Minha reflexão de "Se eu fosse eu"


Um dia, enquanto lia Aprendendo a viver de Clarice Lispector, encontrei um texto que refletia as mentiras internas de “Se eu fosse eu”. Achei interessante e intrigante o ponto de vista dela, até me achei naquelas palavras. Acho que quando alguém escreve para si; sendo totalmente introspectivo e sempre explorando os mistérios psicológicos de ser humano, os nossos futuros leitores se acharão em nossas confusões, intrigas, mentiras, mistérios... É como uma empatia, eu imaginei estar na pele da escritora que julgo ser a perfeição na escrita e me perguntei: “Será que ela fez o mesmo?”.

Nas confusões e no emaranhado de intrigas do “Se eu fosse eu” é que vejo o quanto somos presos a mentiras e nem sempre percebemos. Com certeza, “se eu fosse eu” não seria a santa nem a diva aos olhos de alguns. Felizes são aqueles que me veem como psicopata, estranha, sanguinária e maluca, pois veem a verdade.

Cá entre nós, caro leitor, você também já odiou alguém, quis matá-lo em momentos revoltos, já mentiu dizendo estar bem quando não estava, já omitiu ao dizer onde estava no telefone... Todos nós já fizemos, talvez, porque somos mentirosos por natureza e, por mais que “se eu fosse eu”, não seríamos completos o suficiente. Nos agarramos a mentiras por pensarmos sermos melhores que ela ou, até mesmo, do que a verdade. Parece que, por mais que um vazio nos falte pela mentira, não conseguimos viver sem sermos ocos.

Completos mesmo? Convenhamos; começaríamos ser mais completos se não mentíssemos a nós mesmos, se não nos acomodássemos e se lutássemos mais no “se eu fosse eu”. Caros leitores, sinceramente? “Se eu fosse eu”, por mais maldosa, animalesca, psicopata, seria muito mais verdadeira e feliz. Seria completa por não mentir, muito menos me importar com o que vão dizer quando eu disser que não estou bem quando realmente não estiver.

Chegamos, então, na conclusão que basta ter coragem para o “Se eu fosse eu” ser real. Mas e a preguiça? E o comodismo? A vida é tão boa em nos dar pão e água fresca que é melhor não mudá-la, deixe o nosso verdadeiro ser intrínseco, sejamos falsos até no nosso sorrir, olhar, “bom dia”... Às vezes, nos importamos demais com uma sociedade que não se importa com seus membros.

Então, “Se eu fosse eu” estaria bem por ser eu, apenas eu, e mais ninguém. Mesmo que, para “eu ser eu”, eu precisa lutar com todos. Não me importo de pagar tal preço se for para ser feliz... Portanto, amigo leitor, “se eu fosse eu” é a minha inspiração e coragem para acordar de manhã e dizer a todos se estou ou não bem, se gosto ou não daquilo... “Se eu fosse eu” enfrentaria mais a sociedade e me importaria menos com quem não se importa comigo.

Ana Luiza Pereira

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