A última carta


"Amor,

            Há quanto tempo não te escrevo! Sei que estamos passando por maus bocados, mas a questão é: eu te amo e sinto sua falta.
            Antes de qualquer coisa, darei meus parabéns:
12/06 – Feliz dia dos namorados amor! Sei que já passou, mas não custa nada relembrar.
21/06 – Feliz 9 meses de namoro! Quem diria que chegaríamos aqui?
09/07 – Faz 1 ano que nos conhecemos... E me lembro como se fosse hoje.
20/07 – Feliz aniversário bebê! Eu te amo! Muitas felicidades e muitos anos de vida! (Queria tanto estar aí...)
21/07 – Feliz 10 meses! (Finalmente dois dígitos!)
            Estou me esquecendo de alguma data?
            Enfim, mando-te presentes (que você já sabe quais). Sei que são poucos para tantas datas especiais em nossas vidas, mas são de coração.
            Ah! Não quero nenhum presente de volta, nem cartas (por enquanto). Principalmente agora com a situação tensa com a minha mãe. Ela pensa que não conversamos mais, nem por e-mail. Além do mais, por mais que chegue algo teu aqui, o problema não será minha mãe ou meu pai, mas minha irmã ou o resto da família. As olhadelas que cada um faz quando ouvem “namoro virtual”... Você não tem ideia do quanto sofro! Meu irmão já vem me chamando de 171... Ele quer porque quer que seu antigo título passe para mim.
Portanto, acho melhor evitar certas coisas por um bom tempo. Assim como tenho evitado computador e sair. Sabia que minha mãe não me põe de castigo? Ela só dá uma “sugestão de castigo”, quem me pune sou eu e de acordo com a minha consciência. Como ela pesou muito com a última burrice, estou me castigando muito, embora isso nos afete um pouco. Desculpe-me.
            Há outra coisa que eu queria lhe dizer há tempos. Boa parte eu a li e vi num filme e me fez parar e pensar muito no que queremos neste relacionamento, eu espero que aconteça o mesmo com você. Porém, esta coisa é boa para nos fazer pensar quando estivermos mal e pensando no fim do nosso namoro.
É esta:
“Lembra quando dissemos que deveríamos viver juntos e sermos infelizes para podermos ser felizes?
Considerei isso um depoimento que te amo tanto e passo muito tempo dando o melhor de mim para isso, tentando fazer dar certo.
Mas, e se nós admitirmos ter uma relação desgastada e continuarmos mesmo assim? Nós aceitamos as cláusulas desse namoro, nós brigamos muito para isso! Mas não temos que viver um sem o outro e, assim, podemos passar nossas vidas juntos; infelizes, mas felizes por não termos nos separado.
Eu venho passando uma vida um pouco solitária e silenciosa e, sinceramente, sinto-me um pouco mais segura apesar de fria. Vivo com o coração um pouco “partido” pelo desgaste (pelo fato de, talvez, nunca te conhecer), mas eu não o largo por doer demais.
Todos nós queremos que as coisas continuem iguais, mas a vida é diferente! Ela nos torna diferente. Queremos aceitar viver no sofrimento porque temos medo da mudança, que as coisas sumam totalmente.
Depois que refleti sobre mim, sobre nós; o caos que vivemos, como nos adaptamos as coisas, como nós fomos machucados, abandonados e aí encontramos um jeito de nos reerguer e viver novamente, eu me senti tranquila. Talvez nossa vida não seja tão caótica, o mundo é que é. E a única armadilha de verdade é ficar ligado a ele.
A ruína é um presente, ela é a estrada para a transformação. E devemos estar preparados para as ruínas infinitas da vida.
Nós dois merecemos mais que ficar juntos por medo de sermos destruídos se não ficarmos.”
Eu não quero dizer que não te amo. Errado. Eu te amo ainda mais! Mas meu amor mudou, eu mudei! Até você mudou... Então eu, nesta singela carta, proponho: aceitas minha mudança para sermos felizes para sempre? Porque eu, por mais que me assuste com suas mudanças, aceito-as e, com o tempo, irei amá-las como amo cada seu defeito e qualidade.
Sabe; eu vi num trailer que quando o amor se desgasta, a solução é bater na porta da paixão. Estamos batendo na porta da saudade, não porque queremos, mas porque somos obrigados a isso (por enquanto). Porém, a saudade também vem funcionado...
Uma coisa é certa; se depender de mim, nós seremos namorados para sempre. Porém, como toda mulher sou insegura, eu tenho meus medos: o medo do desgaste, o medo do alguém melhor, o medo da chama da paixão não mais se acender... E, por mais que eu venha pensado nisso em algumas inevitáveis vezes, ainda não encontrei a solução disso nunca acontecer, ou do que eu farei para te reconquistar se acontecer, ou simplesmente do que eu farei se acontecer... Esse tipo de coisa não está em minhas mãos, nem nas suas. Mas eu ainda sinto medo devastador de te perder!
Por quantas vezes eu não imaginei seu abraço a me reconfortar quando estava aos prantos, escondida e encolhida debaixo do cobertor? Por quantas vezes eu não fiz do Keroppi uma imitação de você para que eu pudesse te dar um beijo de boa noite e dormir agarrada com você como nos meus sonhos? Por quantas vezes eu não vi as horas iguais e agarrava o seu pentagrama desejando que você tivesse ali do meu lado? Por quantas vezes eu não sonhei com o nosso encontro? Por quantas vezes...? Por muitas vezes! Nem eu sei quantas!
Amor, eu não sei como, mas você em pouco tempo se tornou mais que um amigo ou um namorado, se tornou meu melhor amigo, meu confidente, minha droga. E eu desenvolvi uma incrível necessidade de te ver bem e feliz, de te ouvir e falar das coisas mais corriqueiras da minha vida apenas por falar. Desenvolvi a necessidade de divergir em alguns gostos e atos e passar a gostar de algumas músicas que você ouve só para depois eu associá-las a você quando morta de saudades.
E uma coisa é fato: eu me remoo quando não posso falar com você. Viro e reviro na cama pensando se está bem, como foi seu dia, se está se cuidando, se tirou nota boa, ou qualquer outra coisa que é relacionada a você. Eu estou com uma necessidade imensa de cuidar de você... Mas de que adianta? Mais de trezentos quilômetros nos separam. Penso que quando nos casarmos (se casarmos), eu poderei cuidar o quanto quiser de você. Mas isso não me acalma, nem me faz retomar meu sono.
Fico ansiosa em falar com você e preocupada por não ter muitas notícias. E, quando finalmente ouço o seu “eu te amo”, é como se eu estivesse no mais alto do pódio recebendo medalhas e medalhas de ouro para nossa pátria (comparação tosca, mas espero que você tenha entendido).
Não irei mais me prolongar... Afinal, muitas das coisas de que eu disse você já tem conhecimento. Eu só queria ser sincera com você, meu amor e meu amigo, e lhe contar (sempre) o que me aflige.
Sei que não sou tão bonita, tão inteligente, tão engraçada... Mas sempre tento ser aquele alguém que te fará feliz para sempre. Ver-te bem e feliz é o meu maior presente!
P.S.: Desculpe digitar a carta, muita coisa e sem disposição para passar para o papel.
Amo-te para sempre!

Beijos carinhosos de sua eterna namorada."

Ana Luiza Pereira

1 comentários:

Anônimo disse...

Que linda carta. Mais lindo ainda é o amor de vocês dois. Um amor virtual, que apesar de tudo, esta superando tudo e todos. Não deixe que nada se faça desistir desse amor, se vale a pena, lute. Felicidades !

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