achando ser um punhal para atingi-lo. Porque de outras prioridades se faz a vida e de outras importâncias se gasta o tempo!

Fernanda Ferreira de Barros Campos

Praga (Escrito por Gabriel Porcino dos Santos)


Humanos. Poluímos os rios, devastamos as matas, derrubamos montanhas, contaminamos os mares, esfumaçamos o céu. Matamos uns aos outros em guerras por ganância, talvez não de riquezas, mas por sangue. Realmente, perdi a fé nos homens, porque estes nunca souberam o que é humanidade. Mas o que me faz rir disso tudo é que ainda por cima nos consideramos superiores aos ratos, sendo que somos nós mesmos a pior praga que o mundo já viu.

Gabriel Porcino dos Santos

Preço devido (Escrito por Gabriel Porcino dos Santos)

O preço do ouro e dos diamantes deveria ser medido a partir do peso de cada gota de sangue e suor e por cada vida ceifada nas minas e jazidas dos países que chamamos "terceiro mundo". Talvez, colocaram esse nome porque não seria cabível viver no mesmo mundo em que poucas pessoas ostentam enquanto muitas sofrem.

Gabriel Porcino dos Santos

Reflexão sobre mudanças internas

Ninguém sabe ao certo responder a pergunta "Quem sou eu?", mas eu concordo com Clarice Lispector que responder a pergunta "Se eu fosse eu, o que eu sentiria e faria?" é bem mais difícil. Quem locomove as mentiras no qual se acomoda, porque tem medo de mostrar quem realmente é, apenas para responder uma única pergunta; esta pessoa está a um passo da mudança interna do ser humano. Tudo tende a mudança, mas mudanças internas começam por coisas simples, porque tudo é simples (ao menos quando se é criança) mas nós mesmos temos a tendência de complicar tudo.

Ana Luiza Pereira

O efeito contrário

O homem precisa aprender a viver na comunidade quando, no fundo, obedece a voz do egoísmo. Em homens assim, o comunismo ideal não seria algo real, nem mesmo numa comunidade cristã. Alguns homens não abdicam de certos erros comuns em sua natureza pelo simples ato de mudar e querer viver no comum. Homens "comuns" pensam que viver em comum gera fofoca, o que é algo que gera conflito (outra necessidade do ser humano) e, fatalmente, gera a desunião. Se Gibbs está certo em dizer que tudo tende ao caos, eu não sei afirmar; porém tudo tende sim ao efeito contrário do imaginado.

Ana Luiza Pereira

Minhas memórias mortas


Estive pensando em nós...
Mas por quê?
Não passam de memórias mortas...

Estive pensando no que se foi,
No que você fez...
Mas não passam de memórias mortas...

Meu coração esteve chamando por você,
Eu estive chorando por você...
Mas hoje são memórias mortas.

Estive aqui esperando, até que cansei e parti para ser feliz,
Mas estive sempre observando, tenho ciúmes da parte de você que habita em mim...
E isso, não são memórias mortas...

É um amor psicótico vívido,
Um parasita que não morre,
Embora eu tente me convencer que são apenas memórias mortas...

Ana Luiza Pereira
Inspirado na música Dead Memories do Slipknot.

O (des)caso da IASERJ

Nesses dias, saiu a notícia da decisão do nosso querido governador Sérgio Cabral no ato desesperado de destruição do hospital da IASERJ, no Centro do Rio de Janeiro.

Por que tanta brutalidade? Enviar o Choque para invadir e destruir os cabos foi uma falta de respeito para com os pacientes do hospital. Se algum deles estivesse em estado terminal, o que o governo falaria para a família nessa eutanásia sem permissão? Iria dar dinheiro para calar a boca da população para que e não fosse parar nas mãos da justiça falha desse país?

Foi uma falta de respeito aos servidores do estado, que estavam lá para se tratar, mandarem fechar um dos melhores hospitais do Rio de Janeiro porque a preferência do Ministério da Saúde é a manutenção e aprimoramento do Incra. E quem não tem câncer, faz o que?

Devem sim aprimorar os hospitais, mas não se deve esquecer do povo que está nos hospitais para se tratar enquanto suas família estão na luta, trabalhando para pagar os impostos para que os hospitais melhorem e não para que a Quinta Vara de Justiça negue o pedido de suspensão do desativamento do hospital. Realmente a justiça está se fazendo de cega...

Porém, culparemos tamanho descaso o Ministério da Saúde e o governador do Rio de Janeiro pela atitude. Uma vez ouvi de uma professora: "Político se torna quando não se tem satisfação com seu trabalho.", mas eu discordo. Político todos somos, mas nós, a maioria dos cidadãos de bem da nossa sociedade carioca, sabemos e reconhecemos os valores morais e familiares, enquanto quem está no poder se esquece, se tornando um sem juízo e corrupto. Quem dá mais dias, meses ou anos para abrir um no inquérito sobre as empresas que superfaturaram na manutenção do Incra?

Ana Luiza Pereira

Alguém que sou


Se eu tivesse a escolha de ser alguém, seria nada mais do que eu mesma com um pouquinho daqueles que convivo, dos amores que recebo, dos sentimentos que sinto...
Não sou o que dizem ou o que você julga, sou minhas decisões e escolhas, meus sorrisos e lágrimas e não os seus...
Sou filha, sou mãe, sou criança e sou adulta.
Sou complexa, porque sou eu ser humano incompleto, imperfeito e errante.

Ana Luiza Pereira

Sinto saudades de você

Sinto saudades de você
Do seu afago
Dos nossos jogos
Do choro que você secava
Do amor silencioso sem muitas precisar de provas

Sinto saudades da sua presença
Do seu cuidado
Da comida que fazia
Do sorriso que você dava
E de quando me apoiava...

Eu não aguento ver as fotos sem chorar
Lembrar sem chorar
Você me fez feliz,
Foi a melhor de todas as minhas amigas
E eu não consigo dar adeus a você e suas lembranças

Vovó, sei que do céu você me vê
Mas saiba:
Eu sinto sua falta...

Ana Luiza Pereira
Uma homenagem à minha avó...

Tento ser

Tento ser algo que vejo, mas não consigo... Tento ser algo que admiro, mas dá errado... Tento ser aquilo que me veem, mas não me sinto completa... Tento ser aquilo que sinto, mas ainda não é o suficiente... Na verdade, é nessa busca incessante de "ser ou não ser" que me torno quem sou; dizendo sem dizer, sentindo sem sentir, vivendo e se esquecendo de aprender com as quedas. Sou um pouco de tudo, ao menos quero ser assim... Mas como ainda não sei quem sou, só busco deixar uma marca de mim em você. Só deixando várias dessas marcas você poderá dizer que valeu a pena... 

Ana Luiza Pereira

A carta da Rosa


  Querido Pequeno Príncipe,

Para quem é eternamente responsável por aquilo que cativas, sabe que procurar uma estrela especial entre uma imensidão de planetas e pessoas não é fácil. Mas para onde olho, vejo suas façanhas e seus novos amigos; o Rei absoluto que respeita seus subordinados, o homem vaidoso e narcisista, o beberrão sem razão, o contador avarento, o acendedor de lamparinas que trabalha incessantemente,  o velho sábio, outras rosas como eu, a raposa simpática... e, fatalmente, a cobra intereisseira.
Sei da sua preocupação quanto a mim, dos carneirinhos e bodes que quis por aqui para me proteger. Mas estou bem em meio as futuras raízes de baobá.
Sei que disse que és um tolo, mas estive errada. Tola sou eu de apenas me abrir para você no momento de sua partida. Sei que sou nariz em pé, mas eu realmente te amo meu pequeno grande garoto.
Ouvi das estrelas e dos pássaros que as rosas mais bonitas nascem fechadas para se abrirem com o tempo. Lembrei no exato momento de nós. Abro meu coração aqui para dizer novamente que te amo e amo seus cuidados. Seu nome é Príncipe porque reina em meu coração. E és pequeno para conseguir ocupar nele todo.
Volte, garoto! Sua aprendizagem está só no começo... És criança, vive e pensa como uma eterna criança inocente, por isso, aprende coisas que ninguém aprenderia. Mas sinto sua falta...
Escrevo essa carta para você, eterno Príncipe, para que volte para o seu asteroide e que comigo veja de novo o lindo pôr-do-sol.

Da sua,
Rosa.

Ana Luiza Pereira
Texto adaptado do livro O Pequeno Príncipe.


Patriota

Sou patriota entre aspas. Exijo respeito perante outros de nacionalidades diferentes, não gosto que nos humilhem por sermos um povo miscigenado e quase sem preconceitos. Porém, admito que eu mesmo humilho o meu país. Só serei patriota de fato quando o governo do meu país respeitar o povo que o pôs no poder.

Ana Luiza Pereira

Apenas sou



Não sou tudo, mas não sou nada. 
Sou apenas alguém. 

Um alguém redigido nas palavras que acredito serem fiéis e verdadeiras aos meus sentimentos. 
Um alguém preso na linha tênue do imaginário e do real tentando transpôr o que sente e o que vê. 
Um alguém que vive por metáforas e se comunica através delas. 
Um alguém que observa e nem sempre participa. 

Um narrador dos segredos intrínsecos do ser mais confuso da terra: o homem. 
Um narrador personagem que não sabe o que quer e o narrador observador que sabe demais. 

Sou apenas eu, tentando ser você e te descobrir por meio das palavras mais tocantes e vívidas. 
Sou apenas seus sentimentos e suas palavras. 
Sou um parasita na sua mente desvendando o mistério humano onde Sócrates e Platão não conseguiram mais transpassar seu pensamento. 
Sou a conversação de filósofos internos, onde quem ganha nem é sempre a razão dos fatos. 
Sou transposição dos medos e a vivência da revolução. 
Sou desejos dos prazeres e as mudanças de hábitos.
Sou o segredo que ninguém sabe e a morte que ninguém viu.
Sou precedentes e as más intenções de cada um.
Sou aquilo que você vê mas não o que você pensa ou diz.
Sou uma criança morta nas dores de amor e viva nas alegrias da vida. 
Sou um esqueleto humano enfrentando preconceitos e compartilhando histórias. 
Sou um excluso interno e incluso externo na sociedade que me cerca. 
Sou a opinião de alheios que, às vezes, lhe agrada, outras lhe entristece. 
Sou a decepção da família que não convivo.
Sou a família dos meus amigos e o amigo da minha família. 
Sou a cabeça dura maleável com o tempo. 
Sou lágrimas e suor do rosto que não tenho e o mistério das vozes que me falam.
Sou personagens e figurantes de histórias contadas vividas por alguém que não sou eu.
Sou o passado e o presente das memórias. 

Não importa quem eu seja, apenas sou... 
Mas não sei ser aquele alguém que se delimita.

Ana Luiza Pereira
Texto incluso no livro Raízes literárias 2 (2012).

Ele vs. Ela (XI)


Ele: Não chora! Vai lá lavar o rosto!
Ela: Não adianta! As gotas da água só vão se misturar com as minhas lágrimas...

Ana Luiza Pereira

Amiga vs. Ela


(Uma amiga estava chorando por ter dado um tempo com o namorado.)
Ela: ...Agora eu encuquei que eu não sou boa o suficiente.
Amiga: Claro que você é.
Ela: Se eu fosse ele teria me contado antes.
Amiga: Se não fosse ele teria te feito de idiota...
Ela: Eu não sou boa, em nada...
Amiga: Cala a boca! Você é maravilhosa em tudo; na vida, no que faz, estudos, como amiga, no namoro e até no sexo!
Ela: Se eu fosse, as pessoas não me abandonariam...
Amiga: As pessoas são idiotas. Você é maravilhosa em todos os aspectos e todos, inclusive ele, sabem disso. Senão ele não teria dito que tinha medo de te perder... Agora cala a boca e se acalma!

Ana Luiza Pereira