Promessa do Ano Novo

Penso como foi minha vida esse ano,
Comparei com anos anteriores
E vejo que muito mudei 
Pra melhor? Não sei.

Me fechei pras pessoas,
Me calei perante as coisas,
Abaixei minha cabeça quando me apedrejaram.

Em compensação,
Descobri quais são amizades verdadeiras,
Não usei mais pessoas para meu próprio ego,
Aprendi a ouvir mais, mesmo que eu não concorde com o que dizem.

Mas ainda sou humana,
Muito errei sendo assim ou assado.
Então, nessa reflexão do melhor de mim, eu digo;
Deixarei para trás tudo de mal que fui e resgatarei tudo de bom.

Me socializarei mais,
Assumirei mais compromissos,
Serei mais responsável pelos meus atos e palavras,
Seguirei em frente apesar dos pesares de cabeça erguida.

Afinal, é pra isso que serve Anos Novos,
Deixar para trás o que foi ruim e sempre tentar ser o melhor de você.

Ana Luiza Pereira

Natalidade


Todos esperam essa época do ano. Para a maioria das pessoas; é a época mais feliz que tem, pois é a época de dar e receber presentes. Para alguns; não é tão feliz assim, pois é a época que a TV mais mexe com nossa cabeça, nos deixando cada vez mais supérfluos. Para outros; é um dia comum.

Mas não é só isso... Vejo nos filmes e maratonas de seriados, Hollywood tentando exprimir o verdadeiro significado do Natal, mas eles sempre deturpam com a imagem comercial dessa época: o Papai Noel. Sendo que, na verdade, o verdadeiro Papai Noel, São Nicolau, foi uma figura que representou a caridade cristã perante homens pagãos na Idade Média.

O fato que venho exprimir é uma coisa que todos sabem: Natal é tempo de família. Tempo das pazes, tempo de sorrir e abraçar, tempo de cuidar da família que tens. Tempo de ver todos como uma família só e ser humilde e dar ao seu irmão que não tem luxo algum, e não a quem já tem ou é da sua família de sangue. 

Esqueçam o presépio e a árvore. Olhe em você: é você que espera pelo Natal e, provavelmente, por Cristo que vem. Quais seus defeitos? Você quer mudá-los? Então, lhe darei a primeira dica: prepare seu coração. Cristo habita em nossos corações para sempre, mas renasce em nós em cada Natal, Páscoa e afins. Seu coração é uma manjedoura de Cristo? Deus gosta dos servos mais obedientes e humildes, se nosso coração é soberbo, egoísta e mesquinho, com certeza, nesse Natal, Cristo não nascerá em nós.

Eis o maior segredo de Deus: NÓS somos o presépio vivo. Mas não transbordamos essa alegria sendo estrelas guias a outras pessoas. Até mesmo em nossa família, quantas e quantas vezes nesse ano ela precisou de Cristo e você não mencionou seu nome? Se Deus não preza a família, o Filho do Homem apenas teria descido dos céus.

Então, amigos, zele pela sua família e pela natalidade de Cristo que habitará em você. Seja Maria, José, Rei mago e estrela guia desse Cristo. E tenha um Feliz Natal!

Ana Luiza Pereira

Mãe vs. Filha

Mãe: Por que você não lembra daquela viagem?
Filha: Porque há contextos de épocas da minha vida que prefiro não lembrar.

Ana Luiza Pereira

Uma esperança (escrito por Clarice Lispector)



Aqui em casa pousou uma esperança. Não a clássica, que tantas vezes verifica-se ser ilusória, embora mesmo assim nos sustente sempre. Mas a outra, bem concreta e verde: o inseto.
Houve um grito abafado de um de meus filhos:
- Uma esperança! e na parede, bem em cima de sua cadeira! Emoção dele também que unia em uma só as duas esperanças, já tem idade para isso. Antes surpresa minha: esperança é coisa secreta e costuma pousar diretamente em mim, sem ninguém saber, e não acima de minha cabeça numa parede. Pequeno rebuliço: mas era indubitável, lá estava ela, e mais magra e verde não poderia ser.
- Ela quase não tem corpo, queixei-me.
- Ela só tem alma, explicou meu filho e, como filhos são uma surpresa para nós, descobri com surpresa que ele falava das duas esperanças.
Ela caminhava devagar sobre os fiapos das longas pernas, por entre os quadros da parede. Três vezes tentou renitente uma saída entre dois quadros, três vezes teve que retroceder caminho. Custava a aprender.
- Ela é burrinha, comentou o menino.
- Sei disso, respondi um pouco trágica.
- Está agora procurando outro caminho, olhe, coitada, como ela hesita.
- Sei, é assim mesmo.
- Parece que esperança não tem olhos, mamãe, é guiada pelas antenas.
- Sei, continuei mais infeliz ainda.
Ali ficamos, não sei quanto tempo olhando. Vigiando-a como se vigiava na Grécia ou em Roma o começo de fogo do lar para que não se apagasse.
- Ela se esqueceu de que pode voar, mamãe, e pensa que só pode andar devagar assim.
Andava mesmo devagar - estaria por acaso ferida? Ah não, senão de um modo ou de outro escorreria sangue, tem sido sempre assim comigo.
Foi então que farejando o mundo que é comível, saiu de trás de um quadro uma aranha. Não uma aranha, mas me parecia "a" aranha. Andando pela sua teia invisível, parecia transladar-se maciamente no ar. Ela queria a esperança. Mas nós também queríamos e, oh! Deus, queríamos menos que comê-la. Meu filho foi buscar a vassoura. Eu disse fracamente, confusa, sem saber se chegara infelizmente a hora certa de perder a esperança:
- É que não se mata aranha, me disseram que traz sorte...
- Mas ela vai esmigalhar a esperança! respondeu o menino com ferocidade.
- Preciso falar com a empregada para limpar atrás dos quadros - falei sentindo a frase deslocada e ouvindo o certo cansaço que havia na minha voz. Depois devaneei um pouco de como eu seria sucinta e misteriosa com a empregada: eu lhe diria apenas: você faz o favor de facilitar o caminho da esperança.
O menino, morta a aranha, fez um trocadilho, com o inseto e a nossa esperança. Meu outro filho, que estava vendo televisão, ouviu e riu de prazer. Não havia dúvida: a esperança pousara em casa, alma e corpo.
Mas como é bonito o inseto: mais pousa que vive, é um esqueletinho verde, e tem uma forma tão delicada que isso explica por que eu, que gosto de pegar nas coisas, nunca tentei pegá-la.
Uma vez, aliás, agora é que me lembro, uma esperança bem menor que esta, pousara no meu braço. Não senti nada, de tão leve que era, foi só visualmente que tomei consciência de sua presença. Encabulei com a delicadeza. Eu não mexia o braço e pensei: "e essa agora? que devo fazer?" Em verdade nada fiz. Fiquei extremamente quieta como se uma flor tivesse nascido em mim. Depois não me lembro mais o que aconteceu. E, acho que não aconteceu nada.

Clarice Lispector

O perdão não pode esperar!

Domingo de sol, fui à igreja em busca da Persona Christi encontrado no padre na hora da confissão. Mas ele não estava lá, então fui ao Santíssimo rezar e começar meu Ato de Contrição.

Ouvia da janela os pássaros cantarem bem alto, como pequenos sinos. Sentei-me perto das janelas e dos pássaros para fazer alguma leitura da Palavra e uma mera reflexão sobre minha vida.

Um pouco depois, ouvi passos logo atrás de mim. Virei-me para ver o que era. Vi o meu pároco sendo seguido por um mendigo, logo pensei: "Meu padre foi ajudá-lo."

Continuei ali esperando. A espera se tornou longa, então comecei a rezar um terço. Porém, minha visão periférica viu o mendigo sair e um ladrão entrar na sacristia. Senti medo. "Será que ele veio nos roubar? E se ele me matar?" Em meu interior, rezava mais e mais alto, clamando pela minha vida.

Quando terminei o terço e o ladrão saiu. "Obrigado Senhor!" Mas logo após, entrou um casal de jovens que eu conhecia. Ela era mais nova que eu e estava grávida de poucos meses, eles estavam esperando um filho antes do casamento. Julguei. Nos meus pensamentos, apedrejava aquele casal jovem pela sua irresponsabilidade e inconsequência.

O sino da igreja tocou três vezes, indicando que já eram 9 horas da manhã. Peguei o jornal da missa daquele dia e, no evangelho, Jesus dizia: "Quem não tem nenhum pecado, que atire a primeira pedra." Foi quando recobrei a consciência; quem era eu para julgar? Estava ali em busca do perdão, mas o que eu fiz foi o contrário. Pequei na Santa Casa de Deus e perante Ele.

Envergonhei-me como Adão e Eva quando descobriram que pecaram e estavam nus. Onde foi parar minha humildade? Não fui serva, fui filha pródiga. Chorei.

Senti uma mão atrás de mim e uma voz me perguntou:

- Por que choras?

- Porque pequei. - respondi - Vim à casa do Pai em busca do perdão e o que fiz foi temer o mundo e julgar meu próximo. Choro, pois estou envergonhada, não sou a cristã que pensei que fosse.

- Vou te contar um segredo. Vê aquele crucifixo ali no altar? Aquele homem que está representado ali morreu há muito tempo atrás, derramando seu sangue por amor ao Pai e à nós em redenção dos nossos pecados. Se você se sente mal por pecar, ótimo! Porque prova que o sacrifício da cruz não foi em vão e você tem a salvação. Basta tentar se redimir com o Pai e com seus irmãos.

Saí em direção a sacristia, sem nada a dizer, prendendo as lágrimas e apertando os passos. Adentrei-me sem permissão e ajoelhei-me perante o padre.

- Perdão padre! Pois pequei em atos, palavras, pensamentos e omissões! Perdoe-me! - clamei chorando.

- Dos teus pecados já não me lembro mais... - disse uma voz diferente do meu pároco.

Olhei para cima e vi Jesus vestido de branco. Minha boca se abriu e mais nenhuma palavra saía.

- Estive aqui, esperando por você o tempo todo. Adiastes teu próprio perdão por pensar que eu estava ocupado... Persona Christi vive em todo o lugar, principalmente nos irmãos que julgaste. Mas agora aprendeste que estou aqui para te perdoar a qualquer momento, contanto que estejas arrependida como agora. - disse ele a mim, estendendo a mão.

Segurei em sua mão e levantei dizendo:

- Obrigado Senhor!

Senti outra mão no meu ombro que me fez acordar. Foi tudo um sonho bom, um sonho que Deus me dera para lembrar-me que, por mais que peque, Ele me ama e me perdoa. Era hora de me confessar depois tantas horas na fila da confissão comunitária. E, assim, fui. Mas com um sorriso no rosto, pois Deus me ama.

Ana Luiza Pereira

Encontro com a Rosa


Fui ao lindo jardim
de rosas cultivado pela Mãe.
Encontrei rosas de todas
as cores, jeitos e perfumes.
Mas um perfume de algumas
se sobressaiam mais que outras...
Tais rosas que encantaram
muitas e muitas mais,
reviveram seus jeitos murchos
e espalharam seus perfumes.
Foi esse o chamado "o milagre das rosas"
e esse perfume permanecera.
Milagre feito pelo Pai,
intercedido pela Mãe
que me fez levantar as mãos aos céus
e gritar com todo o meu fôlego:
Obrigado por estar aqui, meu Senhor!
Obrigado Rosa!

Ana Luiza Pereira
Foto: Show do Rosa de Saron na Fazenda do Mendanha, Campo Grande - Rio de Janeiro (15/12/12)

Verbs

I care
I die to care
I care too much,
A lot of...

I live
I live to die
I live in my crazy way,
Long way...

I love
I love everything
I love you
too much...

I'm going
I'm going to unknown
I'm going to live my life,
Bye!

Ana Luiza Pereira

Desânimo

Às vezes, algo bate desenfreadamente à porta. Abro procurando, ansiosamente, a alegre cara da felicidade, mas nada vejo. Apenas um trote... Uma tristeza sem motivo me abate e eu me encontro desanimada. Maldita intrusa! Não vira quando entrara pela porta... Só espero que vá rápido embora...

Ana Luiza Pereira

Convite


Convido-te para curtir a vida.
A esse convite não há recusa...

Convido-te para curtir sua vida,
mas com o alerta que nada é bom dilaceradamente.
Tenha juízo!
Ou apenas um pingo de consciência do que faz
e nunca deixe que ela pese...

Convido-te a fazer da vida uma festa,
momentos únicos e felizes,
momentos especiais com amigos.

Apenas convido-te a abrir seus olhos
para o que você está perdendo
e aproveitar
com juízo,
pois a vida é efêmera
e a juventude é uma questão de coração.

Ana Luiza Pereira

Chagado de amor



            Quando perguntares “Quem me ama?” e achares que a resposta é “Ninguém.”, saiba que há alguém sim.
            Meu amor transborda por ti, e não importa quem e como sejas; eu amo. Conheço você há tempos e, a maioria das vezes, você não lembra o meu nome. Você pode descrer que alguém é capaz de amar tanto, mas eu tenho marcas desse amor.
            Convido-te todo o dia a caminhar comigo nessa estrada cheia de pedras, quedas, pessoas boas e ruins, mas muitas das vezes você desiste com os flagelos da vida.
            E quando perguntares a mim: “Quem és tu que dizes que me amas tanto?”, eu respondo em alto e bom som: “Sou o Pai, o Filho e o Espírito Santo que habita em você e que você renega.
            Ouças a voz do teu coração porque agora que eu te direi: eu morro todos os dias por ti, porque te amo. E renasço a cada dia que dizes sim. Você não vê minha face, pois meu nome não é mais Jesus, mas você vê minha essência em sua família, em seus amigos e a todos os outros ao seu redor.
            Não tenho mais corpo, mas meu corpo já fora flagelado, já teve sua pele arrancada, já fora pregado, já fora quebrado, já fora flechado... E cada gota de sangue que caía de mim, eu só pensava em você.
            E não pense porque sou Filho de Deus Pai, nascido do Espírito Santo no ventre de uma mulher, que sou soberbo. Eu também caí, beijei o chão que pisava, lavei seus pés, fui traído por quem amei e confiei, mas perdoei. Perdoei a todos que junto com ele me humilhou, me pregou e me expôs na cruz.
             Carreguei durante um árduo caminho uma cruz imensa e pesada de pecados que não eram meus e, mesmo sendo Deus, tive ajuda em uma parte do caminho. Morri nesta cruz por cada pecado que tens cometido em atos, pensamentos, palavras e omissões. Venho morrido por isso há milênios. Minha aliança contigo é com este sangue que derramei para lavares sua alma, mas você insiste em se tornar impuro.
          Tu és meu irmão, então eu te amo e te respeito. Mas ainda quero que caminhes comigo e siga o meu Pai, o nosso Pai. Estou aqui no seu coração, batendo à sua porta, pedindo para cuidar de suas feridas com as minhas chagas de meu amor. Atenda esta porta, não caia e perca tudo o que eu te dei. És tão especial para mim que ainda vivo por ti e morro por ti. Siga-me! Cuidarei de você até o fim dos tempos.”

Ana Luiza Pereira

Coroa de flores


Desço sobre ti
coroas de flores...
Pois Outro já vieste aqui
e fora coroado de espinhos e angústias.

Brotarei o seu sorriso
e suas alegrias...
Pois Outro já viera e arrancara lágrimas
nos açoites de sua carne pelo mau julgamento humano.

Revisto-te
com mantos suaves com cheiro de orvalho...
Pois Outro já teve seu algoz
e suas vestes rasgadas foram repartida entre impios infiéis.

Estendo-lhe
a mão amiga...
Pois Outro teve dor
e pregos em suas mãos.

Dou-te vinho para beber,
enquanto Outro bebera o vinagre dos soldados.
Mas não te chamarei de rei ou rainha,
pois não és tão soberano(a) quanto Aquele que se deu em sacrifício por todos nós.

Ana Luiza Pereira

Onde está Deus?


Tenho procurado muito a Deus ultimamente. Mas as respostas de “Onde posso encontrar o Senhor?” que as pessoas dão; são sempre as mesmas: na Igreja, na comunhão, na bíblia, no próximo (embora nós mesmos, como seres humanos, estamos desacreditados do próximo)...
Então, me ponho a pensar: onde erramos? A verdade é que nossa cabeça se limitou demais as tradições sociais quando o assunto é Deus. Deus está em todo lugar! Ele é onisciente, onipotente e onipresente. Ele sabe, Ele vê e provê por nós.
Contudo, agradecemos a Ele quando estamos chorando ou algo de ruim acontece em nossa vida? Resposta: Não. Não sabemos confiar por completo nesse Deus-Trino de bondade e misericórdia e, quando algo assim acontece, só sabemos perguntar: “Elói, Elói, lammá sabactáni?” (“Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?”). A verdade, caros irmãos, é que por muitas vezes esquecemos que Deus está sempre conosco e, em nossos momentos de aflição, é Ele que nos carrega em seus braços.
Portanto, lembrai-vos: não é só nas alegrias que Deus se faz presente. É Ele que castiga os ímpios desse mundo, desconcerta os soberbos, derruba os poderosos, exalta os humildes, sacia os famintos, despede os ricos sem nada... Ele está em TUDO, pois Ele é TUDO.

Ana Luiza Pereira

Minha nova decisão

Engraçado como o balançar de uma rede pode clarear suas ideias. Até ontem, eu estava completamente perdida; qual caminho seguir? Estava só caindo e, por um minuto, pensei em esperar chegar o fundo do poço, meu velho amigo.

Porém, a luz do fim do túnel veio com o sopro do vento de uma decisão para minha nova vida; está na hora de mudar. Está na hora de mostrar ao mundo meu valor, o que sou capaz e os meus pensamentos. Está na hora de crescer, mudar, falar e aparecer. O silêncio é amigo, mas cansei de deixar as coisas como estão.

O tic tac do meu relógio de pulso marcam o tempo que fiquei olhando pro chão; foi tempo demais! Se eu olhar o meu reflexo ao espelho verei que o tempo mudou meu corpo, mas não mudava meu pensamento. Minha sensatez não me deixava fazer certas coisas por medo da decepção, mas minha loucura sempre foi de não aceitar minha idade e o meu silêncio.

Já decidi. Vou olhar pra frente, encarar meus inimigos, meus amigos, minha família e falar quando incomodada. Vou aceitar minhas futuras responsabilidades, minhas antigas também e vou calar a boca de TODOS que falavam de mim. Decidi. E, quando abrir os olhos e por meus pés no chão, esse sonho será minha realidade.

Ana Luiza Pereira

Pensamentos noturnos

Uma rede, uma música, um pensamento.
Sonho acordada
como uma garota apaixonada
vindo a imagem de você diante dos olhos

Seu semblante sorrindo...
Saudade!
Queria falar, sorrir e brincar...
Cadê você senão nos meus sonhos?

Quero afagar sua cabeça,
beijar sua testa
e zelar pelo teu sono.
Queria tua presença...

Não vens a mim em cavalo branco,
carro esportivo ou com porte atlético.
Vens a cada mensagem que vibra meu celular
e alegra meu coração.

Pareço criança brincando contigo a essa distância,
tristeza desconheço,
mas reconheço a preocupação do dia sem um "oi"...

Neste ágape de pensamentos seus, 
meu celular vibra de novo com você me dizendo boa noite...
Sorrio e logo vou dormir...
Logo após pedir a Deus que zele por mim o sono de quem gosto.

Ana Luiza  Pereira

Ondas


Sentada diante do mar,
as ondas massageiam meus pés
e levam consigo pegadas e lembranças
do que já é passado;

Lembro-me dos verbos simples,
Dos sorrisos sem jeito,
Do respirar ar puro,
Da alegria plena.

Mas tudo isso a onda já levou.
O pôr-do-sol encerra o dia de memórias do hoje
E o mar me leva para casa,
onde as ondas batem e só o agora interessa.

Ana Luiza Pereira

Diálogo com Deus

Como dialogar com Aquele que não vemos? Deus é onisciente, onipotente e onipresente; Ele sabe o que você pensa, estava lá quando você caiu e fez com que as coisas dessem certo no final para você.

Uma coisa que todo o cristão sabe, talvez por intuição; é que orando você fala com Deus. Então pense; Deus-Trino (Pai, Filho e Espírito Santo) é o nosso amigo como nos dirigir a Ele em nossas orações? Muitas pessoas cismam em sempre colocar um "Senhor" ou "Deus-Pai" na frente por costume de tal formalidade, mas não é necessário. Deus é o nosso melhor dos (melhores) amigos, tal qual Ele se faz presente no nosso irmão. Portanto, não é necessário hora, data e formalidade para se falar com Ele, apenas fale, busque-O e se aproxime cada vez mais d'Ele que o resto Ele proverá.

Ana Luiza Pereira

Falta

Vou te confessar;
Sinto falta.
Falta da presença,
do falar...

Sinto falta dos olhares,
sorrisos
e do tocar...

Sinto falta das palavras...
Não penso em abandono,
porque ainda estás comigo.
Mas sinto muito sua falta...

Ana Luiza Pereira

Opinião sobre conhecimento e amor

Eis a minha opinião: Amor e conhecimento tem que andar juntos, sempre vinculados um ao outro, pois com eles há o equilíbrio. Você não pode julgar qual é o mais importante já que os dois são presentes de Deus. Se um amigo te dá um cordão de miçangas e seu colega te dá um livro caro, você irá descriminar os presentes por nível de valor, ou por nível de afinidade com a pessoa que te deu ou não dará importância pra nenhum desses fatores? Um homem de Deus tem o conhecimento como fruto do Espírito Santo que Deus nos dá e o amor como uma lei, um mandamento. Se você não soubesse que amor é lei, como entrará no Reino dos Céus? Se você não soubesse dos outros mandamentos de Deus e ensinamentos de Cristo, como poderás dizer que és bem-aventurado? Um homem ignorante não sabe o que é amar, pois tem sua visão deturbada pelo mundo; tal pessoa não segue os preceitos de Deus pois não tem conhecimento e, até mesmo, fé que Ele existe. Um homem de Deus que tem sabedoria e ciência, como frutos do Espírito Santo, e do amor como lei é bem mais feliz que o homem ignorante, pois tem confiança n'Ele e sabe que Ele proverá boas coisas na história de sua vida.

Ana Luiza Pereira

Carta de um condenado

"Amor, meu grande amor,

Cá estou eu conversando com os meus botões e lembrando de você. Eles, arrebentados por um ato de selvageria, reclamam. Eu, paciente ouvinte, apenas sorrio com a lembrança dos bons tempos passando diante dos meus olhos. 

Tempos de outrora que a vida era fácil e a casa era um refúgio e fortaleza. Mas tudo se foi... Foram-se as velas, o luxo, o dinheiro e a minha vida. Só me restou esta roupa listrada que as traças hão de comer assim que puxarem o gatilho. 

Diante desse muro manchado com meu sangue e de outros mil, descubro que a vida é simples, embora em toda sua efemeridade eu busquei coisas que não convinham com a real felicidade. 

Despem-me de novo e puxem o gatilho! Não aguentarei ver a anistia dos ditadores desses campos. Quero ser feliz e reencontrar você em outros campos mais verdes. Quero ter outra vida sem ser esta que me condena a sofrer pelo o que acredito. 

Digo adeus, para o corpo. Minha alma já está além dessas grades e desses campos recheados de prisioneiros listrados e magricelos. Minha alma está em você... 

Até."

Ana Luiza Pereira

Inocência na janela

Conversando sobre o passado, lembrei-me de coisas banais. Lembrei-me de quando era criança e de toda a minha inocência. Lembrei-me de quando eu me prostrava diante das janelas e observava as pessoas e suas feições. Irritadas, confusas, infelizes. Todas elas com suas sacolas, pastas e emoções, todas cansadas e com as vidas desorganizadas.

Lembro-me que minha meta de vida, quando criança, era ajudar essas pessoas. Ficava na janela esperando que elas olhassem para mim para que, então, eu pudesse sorrir para elas e amenizar suas dores. Era impressionante. Suas feições melhoravam e, por um momento, a criança que fui e que estava na janela, lhes dera a esperança necessária para seguir em frente. Quando não melhoravam, elas ficavam confusas do porquê que eu fazia aquilo, já que há muito tempo se esqueceram que no mundo ainda há inocência nos pequeninos.

Comecei então, a fazer isso a todo momento. Cumprimentei pessoas e espalhei sorrisos, doçura e a minha inocência. Observei vários comportamentos, comportamento demais para serem descritos nessas linhas de caderno. Mas eu não lembro o que houve com essa menina... Hoje ela é apenas uma boa lembrança. Só sei que hoje sou a pessoa que procura em cada janela a inocência da criança que procura cumprimentar desconhecidos para amenizar suas dores. Tempo, o que você fez comigo?

Ana Luiza Pereira

Família Cristã

Não é surpresa a ninguém quando ouvimos dizer que família é o suporte principal de qualquer pessoa. Infelizmente, vivemos numa época onde a desestrutura familiar se torna mais frequente, então, fico a me perguntar: por quê?

Brigas e desavenças toda família tem, mas o que ergue uma família é o amor. Se uma família está desestruturada, é porque há falta de amor. Onde podemos encontrar o amor? Em Deus.

Deus por si só é um exemplo de família que ama: Pai criador, Filho redentor, Espírito santificador. Tendo Ele como base familiar, teremos então, além do primeiro contato com um grupo social, o contato com a primeira igreja, a pedra angular de Cristo.

Cristo veio para nos ensinar o amor imensurável e incondicional, teve medo, foi humano, mas sua face santa nos ensinou que a fé, esperança e a caridade são os maiores pilares que o cristão pode ter. Isso tem que ser passado pela família, combatendo os anabatistas, que acreditam que seus filhos poderão andar com suas próprias pernas e escolher sua própria religião, mas não irão... Eles não sabem quem é Deus.

Entendam que a família é bem mais que status, é amor. É estar junto de quem você ama e de quem ama você, independente de sangue. São os nossos primeiros intercessores que hão nos amar e nos ensinar independente de nossas falhas. E como Jesus quis relatar na parábola do "Filho Pródigo"; recupere sua honra e sejais humildes, pois sua família sempre estará de braços abertos para te acolher.

Ana Luiza Pereira



Intercedei por nós que recorremos a vós!

A base de qualquer pensamento humano para buscar qualquer religião é, não só a busca das respostas às perguntas filosóficas, mas o conforto. Qualquer denominação religiosa tenta dar o conforto necessário aos seus praticantes, prendendo assim, eles àquela religião.

Deixo bem claro a quem se aproxima de mim que sigo sim a religião católica, embora conteste algumas regras de sua doutrina, e também gosto de aprender sobre outras mais. Contudo, não gosto quando ouço sobre nossa "adoração" a santos ou pessoas religiosas. Adorar é somente a Deus, tenha a certeza que a pessoa (católica) que disse isso não sabe o seu significado ou usa como forma de eufemismo. Todavia, nós católicos temos devoção aos santos, pois acreditamos que eles são nossos intercessores junto ao Pai, Filho e Espírito Santo como Trindade.

Quando pedimos algo aos santos, pedimos como forma de ajuda. Ao agradecermos, agradecemos pela intercessão concedida deles junto a Deus e agradecemos a Deus pela graça. Portanto, outras pessoas podem não entender tal pensamento católico por não saberem de tais fatos apresentados.

Porém, intercessão não é somente dadas pelas mãos dos santos, mas também pelas mãos dos amigos (sejam eles de qualquer denominação religiosa). Todos aqueles que rezam por ti como intenção junto a Deus, são também considerados nossos intercessores, por mais que não saibamos. Porque, como dizia São Paulo em sua carta aos Colossenses; "Suportai-vos uns aos outros e perdoai-vos mutuamente." (Cl 3, 13). E não. Muita gente erra ao ler esse trecho e pensar que suportar é na denotação de "aguentar, tolerar", mas, na verdade, é na denotação de "dar suporte", ser amigo apesar das diferenças e interceder por esta pessoa (por mais que você tenha desavenças) junto a Deus, para que Ele ilumine seus caminhos.

Portanto, caros amigos e irmãos, intercedei por aqueles recorrer a vós e por aqueles que também não recorreram. Somos convidados a ser Santos e sermos amigos, irmãos e intercessores do próximo e isso só nos aproxima mais de Deus Pai.

Ana Luiza Pereira

A parte que me dói


Digo tais palavras necessárias para um bom entendimento da situação, mas diante dos meu olhos, vejo olhos tristes. A voz fanha de quem quero muito bem vai me dilacerando o coração.

O pranto começa da minha parte arrependida e pecadora... Será que errei de novo ao ouvir meu coração e não seus conselhos? Mas já dei o primeiro passo... Já a vi naquele estado deplorável por outros e nunca desejei que ela ficasse assim por mim.

Ela chora perante quem prometeu não faze-la chorar. Será que já posso morrer? Ver tal cena me mata, pois sei a razão... Tudo por uma escolha...

Eu sei que ela quer minha felicidade, meu bem e tudo mais... Mas, chega uma hora que seguir seu coração é a melhor escolha para quem deseja se arriscar para ser feliz...

Mãe, quero que entenda que não foi por pirraça, mas porque tem certas coisas que só quebrando a cara que se aprende... Eu te amo, mãe! Mil desculpas...

Ana Luiza Pereira

Feliz dia do coração!

Feliz dia do coração de criança,
do coração inocente,
do coração cheio de esperança,
do coração puro,
do coração que imagina,
do coração que eu tinha...

Feliz dia das crianças!
Para aqueles que são
e para os que foram,
os que revém em seu coração
a pequenez e a pureza que tiveram.

Por que criança não é aquela que tem idade,
mas as que tem coração...
Portanto, feliz dia do coração!

Ana Luiza Pereira

Antologia poética

Refletir sobre a escrita
é bem mais que refletir sobre significados,
palavras
ou caligrafia...

Refletir sobre a escrita é refletir sobre si.
Como era...
Como é...
E imaginar como será.

Com o passar dos tempos agreguei a mim experiências.
Digo que sou todos, com e sem marca registrada.
Sou Vinícius nas poesias de amor,
Drummond nas poesias reflexivas,
Clarice nas prosas que me busco,
Machado em suas críticas,
Gullar em seus contos...

Sou uma antologia dos poetas que li,
dos prosistas que reli,
dos compositores que amei...

Reflito sobre mim e o que aprendo no que leio e faço.
Reflito sobre tudo nos livros e apenas os reproduzo.
Sou cópias originais de pensamentos autônomos sobre o mundo.
Reutilizo palavras gastas, dando a elas vida nova e significado
em textos comuns sobre pensamentos do que aprendo,
do que leio,
do que faço.

Sou um livro de poemas escritos
lidos
e relidos
de poetas
cuja morte não apagou seus nomes da história
e cujas histórias e aprendizagens estão gravadas em meu coração.

Ana Luiza Pereira

Canção dos olhares

Vi olhos, tais olhos...
Olhos que vi vibrantes,
olhos inertes,
olhos secando horizontes.

Olhos de cor doce,
cor que dá fome,
cor que te come
nas piscadelas antes - dorme.

Olhos que o tempo mudara,
olhos irreconhecíveis,
olhos visíveis,
olhos notáveis...

Tais olhos que te quero meu!
Tais olhos quero que guias sejam.
Olhos que não pereçam,
olhos que mereçam...

Tais olhos imortalize, pois, em mim
para termos um fim
nesta canção de amor arredia.
E com o amanhã virá o dia
que terei os olhos perfumados de jasmim...

Ana Luiza Pereira

Descrença no homem

Descreio do homem quando o vejo decepcionar quem o ama. Descreio do homem por causa de seus atos egoístas e mesquinhos. Descreio fielmente do homem que habito e que habita nesta terra cálida. Mas creio em Deus e em algo superior a mim. Contudo, entro em conflito quando a regra é amar ao próximo quanto a mim mesma. Não amo a mim, porém amo ao próximo até mais, embora nem sempre confie no mesmo. Descreio do homem para não me decepcionar, apenas me surpreender. Cativo-me por ele, como a Raposa do Pequeno Príncipe, e por suas variáveis mentalidades. Mas descreio quando me tratas como a única rosa de seu asteroide... A vida me mostrou que eles descobrirão que sou apenas mais uma rosa dentre muitas na face da Terra. Então me decepciono e, para isso não acontecer novamente, descreio. Descreio dos atos, palavras e de alguns sentimentos humanos. Mas não descreio de d'Aquele que o fez, pois sabia o que estava fazendo.


Ana Luiza Pereira

Xadrez


Às vezes penso que sou um mero peão de jogo de xadrez. Facilmente descartável no jogo de xadrez da política. Vou à frente nas guerrilhas e motins, mas sempre sou silenciado por policiais (cavalos), membros religiosos (bispos) ou militares (torres). Quando um peão consegue vencer, se depara então com a rainha nos tribunais (pessoas influentes). É... Só depois de muita luta é que os peões conseguem derrubar os reis do governo. Cadê os peões que ainda não foram silenciados nesse jogo?

Ana Luiza Pereira

Menina na janela


Tão dócil! A menina da janela está mais uma vez a observar... Parece que nada acontece com ela, pois todos os dias ela se posicionava diante da sua janela com olhos atentos e observava a quem passava. Sabia um pouco de cada pessoa de tanto observar, mas ninguém sabia nada sobre ela. Menina da janela, menina da janela... Quem ela era? A verdade, a verdade vos digo: ela era apenas uma figura efêmera que ninguém se importou. Mas um dia ela há de sair da sua janela e seu exílio e um outro alguém na janela vai começar admirá-la como ela admirava as pessoas.

Ana Luiza Pereira

Comunhão

Toda vez que ouço a palavra "comunidade", me lembro da ideologia de Marx e Engels de uma sociedade comunista, onde tudo é partilhado igualmente. É uma sociedade utópica, já que o ego do ser humano, uma hora, vai superar seus preceitos e conceitos de igualdade social.

Uma união numa comunidade é feita por ideologia, local, regras, patrimônio socio-cultural iguais em algum lugar (segundo a sociologia). Porém, nada disso é capaz se não houver respeito. Uma visão igualitária não é só a partilha de bens, mas também partilha e respeito de ideologias e conceitos diferentes.

Contudo, o ego humano é tão grandioso e se torna tão magnânimo em certo momentos que nos falta humildade de assumir que não somos capazes de tudo sozinhos, que necessitamos do próximo como ele é. Isso acontece em todas a comunidades, inclusive a cristã, fazendo com que o sonho do comum e da unidade seja uma utopia realizada as avessas, pois somos humanos e temos o direito (do livre arbítrio) de errar para conseguir acertar, progredir e fazer crescer algo que nos convém.

Ana Luiza Pereira

Quando algo sufoca...


                Sinto-me cansada. Hoje, só ouvi reclamação dos meus pais e, ultimamente, por mais que coisas boas também tenham acontecido, as más têm se sobressaído...
                É tanto problema que o superprotecionismo só tem me afetado. Ontem, admito que chorei e hoje estou chorando mais ainda...
                Não é porque eu sou (bastante) preguiçosa que ainda posso ser considerada criança. Não é porque eu não anuncio minhas decisões que ainda posso ser chamada de criança. Não é porque, às vezes, insisto em algo (até brigo por causa dele) que sou ainda uma criança. Sim, tenho corpo de mulher, mas minha mentalidade ainda é de adolescente. Eu fico presa em casa, saio sempre com as mesmas pessoas, é por isso que meus gostos são “anormais”. Como terei experiência de vida se mal me deixam voar para fora do ninho?
                Sinto uma vontade desesperadora de fugir desse ninho e dessa superproteção. Pode ser para o meu bem, mas me sufocar não é mais uma opção. Cada um tem seu jeito e seu tempo para crescer e amadurecer, andar pelas minhas pernas bambas é o meu, mas como faço se autorização não tenho?
                Estou cansada de estar presa nessa redoma, de ser uma boneca de porcelana e não fazer nada. “Deixe o passarinho avoar que uma hora ele volta para casa...”

Ana Luiza Pereira

Era uma vez amizades...


Era uma vez
em que a tela do computador 
não separava amizades sinceras

Em que os risos e gargalhadas
davam cor 
e alegria aos que participavam

Era uma vez
em que confiança era algo simples,
bonito e compartilhável

E, contar com aquele amigo
que mora longe, 
era algo reconfortante

Era uma vez
em que encontros 
nas redes sociais eram rituais

E que, muitas vezes,
não falar "oi" as pessoas que você gostava 
lhe fazia perder o sono

Era uma vez
um quarteto inseparável
que foi separado com o tempo
e que agora só resta amor e saudade...

Ana Luiza Pereira
Dedico a Júlia Santos, Edmilson Jerônimo e Kérisson Wemerson.

Aqueles olhos

Um dia ao andar na rua, sentei-me para descansar. Estava um sol escaldante do meio-dia e resolvi pegar um ônibus para encurtar o longo caminho para o meu destino. Espertamente, pus os fones de ouvido e comecei a ouvir música.

O meu ônibus passa, eu entro e, por um milagre, sento no último lugar vazio atrás. Mas logo o ônibus enche, o empurra-empurra começa e o falatório também. Deus abençoe os fones de ouvido!

Começo a ler um bom livro... E num mera reflexão, após ler sobre a aparência e o jeito de uma das personagens, ela se prostrou a minha frente em pé. Ela era igual a personagem descrita no livro... Olhos cor de ébano, cabelo longo e um pouco repicado cor de madeira molhada, perfumada em rosas e pele doce num tom de seda. Era perfeita como a personagem. Seus olhos sérios fitavam ao longe da paisagem da janela e eu a fitá-la descaradamente...

Vez em quando, ela olhava a mim e eu voltava meus olhos ao livro, fingindo voltar a ler enquanto minhas bochechas queimavam por baixo da minha pele. Por um instante, tentei ver a nacionalidade do autor, para ver se ele havia se inspirado naquela garota de colegial perfeita de olhos penetrantes, mas não. Ele não era do meu país e nem havia, porventura, visitado. Era uma mera coincidência vê-la no ônibus em pleno dia de sol rachante enquanto lia tal livro que a descrevia.

Mas meus olhos a ela pertenciam e seus olhos pensantes penetravam a quem via, por mais que ela não nos olhasse diretamente. Meu devaneio foi cortando quando, por seu descuido, seu celular cai perto do meu pé. Eu pego e a entrego. Ela me agradece sorrindo, um sorriso lindo, branco e puro enquanto eu fiquei sem graça.

Porém, tudo o que é bom acaba. Ela desce e logo eu também. Mas aqueles olhos... Aqueles olhos penetraram em minha mente e eu nunca mais esqueci da personagem do livro que li.

Ana Luiza Pereira

Tipos de amigos

Digo que você pode usar seus amigos para três coisas: serem degraus, apoios ou pilares. Nos degraus pisamos para subir e tentar conseguir algo, nos apoios descansamos as pernas por estarmos demasiados cansados e nos pilares construímos algo tão forte e tão sustentável capaz de durar uma vida inteira. Já fui degrau, sou apoio e um pouco de pilar para algumas pessoas. Ser degrau é doído, ser apoio é cansativo, mas ser pilar... Por mais que você possa se estressar, no final é maravilhoso. Então, usa-me para o que achares melhor, só desejo boa sorte para conseguires o que realmente desejas no final.

Ana Luiza Pereira

Apenas alguns "querer"

Quero te proteger e proteger a criança que há em você
Quero te abraçar e abraçar a esperança de te fazer sorrir
Quero te acariciar e manter essa amizade sem palavras
Quero te afagar e por em você a alegria da amizade
Quero te manter e não esquecer da pessoa especial que és para mim...

Ana Luiza Pereira

Falhas de uma escritora saudosita


Acho que tudo na vida começa com erros. Tudo começa com as quedas e a nossa melancolia antes de se reerguer e continuar. Porém, eu acho que não motivação mais significativa a um homem (quando digo homem, eu me refiro as pessoas de qualquer idade física e/ou mental) do que a procura da superação de si próprio.

Com essa procura, erramos mais e mais olhando para os lados e desejando coisas, nas quais, nem sempre valem a pena. Tudo o que precisamos está do nosso lado e nem sempre sabemos aproveitar. Nisso, acabamos por perder momentos especiais, coisas maravilhosas e pessoas valiosas. Após isso, as palavras "e se" um dia irá tormentar a gente num momento de reflexão. A verdade é que eu acho um crime deixar uma pessoa passar em sua vida sem que você ria com ela ou peça perdão pelos erros que cometeu que possa tê-la atingido.

Começo a dizer que sou uma "escritora saudosista", pois escrevo sobre aquilo que sinto falta, que sinto ou senti, que eu vi matar ou fiz morrer em mim mesma e isso me faz um pouco pessimista, mas não o suficiente para desistir. E, por mais que eu tente viver com o Carpe Diem, sinto falta de pessoas que passaram por mim e que no final não pude pedir perdão pelos meus erros.

Alguns podem me achar uma boa pessoa, boa amiga, boa filha, mas pouca gente conhece minhas reais dores, minhas quedas e falhas. Outros podem me achar egoísta por só falar "eu", mas eu a verdade é que quero superar expectativas, superar quem veio antes de mim no passado, superar a mim mesma para deixar alguma marca de mim para o futuro.

Afinal, esta sou eu; aquela menina que chora por sentir falta de alguém que não pode estar mais no seu lado.

Ana Luiza Pereira

Os que se negam


No mundo há vários tipos de pessoas; as sonhadoras, as batalhadoras, as que sempre tiveram tudo o que quiseram, os estudiosos, os que nasceram inteligentes, os que tem um dom para mudar o mundo, os que lutam para mudar o mundo porque esse é o seu propósito, os que acreditam fielmente em Deus, os que não acreditam, etc. Porém, todos nós temos um pouco de negação em nós. Pode ser por ignorância ou por puro comodismo, mas chegamos a negar coisas importantes ao nosso futuro.

Tem os que se negam a olhar, não veem a miséria, a ganância dos homens e as mentiras sendo desmascaradas diante de nossos olhos. Gostam de ver o que é bonito, o que o progresso traz a nós enquanto ainda é novo, bonito e bom, mas sempre gostam de dizer: "No meu tempo, isso daqui não era assim..."

Tem os que se negam a ouvir, ouvir os problemas reais do mundo e do local onde vive. Gosta de se iludir com promessas falsas de pessoas falsas, diz a si mesmo que amanhã tudo vai ficar melhor, mas sabe que não é bem assim.

E tem o pior de todos, os que se negam a falar. Esses sabem dos problemas do mundo, mas não falam porque não se acham capazes de mudar algo. Então, essas pessoas se sentam no sofá e ficam a assistir jornais (quando assistem) esperando que as ONGs mudem o mundo por si mesmas. "Sou apenas uma simples formiga, serei silenciada pelas mãos do governo facilmente."

A quem devemos ser fiéis? Ao governo ou aos nossos propósitos do mundo melhor? Se quiseres ser fiel ao governo, então continue sendo o macaco que não vê, não ouve e não enxerga. Contudo, se quiseres mudar algo, como diria Bob Marley, mude a si mesmo: tire os tampões do olhos, as ceras do ouvido e descosture sua boca. Veja, ouça, fale e faça! Ninguém fará por você se não tentares fazer por si mesmo. E, então, vai continuar a se negar a lutar?

Ana Luiza Pereira

Canção de Romeu

Na janela o sol brilha,
O sorriso numa linha fina
Estampado no rosto da menina
Vestida de seda,
Perfumada em jasmim,
Com coroas de alecrim.
Corria no jardim
Do palácio aprisionada.
Inocente, vinha
À janela, próxima à minha,
Para dizer o que afligia,
E que seu coração a mim pertencia.
O vento já beijara
Os lábios que, por fim, desejava.
Julieta, seu nome gravado,
Na árvore estancado,
No meu coração guardado
Dentre paixões e desejos,
Beijos escondidos e suplicados,
Suplico-te: não morra.
Minha vida sem cor ou aurora,
Sem ti em outrora,
Me mata em facadas,
Sangra meu coração ferido,
Machuca-me mais que palavras
De ter perdido um ente querido.
Não vá em outrora,
Se este, enfim, não for o seu desejo,
Porque eu não vejo a hora,
De ter seu corpo nesse meu ensejo,
Dizer que és minha e eu seu,
Para sempre, serei, então, seu Romeu.

Ana Luiza Pereira
Inspirado em Romeu e Julieta de William Shakespeare.

Abençoados

Todos de uma maneira geral nascemos com um dom diferente. Alguns passam a sua vida inteira tentando descobrir no que é melhor, outros desenvolvem naturalmente. A verdade é que fomos igualmente abençoados, mas desenvolvemos nosso espírito para coisas diferentes ao decorrer de nossas vidas.

A vida, de uma visão generalizada, toma-se rumos desconhecidos e, portanto, diferentes se compararmos com a vida do nosso próximo. Por isso, nos são dados dons diferentes, para que possamos conduzir nossa vida e até tocar os outros com ele, servindo até como ferramenta de evangelização.

Tenho meu dom, e este é estar aqui e escrever sobre coisas que sei, acho e penso, até sobre as coisas que imagino. Vivo para tocar com palavras e sou muito grata por ter esse dom comigo. E você, já descobriu qual é o seu dom?

Ana Luiza Pereira

Meia hora de entretenimento

Finalmente chegou a época de eleições. Época dos comícios nas praças, jingles altos em horários infortúnios, papéis, placas em casas e outdoors poluindo nossa cidade e confundido nosso cérebro ao dirigir  e, o melhor de tudo, o horário eleitoral gratuito em nossa televisão aberta brasileira no horário da cesta de uns e do jornal de outros.

Sinceramente, o horário eleitoral é o horário do circo. Tem cada jingle idiota ou até mesmo pessoas sem instruções de política que tentam se eleger prometendo mil e uma coisa, mas, no final, não fazem nada só se tentam a releição para continuar no status que estão (quando não viram corruptos...). E eles fazem de tudo para chamar nossa atenção em poucos segundos, se fazendo de bobos, quase se vestem de palhaços para nós acabarmos sendo os palhaços nos quatro anos de mandato.

A verdade é que o número de votos brancos e nulos está aumentando por uma única razão: o brasileiro não vê interesse na política dos políticos. Muitos dos brasileiros estão desmotivados com o andar do país que, por mais que saiba que o voto seja para mudar esse futuro, não confia mais em ninguém para assumir as rédias desta situação de calamidades públicas. O fato é que o brasileiro só luta por aquilo que convém quando convém; só luta quando está em estado de alerta, para aí ele levanta a voz e ser ouvido, fora isso, ele se acomoda no sofá.

Mais do que instrução em nossas escolas e universidades, necessitamos é de uma motivação além das lenga-lengas de promessas eleitorais para melhorar esta situação. A verdade é que realmente precisamos de alguém que se interesse por essa política e faça pela gente o que nós não temos coragem e/ou motivação de fazermos por nós mesmos. Enquanto isso, sentemo-nos em nossos sofás para rir dos palhaços que chamam nossas atenções nessa meia hora de entretenimento televisivo, afinal, como dizia uma música do Engenheiros do Hawaii nos anos 80: "Eu presto atenção no que eles dizem, mas eles não dizem nada".

Ana Luiza Pereira

Madness (Escrito por Antonio Machado Neto)


Minha dor de cabeça se foi
e com ela
minha lucidez
Minha criatividade era dependente de minha loucura. 
Minha loucura se foi há muito... 
Dentro de mim reside apenas um ser inanimado, 
carente por momentos de adrenalina, 
sedento por vida...
Não há nada que me motive... 
Sou fruto de um passado melancólico e pertenço a um futuro decadente... 
Simplesmente sou inerte a quaisquer que sejam as pessoas que me cercam... 
pois elas nada significam a mim...

"Não necessito de sua piedade... De ti quero somente nada, sou sozinho por escolha e escolhi ficar longe de ti.."

Antonio Machado Neto

Conhecendo Jesus

Toda a vez que perguntam "Quem é Jesus Cristo?", as pessoas automaticamente respondem: "Aquele que deu a sua vida por nós no alto da cruz, o nosso Salvador.". Não estão erradas, porque nós, como cristãos, somos ensinados a sempre ver e reconhecer o lado divino do Cristo, afinal, é dogma. Porém, eu, como pensante, reconheço acima do divino o lado humano de Cristo; o lado que ficou quarenta dias no deserto resistindo às tentações do diabo, O Filho do Homem que se fez humano e soube fazer as escolhas certas, com a ajuda de Deus Pai, e entregar a sua vida a Ele em redenção por nós. Vaticano que me perdoe, mas, para mim Jesus é homem antes de ser Deus Trino.

Quando queremos conhecê-lo, a forma mais clássica é orando, pedindo proteção a Deus e rezando suas orações. Não é assim desde criança? Na catequese, aprendemos que outra forma de conhecer a Cristo é ler a bíblia, pois lá estão seus feitos, sua vida, sua história, seus ensinamentos e seu amor. Mas, e quando nada disso faz com que sintamos que conhecemos esse amigo verdadeiro que é Jesus Cristo? O que devemos fazer? Ir à missa. Uma igreja é um santuário; entrando nela, você entra na casa daquele que é Santo e que quer nos redimir. Não é necessário se ajoelhar perante o sacrário, cantar, participar da missa de alguma forma, apenas pedir perdão e comungar. Pedindo perdão, você  abre seu coração e tem de novo a chance de ser santo(a) como Cristo e, quando comungar, você se torna lar do mesmo e não é mais necessário ajoelhar no sacrário, pois você já é o sacrário de Deus, só basta anunciar o mesmo Cristo que vive em você (e que você nem sempre percebe) à todas as nações da terra.

Ana Luiza Pereira

Canção dos homens (Escrito por Lya Luft)

Que quando chego do trabalho ela largue por um instante o que estiver fazendo - filho, panela ou computador - e venha me dar um beijo como os de antigamente.

Que quando nos sentarmos à mesa para jantar, ela não desfie a ladainha dos seus dissabores domésticos. E se for uma profissional, que divida comigo o tempo de comentarmos nosso dia.

Que se estou cansado demais para fazer amor, ela não ironize nem diga que "até que durou muito" o meu desejo ou potência.

Que quando quero fazer amor ela não se recuse demasiadas vezes, nem fique impaciente ou rígida, mas cálida como foi anos atrás.

Que não tire nosso bebê dos meus braços dizendo que homem não tem jeito pra isso, ou que não sei segurar a cabecinha dele, mas me ensine docemente se eu não souber.

Que ela nunca se interponha entre mim e as crianças, mas sirva de ponte entre nós quando me distancio ou me distraio demais.

Que ela não me humilhe porque estou ficando calvo ou barrigudo, nem comente nossas intimidades com as amigas, como tantas mulheres fazem.

Que quando conto uma piada para ela ou na frente de outros, ela não faça um gesto de enfado dizendo "Essa você já me contou umas mil vezes".

Que ela consiga perceber quando estou preocupado com trabalho, e seja calmamente carinhosa, sem me pressionar para relatar tudo, nem suspeitar de que já não gosto dela.

Que quando preciso ficar um pouco quieto ela não insista o tempo todo para que eu fale ou a escute, como se silêncio fosse falta de amor.

Que quando estou com pouco dinheiro ela não me acuse de ter desperdiçado com bobagens em lugar de prover minha família.

Que quando eu saio para o trabalho de manhã ela se despeça com alegria, sabendo que mesmo de longe eu continuo pensando nela.

Que quando estou trabalhando ela não telefone a toda hora para cobrar alguma coisa que esqueci de fazer ou não tive tempo.

Que não se insinue com minha secretária ou colega para descobrir se tenho amante.

Que com ela eu também possa ter momentos de fraqueza e de ternura, me desarmar, me desnudar de alma, sem medo de ser criticado ou censurado: que ela seja minha parceira, não minha dependente nem meu juiz.

Que cuide um pouco de mim como minha mulher, mas não como se eu fosse uma criança tola e ela a mãe, a mãe onipotente, que não me transforme em filho.

Que mesmo com o tempo, os trabalhos, os sofrimentos e o peso do cotidiano, ela não perca o jeito terno e divertido que tanto me encantou quando a vi pela primeira vez.

Que eu não sinta que me tornei desinteressante ou banal para ela, como se só os filhos e as vizinhas merecessem sua atenção e alegria.

E que se erro, falho, esqueço, me distancio, me fecho demais, ou a machuco consciente ou inconscientemente, ela saiba me chamar de volta com aquela ternura que só nela eu descobri, e desejei que não se perdesse nunca, mas me contagiasse e me tornasse mais feliz, menos solitário, e muito mais humano.

Lya Luft

Em busca da tranquilidade


Já fui sonhadora o bastante e acreditei na paixão e no amor. Lembro-me da minha infância quando imaginava meus 15 anos ao lado de um namorado que seria meu príncipe encantado e viveríamos felizes para sempre.

Hoje em dia, meu pensamento mudou. Ainda acredito em amor e paixão mas de uma forma diferente... Eu aprendi as consequências desses sentimentos após o fim, e mesmo assim me iludo. Quando estou mais racional, acredito fielmente que tudo isso são um emaranhado de hormônios juntos que dilatam minhas pupilas, aceleram meu coração e que me faz cheirar a feromônios. 

Mas nem nesse estado, ou quando estou pior, eu não paro de observar e aprender sobre os sentimentos... Eles são e serão sempre um mistério, por mais avassaladora seja essa paixão ou amor. Sim, eu vivo com meu coração, embora muitas vezes eu caia pelo mesmo, mas também acho que aprendi muito com ele.

Um certo dia, um sábio amigo me disse que os deuses do olimpo sentem inveja da humanidade porque vivemos como o Carpe Diem (viver cada segundo como o último) e, esses segundos, se tornam especiais e eternos. Não temos os momentos eternos, mas a eternidade dos momentos em nossos corações, principalmente quando amamos.

Porém, quando se é jovem, principalmente hoje em dia, pensamos que tudo é amor quando nem sempre é a verdade. Desgastamos em palavras e atos, desgastamos nosso coração para uma coisa que não conhecemos ao certo. Quem dera eu ter o amor como os dos meus pais e avós...

Contudo, um dia pensei e cheguei a conclusão que amor  de nossos pais é um porto seguro de tudo; do cotidiano, do trabalho puxado, dos estudos chatos e até de si próprio. Ele te protege, guarda, zela e dá a tranquilidade que precisa; é como um anjo. E, um dia, saberemos ser como nossos pais e saber abdicar de certas coisas que queremos para não causar discórdia, brigas; para conservar a tranquilidade e a amizade que o amor nos dá.

Ana Luiza Pereira

Canção das mulheres (Escrito por Lya Luft)

Que o outro saiba quando estou com medo, e me tome nos braços sem fazer perguntas demais. 

Que o outro note quando preciso de silêncio e não vá embora batendo a porta, mas entenda que não o amarei menos porque estou quieta. 

Que o outro aceite que me preocupo com ele e não se irrite com minha solicitude, e se ela for excessiva saiba me dizer isso com delicadeza ou bom humor. 

Que o outro perceba minha fragilidade e não ria de mim, nem se aproveite disso. 

Que se eu faço uma bobagem o outro goste um pouco mais de mim, porque também preciso poder fazer tolices tantas vezes. 

Que se estou apenas cansada o outro não pense logo que estou nervosa, ou doente, ou agressiva, nem diga que reclamo demais. 

Que o outro sinta quanto me dóia idéia da perda, e ouse ficar comigo um pouco - em lugar de voltar logo à sua vida. 

Que se estou numa fase ruim o outro seja meu cúmplice, mas sem fazer alarde nem dizendo ''Olha que estou tendo muita paciência com você!''

Que quando sem querer eu digo uma coisa bem inadequada diante de mais pessoas, o outro não me exponha nem me ridicularize. 

Que se eventualmente perco a paciência, perco a graça e perco a compostura, o outro ainda assim me ache linda e me admire. 

Que o outro não me considere sempre disponível, sempre necessariamente compreensiva, mas me aceite quando não estou podendo ser nada disso. 

Que, finalmente, o outro entenda que mesmo se às vezes me esforço, não sou, nem devo ser, a mulher-maravilha, mas apenas uma pessoa: vulnerável e forte, incapaz e gloriosa, assustada e audaciosa - uma mulher.

Lya Luft