Ciclo de carinho


Mãos como brisa num rosto tranquilo num colo feminino reconfortante. O cafuné o tranquilizava e a presença dela davam a ele total segurança.
- Como um bebê no colo da sua mãe protetora. – brincou ela.
Ele sorriu sem graça e encostou seus lábios nos dela num selinho bem suave.
- Eu te amo. – disse ele na maior paz do mundo, num sussurro sem desencostar os lábios. Ela sorri e o beijo começa...
Os corações aceleram e a respiração ofegante não atrapalha o beijo apaixonado do casal. A concórdia de dois corações pulsando no mesmo ritmo da paixão os aproximavam. Os dois eram um, num amor infinito no instante de um beijo.
- Eu te amo... – sussurrou ela no ouvido dele após o caloroso beijo.
E a cena de amor e paixão recomeça na tranquilidade dos corações pulsantes num carinho expressado por mãos femininas.

Ana Luiza Pereira


Siga!


E o arrependimento bate...
Para mim,
ainda estou sonhando o pesadelo
que te contava
e você não acreditava.

Tudo é real...
Queres provas a mais disso?
Afinal, o que queres de mim?

 Foi preciso que você esteja no meu lugar para acreditares...
Acredite em si agora!
Acredite na sua escolha...

Siga!
Você vai se arrepender se parardes no meio.
Siga!
Porque o futuro ainda reserva muito mais coisas para a gente.

Foi preciso cair para se levantar me amando,
 será necessário levantar para parardes de me amar?

Você que não fala por si,
você que deixa sua confusão te guiar para caminho algum,
siga!

Vá à escuridão que a confusão te aguarda.
Siga até os confins de seu mundo malévolo
para achardes a resposta:
tudo isso é real.

Acredite!
A vida segue seu rumo de suas crenças...
Acreditas?
Conseguirás!
Não acreditas?
Pararás!

Siga!
O futuro ainda lhe reserva a surpresa...
Surpresa e mistério: viva e ame.

Ana Luiza Pereira


Saudades


Saudade é um sentimento que te aperta. Faz com que você chore não fique bem... Saudade te faz ter nostalgia da infância que não se tem mais no hoje em dia, te faz lembrar os risos, sorrisos e loucuras... Saudades é aquele sentimento que te faz querer voltar no tempo, só para reviver cada história marcante. Ter saudades é bom, porque significa que alguém já marcou a sua vida dizendo coisas simples, fazendo coisas simples, mas que te fizeram bem, coisas que nunca esquecerá, porque a memória esquece mas o coração não apaga.

Ana Luiza Pereira
(Homenagem aos 5 anos sem Dona Dora - minha avó)


Desvendando a depressão


            Depressão é como um poço quase sem fundo. Só quem está dentro dele sabe o que sente: a tristeza que te domina, as lágrimas que não cessam, a dor que te sufoca...
            Depressão por causa de amor é a pior. Arrancam seu coração como uma flor na primavera. Dói ter raízes meio podres meio vivas como lembranças. Até que você planta outro coração, cuida, ele cresce e alguém arranca. Sementes de coração regado de lágrimas de depressão...
            Viver com depressões de amor é como um ciclo vicioso da vida: quando você acha que é o fim para sempre, você se reergue, sorri, vive; até amar, se entregar e cair; cai, se entristece, chora, lembra, dói... Vai caindo, caindo, caindo... Até ver uma mão amiga estendida para te levantar, até cansar – e o ciclo volta.
            Dor de amor é apenas um dos altos e baixos da vida. E é a dor e a depressão mais conhecida de todas. Porém, há outro fato que todos sabem: só quem esteve é que consegue falar sobre.           E nada de preconceitos. Sim, 90% dos humanos depressivos tem tendências suicidas, pois não acham uma saída dessa tristeza que os corrói e se desespera. Taí! Desespero e tristeza, as almas da depressão.
            Conseguir superar isso sem cicatrizes é quase impossível. Você não vê saída apenas sombras, escuridão, tristeza, dor, lágrimas. Você se afoga nas lágrimas que descem do seu rosto perguntando-se o porquê, mas não obtém resposta. Não há reciprocidade desse sentimento com ninguém, você vê que está só num mundo de bilhões de habitantes. Você se corrói e se corrompe, e deixa acontecer...
            Depressão é um estado de espírito – um dos mais tristes – e o pior para se conseguir superar...
São nessas horas que existem anjos – amigos –, pessoas que te querem bem, estendem a mão e te fazem sorrir. São elas que fazem de você um não-solitário, por mais triste que ainda esteja. São por elas que você percebe que vale a pena de viver, mesmo com dores e cicatrizes, são por esses anjos que te levantam sempre nas quedas que você acorda para vida e aprende que tudo é passageiro. E depressão também é...

Ana Luiza Pereira
para Luan Santos Figueiredo.


Minha nostalgia


Minha nostalgia de ser...
Minha nostalgia de poder...

Minha nostalgia de estar...
Minha nostalgia de encarar...

Minha nostalgia de parecer...
Minha nostalgia de adormecer...

Minha nostalgia de sonhar...
Minha nostalgia de realizar...

Minhas nostalgias de criança
Minhas doces nostalgias de danças

Bonitas e reais
Nostalgias, eu te quero de volta e mais...

Ana Luiza Pereira


Cartas para você (letra de Nx Zero)


Eu tento te esquecer
Mas tudo que eu escrevo
É sobre você

Eu não posso me enganar
Fingir que estou bem
Porque não estou

Preciso de você
Preciso de você
Essa noite

E hoje estou aqui
Só pra te cobrar
O que você disse
Que iria ser pra sempre
Mas não foi assim

Agora o que me resta
Escrever nessa carta
Pra lembrar...

Eu passo tanto tempo
Só te procurando
Em um outro alguém

Mas não posso me enganar
Sinto sua falta
E ninguém pode ver

Preciso de você
Preciso de você
Essa noite

E hoje estou aqui
Só pra te cobrar
O que você disse
Que iria ser pra sempre
Mas não foi assim

Agora o que me resta
Escrever nessa carta
Preciso de você

Nx Zero

Decisão


Primeiramente, me desculpa, principalmente, pelas minhas palavras. Elas não estavam fazendo bem a ninguém. A verdade é que eu tento fugir da "mulher amargurada" que estou me tornanado, mas acabo por fazer com que ela fale mais por mim do que a mim mesma.

Hoje eu tive um daqueles meus "sonhos" de novo, sabe? Dejà vus... E, sinceramente, este foi de todos o pior. Porque eu não sofria calada como nas outras vezes, eu era triste, amargurada, amarga e machucava os outros até mesmo sem querer. Eu não quero isso para mim... E, para fechar o meu dia de hoje, meu professor passa um curta chamado "Ensaio", para ensinar a sempre dizer "eu te amo" a quem mais se importa.

Sim, estou ferida, um pouco amargurada, mas minha amargura é por um motivo: eu te amo, me importo com você, confio em você, acredito em tudo no que diz, embora me faça de forte. Eu, hoje, decidi que não quero perder mais nenhum amigo ou parente que eu amo por algum erro meu (atos ou palavras), não quero deixá-los ir porque os amo, e amor perdoa qualquer circunstância. Quero ser fiel a promessa que fiz a você, embora precise do tempo para mim. A verdade é que eu só quero poder dizer de novo eu te amo, como amiga ou não... 


Ana Luiza Pereira

Natureza de ser humano


Quanto mais penso no ser humano, mas tenho medo de sua capacidade de fazer algo. Vejo todos os dias seres humanos surpresos por nunca terem imaginado que seu próximo seria capaz de tal ato egoísta, hipócrita, hediondo, horrendo... Está aí um erro que não cometo mais.
            O fato é que a natureza humana é um tanto duvidosa a nós mesmos e, eu acho, que até para Deus. Desde os tempos de Darwin, a teoria da evolução vem sendo contestada assim como a teoria da criação Divina, mas não é esse ponto que quero chegar... Podemos ser cópias de nossos ancestrais em aparência ou em leves traços de personalidade, mas a sempre algo que muda em nós e que nos torna totalmente diferentes (ou iguais). O meio influencia na cabeça de um ser humano em formação, mas também a bagunça. Os pais ajudam a criar um cidadão, mas também atrapalham... Vai saber! Eu não sou todos para saber de seus problemas ou estar em suas mentes.
            A única coisa que vim lhes dizer é: a cabeça do ser humano muda e se transforma de acordo com a sociedade em que vive e o meio também. O ser humano é um ser em constante adaptação, portanto, a ele devemos nosso respeito, por mais que seus atos nos surpreendam a cada dia.

Ana Luiza Pereira


Verdades lógicas sobre o amor


Acabo de ganhar a certeza que minha visão de amor se tornou um pouco escanchada. E é nessa certeza que digo; senhores namorados, pombinhos, casados ou “peguetes”, não me façam ter ânsia de vômito.
            Sim, hoje, sofro de ânsias de vômito cada vez que vejo um casal à minha frente com sua “melosidade”. É nessa hora que se pergunta: “De onde sai tanto amor?” Mas minha pergunta é diferente... “Será que tal amor é verdadeiro?”
            Não se pode ter certeza... Portanto, se estás casado a mais de 10 anos, e parabenizo com todo o meu coração. Não enjoaste, apesar de teres brigado diversas vezes por n motivos.
Sabe aqueles ditados: “A grama do vizinho é sempre mais verde.”; “Homem é que nem capim, sempre vem uma vaca e come...”; então, são meus pensamentos de amor no momento.
Para mim, grandes amores (e verdadeiros) são para vida toda, na sua definição apenas. A vida passa e só nos mostra que grandes amores se tornam grandes decepções. Portanto, estou descrente de amor; tal sentimento não me pertence. Estou frívola e vazia, racional até. E é nessa hora que agradeço ao meu cérebro por funcionar toda hora, todos os dias, 365 dias por ano e me lembrar que uma coisa sempre existirá acima de tudo: a verdade, a lógica. E a lógica me diz que você não me ama mais, portanto, não olharei para trás. Vá! Viva feliz e em paz. Eu e minha lógica estaremos aqui a escrever verdades a humanos apaixonados que não lembram que o “para sempre” sempre acaba.

Ana Luiza Pereira


"Quem é você estranho?"



É quando um amor acaba que abrimos os olhos e vemos o quão errados estávamos. Não digo errado por amarmos, amor é até que bom, mas estamos errados por esperar demais de alguém que também é humano, também erra e fere quem disse que ama.
O fato é que tudo não passa de palavras, palavras ditas ao vento, palavras que nos completam num determinado momento. Quando esse momento passa, nossas lembranças ficam e é isso que dói.
Outro fato que acontece é que, quando acaba, nós percebemos o quanto nos iludimos com a “primeira impressão” ou apenas com as qualidades das pessoas que são humanas e defeituosas. E, quando passa, você apenas se pergunta: “Quem é aquele(a) estranho(a)? Não foi por ele(a) que me apaixonei...” Mas, sinto muito, mas foi por aquela pessoa sim... Porém, somos iludidos pela paixão, é sempre assim... Eita ciclo vicioso que chamamos de vida!

Ana Luiza Pereira

Ele vs. Ela (IV)


Ele: A máscara perfeita... Nem parecia que você estava triste. 
Ela: São anos de abandono e solidão, anos que treinei para não transparecer...

Ana Luiza Pereira


Sabe, eu tenho um coração...



Sabe de uma coisa?
Eu tenho coração.

Um coração quebrado,
usado, cansado
e muito desgastado.


Sabe de uma coisa?
Eu tenho coração.

Um coração que nem cola conserta,
fio aperta,
ou que o tempo leva.


Sabe de uma coisa?
Eu tenho coração.

Um coração que já foi apaixonado,
já foi amado
e agora está cansado.


Sabe de uma coisa?
Eu tenho coração.

Um coração triste e depressivo,
com um ódio massivo
de um alguém maldito.


Sabe de uma coisa?
Eu tenho coração.

Que não é mais meu,
E aquele que eu dei, já deu
o meu coração para um invisível Romeu.


Sabe de uma coisa?
Eu tenho coração.

Que dói todas as noites
por não te ter nas pernoites
e dizer adeus aos açoites.


Sabe de uma coisa?
Eu tenho coração.

Um coração velho que precisa ser arrancado
para um outro alguém posso um novo pintá-lo.

Ana Luiza Pereira





Suicida


Cheguei a conclusão que suicidas só querem chamar a atenção de quem amam. Quando isso acontece eles vão levando uma vida meio deprimida, com sorrisos enclausurados, tristezas afagadas... Porém, quando não, duas coisas poderão acontecer: ou seu plano de suicídio acaba em morte por não chamar atenção, ou vivem dando mais valor à si e aqueles que realmente amam. Pena que na maioria das vezes, por mais que vivam, os suicidas não aprendem a lição...

Ana Luiza Pereira

Dizer adeus


Nunca imaginei dizer adeus a ninguém. Eu sei que um dia todos morrem, mas eu nunca disse adeus a ninguém porque uma parte delas sempre viverá comigo. Por que eu teria que dizer logo a você?

Não entendo; amizade é baseada na sinceridade, sinceridade é baseada na verdade, verdade é baseada na coragem de dizer fatos por mais que doam. Você diz querer ser meu amigo, mas por que não diz logo o que acontece com você? Me deixa preocupada, mal diz que está bem, não me manda nada... Por quê? Por que eu sempre tenho que adivinhar as coisas? Nem sempre eu consigo acertar...

Te odeio! Deixa-me em paz! Vá ser feliz e deixe-me aqui; triste e abandonada, sozinha com o meu coração em pedaços. Quero morrer, me matar e desistir, não sou tão forte assim... Sim, sofro, ando, persisto, por pessoas com quem me importo... Mas como vou confiar nas pessoas, se as pessoas que mais confio me traem?

Em momento algum disse a você que não te quero, apenas estou com raiva de você e, principalmente, de mim por amá-lo e ainda dar minha vida por você sendo que você não faria o mesmo por mim. Quero pensar, me distanciar por mais difícil que seja, mas não disse que não quero mais ser sua amiga.

Por quê? Por que me faz chorar tanto por mais que não queira? (Ao menos é o que você diz...) Seria muito mais fácil evitar a dor com a verdade do que prolongá-la com isto! Te odeio! Não, ME ODEIO, eu te amo demais para não parar de chorar e me preocupar com alguém que está se tornando como os outros! E o ciclo começa...

E, mais uma vez, o que me magoa é a sua imaturidade; não de omitir, mas de dizer na minha cara um ‘FODA-SE’ para tudo o que eu fiz, faço e farei; a mim, ao que eu sinto e a nossa amizade. É na base do foda-se que queres viver? Se sim, não me procures mais. Não quero nem ser amiga de um alguém que nem liga para o que os outros fizeram por você... Se não, aguardo resposta, por mais que eu ainda me distancie de você.

Ana Luiza Pereira

O novo Brás Cubas


Como qualquer ser humano zumbi, desenterrei-me de dentro para fora, de alguma causa morri e acabei de acordar no meu caixão com uma pena na mão e palavras na boca.
É difícil escrever memórias póstumas quando mal se tem. É mais difícil ainda escrever com vermes roendo cada parte pútrida de seu corpo frívolo até o osso. É difícil viver quando não se tem vida...
Contudo, por mais que eu seja um banquete de vermes, uma coisa eles não podem comer: tal esta é a minha mente, gaveta de minhas lembranças.
Tudo o que fui quando criança foi base para minha personalidade quando adulto. Na minha vida, sempre fui boêmio. Caía de paixões e até posso dizer que morri de amores. Está aí o meu verdadeiro motivo de morrer: de amor, pena que não consta no óbito.
Tive uma adolescência conturbada. Calei-me diante de certas injustiças, era confuso por natureza, romântico e malévolo. Minha felicidade estava dividida entre duas mulheres e deixei uma delas (talvez, uma das mais importantes para mim) ir por ser imaturo. Chorei, quis matar, quis morrer, quase fugi. Não prestava atenção nos detalhes que me cercam, apenas via o que estava à frente e o que era palpável. Fiz sofrer, fiz chorar. Pequei e fui humano. Demorou, mas desenvolvi e amadureci. De patinho feio a cisne (negro)...
Infância difícil; criado por mãe postiça, pai emprestado, irmão que não é de sangue. Tive tudo por mãe, nem tudo por pai, implicância de irmãos. Garoto de quatro famílias próximas e distintas, mas com pouca gente me simpatizava. Comecei a oscilar ali. Uma revolta por ter um “pai” que mal me via desenvolver também começa ali. Meus gostos mudaram um pouco... Muitas coisas são desnecessárias para ser descritas aqui.
Com certeza, tudo o que passei, as cicatrizes que tive formaram tudo aquilo que fui; meu jeito e minha personalidade são únicos. Conquistei uns, desprezei outros. Fui psicopata interno e matei a mim mesmo com certos erros. Fui psicopata de amores e matei quem amei afogada em lágrimas. Arrependo-me de pecados e erros que eu não puderam mudar ou serem consertados.
O irônico da vida póstuma, mesmo não sendo eterna, é que me tornei algo que não me simpatizava: um escritor defunto. E como Brás Cubas, de Machado de Assis, acordo após a morte para marcar e descrever a vida de alguém e não ressaltar algo que me tornei.
Vida após a morte não se há certeza, então amigo, se não acreditas, também não acreditará nessas memórias póstumas. Não tenho nem certeza se o que escrevo é real! Digamos que os vermes já perfuraram o meu crânio de não satisfeitos com a minha carne.
Não é crime errar, muito menos acordar de um descanso eterno para recordar seus erros. Sou autor, escritor desconhecido de todos, portanto, podes me chamar de “o novo Brás Cubas”.


Ana Luiza Pereira
Texto inspirado na obra Memórias Póstumas de Brás Cubas de Machado de Assis.

Minha reflexão de "Se eu fosse eu"


Um dia, enquanto lia Aprendendo a viver de Clarice Lispector, encontrei um texto que refletia as mentiras internas de “Se eu fosse eu”. Achei interessante e intrigante o ponto de vista dela, até me achei naquelas palavras. Acho que quando alguém escreve para si; sendo totalmente introspectivo e sempre explorando os mistérios psicológicos de ser humano, os nossos futuros leitores se acharão em nossas confusões, intrigas, mentiras, mistérios... É como uma empatia, eu imaginei estar na pele da escritora que julgo ser a perfeição na escrita e me perguntei: “Será que ela fez o mesmo?”.

Nas confusões e no emaranhado de intrigas do “Se eu fosse eu” é que vejo o quanto somos presos a mentiras e nem sempre percebemos. Com certeza, “se eu fosse eu” não seria a santa nem a diva aos olhos de alguns. Felizes são aqueles que me veem como psicopata, estranha, sanguinária e maluca, pois veem a verdade.

Cá entre nós, caro leitor, você também já odiou alguém, quis matá-lo em momentos revoltos, já mentiu dizendo estar bem quando não estava, já omitiu ao dizer onde estava no telefone... Todos nós já fizemos, talvez, porque somos mentirosos por natureza e, por mais que “se eu fosse eu”, não seríamos completos o suficiente. Nos agarramos a mentiras por pensarmos sermos melhores que ela ou, até mesmo, do que a verdade. Parece que, por mais que um vazio nos falte pela mentira, não conseguimos viver sem sermos ocos.

Completos mesmo? Convenhamos; começaríamos ser mais completos se não mentíssemos a nós mesmos, se não nos acomodássemos e se lutássemos mais no “se eu fosse eu”. Caros leitores, sinceramente? “Se eu fosse eu”, por mais maldosa, animalesca, psicopata, seria muito mais verdadeira e feliz. Seria completa por não mentir, muito menos me importar com o que vão dizer quando eu disser que não estou bem quando realmente não estiver.

Chegamos, então, na conclusão que basta ter coragem para o “Se eu fosse eu” ser real. Mas e a preguiça? E o comodismo? A vida é tão boa em nos dar pão e água fresca que é melhor não mudá-la, deixe o nosso verdadeiro ser intrínseco, sejamos falsos até no nosso sorrir, olhar, “bom dia”... Às vezes, nos importamos demais com uma sociedade que não se importa com seus membros.

Então, “Se eu fosse eu” estaria bem por ser eu, apenas eu, e mais ninguém. Mesmo que, para “eu ser eu”, eu precisa lutar com todos. Não me importo de pagar tal preço se for para ser feliz... Portanto, amigo leitor, “se eu fosse eu” é a minha inspiração e coragem para acordar de manhã e dizer a todos se estou ou não bem, se gosto ou não daquilo... “Se eu fosse eu” enfrentaria mais a sociedade e me importaria menos com quem não se importa comigo.

Ana Luiza Pereira

Animais intrínsecos


Acabo de chegar à seguinte conclusão: que todos nós somos egoístas e hipócritas. Quando queremos algo, que ele seja só nosso, podemos não dizer mas nem sempre desejamos o bem da pessoa, não existe um coleguismo no trabalho, morremos de inveja dos ricos... Comportamentos iguais.
Como uma escritora realista, sinto informa-lhes que o que foi observado no século XIX é uma verdade que se perdura até hoje: o homem é um animal. Às vezes, até mais irracional do que os outros animais que o cercam.
Digamos que os homens, em sua maioria, não prezam a vida, mas o seu ego. Seja o que for para poder amaciá-lo, confortá-lo e até engrandecê-lo, o homem o fará. É nesta hora que surge a hipocrisia de apontar o erro dos outros enquanto não vê o de si próprio e, principalmente, é nessa hora que surge a inveja, preguiça, ganância, avareza, luxúria, vícios, vingança...
O homem é, de fato, o animal mais perigoso da face da Terra. Quando acuado ou, até mesmo, instigado ele poderá sair do seu controle. O olhar muda, a fofoca aumenta, evolui para o bate-boca que parte para agressão. Isso quando não é uma vingança muito bem planejada, feita nos seus mínimos detalhes, demorando o tempo que for.
Chego então, nesta abrupta violência que carregamos em nosso ser, a conclusão de que não é Deus que mata as pessoas, são pessoas que (em algumas situações) dizem estar com Deus que as mata. É a maldade falando mais alto, ou, melhor dizendo, nosso instinto primitivo de sobrevivência a custa de qualquer ser vivo existente neste planeta.
Como podemos ser mais civilizados? Há uma linha tênue entre nossa sanidade e nossa loucura, somos um Yin Yang desequilibrado constantemente, somos animais instintivos e egoístas.
O fato é que não conseguimos conciliar cada gesto que fazemos como sendo totalmente bom ou ruim. Se só há o preto e o branco, nós ocuparíamos os espaços inexistentes para uma cor cinza. O que nos torna sãos, é o que poderá nos tirar do controle quando em falta, excesso ou tédio.
Sinceramente, cansei de discursar sobre os nossos animas intrínsecos. Vai entender os humanos... Tão complexos que nem as palavras bastam!

Ana Luiza Pereira

As novas Capitus


Olhos de ressaca,
sorriso de criança,
maldade de uma parca
e, no peito, a esperança.

Vestia negro que só ela,
olhos negros também tinha,
tinha a pele amarela
 e uma percepção além da minha.

Corpo de mulher,
atitude de criança,
fazia algo porque quer
e no fundo desejava uma secreta matança.

Psicopata e audaz,
esperta e brincalhona,
perfeccionista e sagaz,
inteligente e mandona.

Menina-mulher,
mulher-menina,
tudo quer,
tudo fazia.

Vive por ela,
Sorri pelos outros,
Lamenta uma sociedade por viver nela,
Se importa com poucos.

Música a atrai,
Filmes e seriados.
Novidades a distrai
e não gosta de ser “pau-mandado”.

A passos firmes andava,
com o olhar mandava,
os outros supervisionava,
e, às vezes, também fofocava.  

Se apaixonava e caía,
como toda mulher-menina se machucava,
 muitas calças puía
 de tantas quedas levantadas.

Séria e misteriosa mulher,
madura pela vida,
não saía do salto um dia sequer,
sempre disposta a vencer nessa vida corrida.

Capitu?
Quem dera!
São Fernandas, Anas, Marias... e tu.
Lutando no dia-a-dia desta era.

Dualidade do bem e do mal dispõe,
mistérios no olhar propõem.
Mulheres-meninas, vencedoras;
vitoriosas e um pouco manipuladoras.

Ana Luiza Pereira

Carta de desabafo


"Pessoa (você sabe quem),


Sabe? Nesses últimos dias venho me pegando em certos devaneios, quase sempre relacionados a você. Sinceramente, não venho gostado muito... Com eles vem o tremor de um frio inexistente, a lágrima de uma tristeza escondida e a lembrança de um sorriso falso. Todavia, após essa dramatização toda de uma saudade infinita de alguém que nem sei se lembra mais de mim, percebo uma coisa: tornei-me um pouco mais fria. 
O mundo nos impõe a frieza de coração, estou aderindo a ela não porque está sendo imposta, mas porque estou cansada de ser sempre abandonada por aqueles que eu mais amei e prezei... Será que eles não sabem o que é amar? Ou será que isso tudo é culpa da vida cruel que nos mata a cada dia desde que nascemos? 
“Você sempre foi madura e muito forte, é capaz de superar tudo sem pestanejar.” Sou mesmo? Convenhamos que chorar noites e noites pelo meu maior medo se tornar realidade não é uma ótima forma de superar algo. Muito menos, quando finge que está bem ao amanhecer, sorrindo alegre a todos que passam. É cansativo não demonstrar o que se sente sempre... 
Contudo, admito sentir-me vazia desde que tudo acabou. Boa parte de mim está com você, tem ciúmes você, se preocupa com você, briga com você... Faz tudo por você. Essa boa parte é o que mais venho sentido falta... Está difícil respirar e conseguir que os raios de sol iluminem minha tristeza e a transformem em alegria, está difícil não ouvir cada batida de meu coração sem lembrar sobre “concordium”, palavra que você me ensinara nos tempos de outrora, está difícil encarar o mundo sem aquele que me deu esperanças para o amor. Ah... Meu Deus! Como está difícil! Ainda assim, não desisto. 
Penso que o amanhã dirá o nosso futuro... Mas o fato é que estou tão desgostosa com tudo, que não acredito mais nem no que escrevo. Ainda assim, eu arranjo intrigas com você, queria realmente testá-lo, ver se me amas, se és capaz de mover a montanha a Maomé sendo que Maomé está demasiado cansado por se mover à montanha. Mas nem sempre vejo isso... Apenas vejo um arrependimento falho de tudo o que fizera em seus olhos pedintes, mas já é tarde demais... Embora eu aceite o seu perdão, esteja com você sempre, você não pode secar cada lágrima que me fez derramar nesse último período. 
Às vezes parece que eu me acho em cada música românica, melosa, melancólica, até nas depressivas. Posto onde quer que for para que você saiba o que sinto, o que penso, o que quero. Às vezes, me dá um ódio mortal de você, queria te bater, torturar e matar, mas só posso palavras, status, subnicks, coisas que nem sempre consigo dizer na cara. Às vezes quero o troco, às vezes só te quero bem, às vezes só quero conversar, às vezes... Oscilo cada instante, você estando ou não. E, quando finalmente, meu peito se enche de esperança com o seu “oi”, lembramos sempre do descaso, do medo, dos ciúmes, brigamos, choramos... E ainda assim, eu não te ignoro. 
Cheguei até a conclusão: prefiro muito mais ser presa na gaiola do amor do que ser realmente livre para muitas paixões. Você diz que sou humano, mereço a liberdade. Mas eu me considero uma cachorra vira-lata: fiel, dócil, protetora e sempre, sempre, é mandada embora por alguns donos hostis. Eu realmente preferia estar com você a inventar minha liberdade e ser a inconsequente que se arrependerá de maior parte depois. 
Sei que não funciona nada, às vezes eu acho que nem desistindo de te conhecer funcionará, mas eu só queria não ser dependente de você. Não estar sempre prezando pelo seu bem-estar e sorriso, não te amar tanto a ponto de ter acessos de obsessão. Pois é... Às vezes eu só queria morrer e pedir que o meu coração fosse enviado via correio aquele que o pertence realmente: você. Mas como não posso, tenho a coragem de todo dia dormir desejando morrer e acordar tendo que lutar, ainda não desisti, lembra? Talvez, nunca irei. 
P.S.: Não acredite em tudo o que digo, às vezes, eu só quero é te testar.



Aquela que ainda se culpa por te amar demais."




Ana Luiza Pereira