Interminável batalha



Não há batalha mais difícil do que lutar contra você mesmo, contra seus demônios, contra seus vícios, seus medos e seu ódio. Ver-se no espelho sendo abraçada por uma dor, solidão e loucura é, no mínimo, desesperador. Deixa-se entregar nesta batalha é, no mínimo, burrice.

Ana Luiza Pereira

Ele vs. Ela (VIII)


Ela: Parabéns!
Ele: Pelo o quê?
Ela: Pela sua paciência em conseguir me aturar na TPM, no meu ciúme, com os meus defeitos e nossas diferenças.
Ele: Ei! Não se esqueça que eu te amo! E é por te amar demais que largo mão de tudo para ser sempre o melhor para você...

Ana Luiza Pereira
Em homenagem ao meu primeiro mês de namoro com o Gabriel.

Calmaria

Minhas palavras podem ser feias, meu jeito de expressá-las; pior ainda. Mas, lembre-se; se estou xingando é porque há uma razão muito óbvia para isso: procuro a calma nas palavras, já que a sociedade foi mais uma vez inútil em me mostrar que não há calma nas pessoas. 

Ana Luiza Pereira

A gota d'água (Carta de um cidadão indignado)


  "                      Excelência,

            Venho aqui, na minha humilde função de formiga operária, tentar mostrar-lhes a verdade além de vossos olhos, além das folhas dos jornais, além do simples boato. Para Vossa Senhoria deve ser difícil o compreendimento puro e nato de tais fatos que hei de vos apresentar, mas, ainda assim, é o meu dever de cidadão patriota mostrar a realidade de meu povo aos meus soberanos.
            A verdade que vai além de vossa soberania é o sofrimento do seu povo, o povo que governas e que te pôs no poder. Essa é a sua contribuição e gratidão pelo poder? Deixas seu povo miserável e medíocre, sem esperanças e sem voz. Tu reprimes esquecendo-se também que já fora reprimido junto com eles um dia.
            A verdade que vai além de vossa soberania é que estás tratando aos seus iguais perante a lei como verdadeiros animais, uns selvagens que matam e têm que ser domados e outros são assim como eu; simples formigas operárias que trabalham dias e noites em condições desumanas para o sustento de uma família digna. Animais ficam presos em jaulas, não pagam seus salários com impostos.
            De fato, a verdade é que a lei que está no papel não se sobrepõe a lei dita pela vossa boca soberana. Vossa boca, em discursos diplomáticos, dizem que somos iguais e cidadãos, mas a realidade somos formigas ou selvagens.
            Encare como afronta a vosso poder, mas a realidade é que seus métodos de deturpar possíveis revoluções são falhos contra um povo imenso e indignado. Um povo medíocre pode ser sim facilmente influenciado pelas ideias revolucionárias de quem tem algum estudo maior ou poder aquisitivo, mas não estamos mais na Idade Moderna. A nossa realidade contemporânea é diferente: todos têm acesso às informações que não são especulativas; todos nós temos escolaridade que, por mais que seja fraca, já é o bastante para saber o que é revolta e revolução...
            Vossa Excelência quer se manter no poder? Então, além de favorecer os que te apoiam e os que te ajudam a caminhar com a economia, não se esqueça de também favorecer àqueles que te puseram no poder, pois são esses que também podem tirá-lo.

Grato pela vossa atenção.
Atenciosamente,

Um Cidadão Indignado"

Ana Luiza Pereira
Texto incluso no livro Raízes literárias 2 (2012).

As desventuras da Senhora Educação


            A Educação cai por doente nesses anos cujo calor tropical do nosso Brasil vem aumentando.
Preocupada, procurou vários médicos para se tratar e, até mesmo, especialistas. Uns faziam da situação um verdadeiro descaso; não movia nenhum músculo, apenas permanecia sentado atrás de sua mesa, lendo seu jornal e ouvindo as reclamações da Educação.
Por passar tempo demais aturando esses médicos que não se preocupavam com sua saúde, apenas com sua estabilidade financeira, a Educação começou a ser mal-educada; dava respostas, esqueceu-se dos gêneros, números e conjugações. Porém, ainda assim, procurava doutores e mestres para se tratar. Poucos a ouviam. Menor ainda é o número que lutava pela sua melhora. Brigavam com o seu chefe, o Governo, o dono do descaso que usava do dinheiro público para outros fins.
                 - Cadê a democracia? – diziam certas pessoas indignadas.
                Mas respostas não obtiveram, apenas o silêncio constante das autoridades que pensam mais na economia do que na saúde de seu povo ou na pobre da Educação.
                Quem vai gritar? Por essa saúde falha... Quem vai gritar? Pela Educação doente... Por mais que o povo se una, suas vozes ainda são fracas contra o chefe autoritário e individualista, porém, eu sei e você também, que a voz do povo abala o poder de qualquer governo ineficaz.
                - Segure as pontas, Senhora Educação! Com o povo lutando por ti, sua saúde há de melhorar!

Ana Luiza Pereira

Ele vs. Ela (VII)

Ele: Por que fechamos os olhos quando beijamos?
Ela: Porque assim dá para ouvir nossos corações batendo no mesmo ritmo.

Ana Luiza Pereira

Solidão (Escrito por Antonio Machado Neto)


A solidão me traz pensamentos que me tornam indiferente a tudo que está ao meu redor.

Tenho meus pensamentos fragmentados por emoções que não sinto mais, tenho a minha mente devastada por algo que é inexplicável. Tudo que está ao meu redor me faz delirar, tudo que está ao meu redor não me faz pensar, tudo que está ao meu redor me faz querer morrer. Sou algo incompreendido e relativamente triste.

Nunca mais direi nada apenas para te ver sorrir, mesmo que isso me leve ao fundo do poço. Jamais irei te ver sorrir novamente, pois toda vez que você sorri, lágrimas são derramadas. Você é algo do meu passado que eu quero esquecer. Tudo que eu já vi antes já passou... Tudo que você sempre quis foi alguém que cuidasse de você e, agora que estou longe, não terá mais ninguém.

O que você fez? Sua solidão me contaminou, agora não quero mais viver sabendo que estou sozinho. Tudo que você sempre quis foi alguém que cuidasse de você; esse alguém já não vive mais, esse alguém já te esqueceu, mesmo que esse alguém sonhe com você todas as noites. Afinal, solidão é não te ter por perto.

Antonio Machado Neto

Reação em cadeia

Sou apenas uma reação em cadeia de atos ou palavras. Pessoas despertam em mim tais reações sem ao menos saber ou imaginar o porquê. Eu apenas me deixo levar... Erro demais por ser assim, mas como o Carpe Diem eu apenas aproveito o momento, mesmo estando perdida nas minhas próprias razões. A verdade é que eu me perdi na vida no momento que vi sua magnitude, que ela ia além das paredes do meu quarto e que nenhum lugar era seguro dela. A verdade é que eu tenho medo, e das escolhas que eu tenho; escolhi errar e enfrentar meus medos para crescer e saber "como se vive".

Ana Luiza Pereira

Quando o sol se põe (Escrito por Antonio Machado Neto)


Tudo que penso gira em torno de mim mesmo. Tenho que reavaliar minhas ações e omissões perante meus iguais, talvez nem seja assim tão ruim. Quando estou sozinho no silêncio da noite, escuto o som do mar e vejo o brilho das estrelas iluminar minha solidão. Sinto que o sol aquece meu corpo, sinto a luz me atraindo. Será que existo ou sou uma reflexão de um pensamento de alguém? 

Girando em torno do mundo, o mundo girando em torno de mim. Meus pensamentos parecem um tornado de idéias inconsequentes que refratam a ideologia de uma vida sem vida.

Faço-me todo dia, todo dia tento reinventar-me, mas, indignamente, tenho que sobreviver a tais atitudes ínfimas de uma vida sobrepujada de rejeitos e aflições. Será que sempre estarei acostumado com esse ser que esconde-se dentro do meu subconsciente e que sempre está lá para me julgar e me fazer parecer ridículo?

Por que sempre tenho que terminar o que os outros não começam?

Tudo que faço é algo que não vale a pena?

Nem sempre a escuridão chega quando o sol se põe.

Nem sempre o silêncio aparece quando não há som

Nem sempre há solidão chega quando se está sozinho.

É essa loucura que toma conta de mim.

É essa insanidade que está dentro de mim.

É essa insensatez que vive dentro de mim.

Tudo que faço não é suficiente para idealizar uma realidade verdadeira que nos traz a tona todos nossos sentimentos verdadeiros.

Será sempre uma ideologia fraca atrás de luzes fortes

Quando o sol se põe, tudo está acabado.

Quando o sol se põe, a loucura começa.

Quando o sol se põe, não há.

Antonio Machado Neto

Demonstrações de amor

Ela reclama do jeito que eu olho, mas ama meus olhos.
Ela me bate, mas ama meu jeito de ser.
Ela me xinga, mas sei que sou o amorzinho dela.
Ela reclama quando eu a abraço, mas ama sentir meu cheiro.
Ela odeia quando eu brinco, mas sei que por dentro está rindo.
Ela não gosta quando eu a mordo, mas ama meus beijos...
Não importa os porquês de tudo que ela faça, no final do dia, eu sei que ela sempre dirá "eu te amo" ao pé do meu ouvido. Não duvido dela, pois seus olhos não escondem sua felicidade e sua ternura quando me olham. Por mais que ela reclame, é o seu jeito de demonstrar amor, um amor infinito atrás de pequenos gestos que, no fundo, ninguém sabe os porquês, exceto eu.

Ana Luiza Pereira

Razões

Sabe? Sejamos realistas, não há um porque de viver e sentir. Não há um porque de estarmos sempre em busca do perfeito. Não há um porque para nada… Justificativas é para quem não sente e não entende que viver é bem mais que respirar; viver também é amar.

Ana Luiza Pereira