Metalinguagem metaforizada


Estou acordado
O horário não importa
O café está do meu lado
E eu ao lado da porta

Tento abrir uma outra
Diferente, talvez
Tento saber o que tem através da porta
Mas com ela espiões não tem vez

Tomo um gole do meu café
Café quente, café forte
Diante da porta estou em pé
Confiando em Deus e tentando a sorte

"Portinha maldita!
Por nada ela abre!
Quem é a personita
que tem o segredo de sua chave sabe?"

Sei que café não é chave
"Alacasam" não é segredo
"Um buraco! Alguém cave!
Quero saber o saber o porquê desse medo."

"O chão não deixa!
A pá não enterra!"
Então, será que é a Rapunzel e suas madeixas?
Ou a Alice debaixo da terra?

Este café está me dando apneia
Mas quero saber o que há detrás da porta!
Cadê minhas boas ideias?
Elas estão perto das pessoas mortas?

Luto, então, declaro
Desistência digna e plena
Esta porta eu não abro
Minha incompetência me condena.

Outro gole bebo,
Recubro a consciência.
Então, eu percebo
Quão tola é a minha demência

Com a caneta eu estava
Escrevendo tal poema,
A porta aberta estava
Escrevendo sobre um tema
A porta era a minha imaginação,
onde Rapunzéis e Alices reinam.
Então, este não é um texto sem noção.

Ana Luiza Pereira

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