Passarinho

Se eu fosse um passarinho
E vivesse a voar
Faria um ninho
Bem perto do seu lar
Assim, poderia sempre te ver
E poder sempre te admirar.

Ana Luiza Pereira

Quero ver

Quero ver seus olhos
Em meus olhos
Quero ver o reflexo
E descobrir, no brilho deles, o nexo do amor

Quero que você veja meu silêncio
Meu grito de saudade
Meu amor suprimindo
E o meu altruísmo

"Seja feliz,
Seja você"
Minha vontade,
Minha verdade,
É diferente da sua:
"Amo você"

Apenas quero felicidade
Apenas grito de saudade
Apenas desejo você aqui
Apenas imploro... permaneça em mim.

Ana Luiza Pereira

Máscaras para o coração


Quanto mais eu conheço as pessoas, mais vejo o quão falsas elas são. Falsas consigo mesmas. É, elas mentem para si, sempre escondem algo importante e não se abrem porque esse algo lhes fere. O ser humano é terrivelmente medroso e adora fugir, principalmente da dor e do sofrimento.

Pessoas usam de arte-manhas para esconder algo, são nessas vezes que causam a impressão errada e o mau julgamento de alguém. São apenas embalagens as primeiras impressões, mas, cadê o conteúdo?

Sim, é difícil uma pessoa se abrir para um desconhecido, mais ainda é confiar. Porém, seria mais fácil se as pessoas fossem verdadeiras consigo mesmas, não escondessem o que lhe trás medo ou como são realmente. Se não gostarem? FODA-SE! Você realmente liga para a opinião deles? Se sim, sinto muito, mas falta personalidade em você.

A verdade é que você pode sim, sempre mentir para todos, mas uma hora, você não conseguirá mais mentir para si. Não se esconda nas embalagens e máscaras, os outros não podem te abalar. Afinal, o pior inimigo de uma pessoa é ela mesma. Pense nisso, não leve esse texto como mais um clichê.

Ana Luiza Pereira

Stirb nicht vor mir (Don't die before I do)



É como um sonho, abraçada e encoberta pela capa da Dona Noite. Eu, desde criança, com o nome de Solidão, ficava encolhida nas noite gélida, imóvel chorando baixinho, suavemente enquanto minha mente viajava. Eu não sei qual é o seu nome, mas sei que existe e sei que qualquer dia, esse alguém há de me amar.

Eu fico esperando as noites chegarem, é como se a fé se acendesse naquela hora. Ele só aparece de noite, nos meus sonhos, não resta palavras a serem ditas, só sentidas. Ele me envolve com suas mãos no meu pescoço e eu fecho meus olhos e deixo ele me levar. Eu não sei quem ele é, mas como queria saber! Nos meus ele simplesmente existe e sua paixão é demonstrada num beijo que eu não consigo resistir.

Todas as casas cobertas de neve, das janelas vê-se as velas acesas, todos com seu par e eu, sozinha, a te esperar. Eu hei de esperar por você aqui, já que em meus sonhos acendeste minha fé e afagaste meu coração com seu amor. Eu hei de te esperar aqui, mas, por favor, não morra antes de mim, Não morra antes de me encontrar, antes de eu saber seu nome. Às vezes sinto o amor longe, mas seu amor eu não posso negar, eu hei de te esperar...

Ana Luiza Pereira
Inspirada na música de Rammstein

Amor de carnaval



Pierot encontra a Colombina em pleno carnaval
O cortejo era formoso
E o amor assassino

Romance de carnaval
Arlequim e com sua fofura era espantoso
E de suas palavras de amor viraram hino

Mas tudo o que é bom acaba
E o carnaval também

O casal se separa
E Pierot chora pela perda do seu harém

Colombina também sofreu
Mas se recuperou
Mais rápido que Pierot
E no final admitiu que o carnaval não doeu
Perder o Arlequim, o seu amor.

Ana Luiza Pereira

Conclusões

Às vezes agir por impulso é a pior coisa, mas na hora que agimos não pensamos nas consequências. O fato é: somos capazes de assumir as consequências? Por mais que nos doa ou seja aquilo que mais temamos e fizemos de tudo, demos carne e sangue, para não acontecer; estamos, de fato, preparados para enfrentar? Imersa em lágrimas e nervosismo, eu sei a resposta, mas não quero admitir. A verdade é que eu te amo, mas sinto que vamos nos afastar, de um jeito ou de outro... Então, só posso dizer em meios as lágrimas e soluços meu tão temido e adiado; adeus...

Ana Luiza Pereira

Desabafo em versos

Odeio admitir
Mas odeio agir,
Impulsivamente,
Animalescamente.

Odeio odiar
E as coisas que posso fazer assim.
Prefiro amar
E cair nas desilusões sem fim.

Na boa vida,
Por que testar?
Já basta esta raiva contida
E essa minha vontade de brigar.

Já provei que sou forte,
por que testar mais?
Me fazer de boba da corte
E correr por algo fugaz

Mas parece que estou presa,
Acorrentada,
Por um amor aprisionada
E pelas ilusões arremessada.

Eita ciclo vicioso!
Mas agora sinto este ódio gostoso,
Não do fim,
Mas de alguém que não se decide, assim
Vivo,
Amando,
Chorando
E não me arrependendo...

Ana Luiza Pereira

Abismo

Engraçado... Um tanto engraçada a vida. Vejamos; do nada conhecemos alguém; do nada esse alguém se torna importante; do nada esse alguém sabe tudo de você e vice-versa; do nada vocês são mais do que melhores amigos, são como irmãos... Aí vem a vadia da vida e mexe seus pauzinhos, vocês (do nada, como tudo no início) se separam. Nisso, por alguma razão, passam-se meses e até mesmo anos, sei que você sente falta daquele amigo/irmão, mas e a pessoa? Mas sei de uma coisa, uma hora, vocês se reencontrarão e será estranho, muito estranho... É como se esse tempo sem contato formasse um abismo entre os irmãos antes inseparáveis. É doloroso, mas a pessoa se torna uma completa estranha. Posto isso aqui porque sei como é, já vivi e presenciei várias vezes isso. Ontem eu apenas relembrei um pouco dessa dor... Rezo? Sim. Rezo para que tudo mude novamente, que "o estranho" se torna menos estranho e que voltemos a ser e sentir aquele sentimento de fraternidade inseparável.

Ana Luiza Pereira

Assombrados


Às vezes penso que somos amaldiçoados a ser o que somos, sofrer o que sofremos, agir como agimos... Vivemos na floresta escura, vazia, assombrosa de nossos pensamentos e subconsciente, tentando sempre fugir de nós mesmos e de nossos medos. Começo, então a pensar que o maior medo de nossa vida é descobrir quem de fato somos e do que somos capazes. Vemos atrocidades acontecendo no nosso dia-a-dia e, às vezes, nos perguntamos: Será que nós também somos capazes disso? A resposta é óbvia; sim. Somos todos humanos; lembram-se? Um animal desenvolvido e racional que usa a racionalidade para beneficiar a si mesmo. Onde estamos em nossos pensamentos quando nos demos conta disso? Fugindo, óbvio. Sempre estaremos fugindo da certeza que vivemos e morreremos um dia. Afinal, em nossa floresta do subconsciente, não existe o amanhã...

Ana Luiza Pereira

Medrosa



Eu admito: sou medrosa. Vivo cercadas de medos, presa numa torre, então eu não faço nada, apenas espero. Espero o abraço do Príncipe para me acolher e espantar os medos.

A verdade: já fui mais corajosa. Mas acho que gastei minha coragem na cara-de-pau que eu utilizei durante os anos e hoje acabou que me rendo ao medo.

Quer outra verdade? Sou orgulhosa. Prefiro me martirizar e morrer de medo do que perder. Mas hoje eu aprendi que é melhor perder e orgulhar de si mesmo mais tarde do q se machucar mais e sempre.

Não entende minhas palavras? Enclausure-se em seus medos que você saberá. Caso ao contrário, deixe essas meras palavras saírem pelos ouvidos que entraram...

Ana Luiza Pereira