Monólogo do silêncio


            Meu silêncio é a minha fatalidade, minha morte intrínseca, minha loucura revolta, minha adorável seca de carinho, total falta de amor, e uma pitada de falta de pudor...
            Não entendes? Eu morro e renasço na ausência de palavras ditas, escritas e atuadas; suas e minhas. Elas me apunhalam e curam; são complexas, vívidas e reais. Enlouqueço, revolto-me sem suas palavras, berro em silêncio sendo esta revolta confundida nas lágrimas. É um silêncio seco, que você não entende que é pura apelação minha pelo seu amor e carinho... Nesse momento, perco o pudor chamando a atenção já que palavras são gastas, o silêncio não é entendido e os atos... nem adianta! Você nem olha, não é?
            É nesse silêncio misto que grito e... PELO O AMOR DE DEUS, ME OUÇA! Meus olhos estão esgotados, as palavras engasgadas; eu tenho que dizer! “Eu te amo!” – e o grito do silêncio sai como sussurro de palavras atropeladas e lágrimas borrando palavras escritas.
            Morri. Você não me ouve, não adianta mesmo! Logo renasço... O silêncio me mantém – por mais que você não saiba ouvi-lo.

Ana Luiza Pereira

1 comentários:

L.S.F. disse...

Fiquei estarrecido com o texto! Perfeito! Cada vez mais crescendo (o que parece impossível quem já está no topo da perfeição textual conseguir melhorar, mas você consegue!)

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