Reflexão de mim mesma


Será que sou um monstro? Um dia me disseram que às vezes parece que eu não me importo com os sentimentos. Isso só me fez pensar: Será que sou um monstro?
Respostas? Não sei se as encontrei... Mas lendo Clarice Lispector eu meio que achei o caminho para elas. Ela escreveu:
“Eu me dou melhor comigo mesma quando estou infeliz: há um encontro. Quando me sinto feliz, parece-me que sou outra. Embora outra da mesma. Outra estranhamente alegre, esfuziante, levemente infeliz é mais tranquilo. Tenho tanta vontade de ser corriqueira e um pouco vulgar e dizer: a esperança é a última que morre.
Não entendeu? Sou infeliz por natureza. Posso sorrir, mas tal sorriso é uma máscara para meu verdadeiro eu. E, quando feliz, uma parte de mim se incomoda, se revela estranhamente anormal. É como se eu mesma estivesse me retirando do campo e estivesse a espreita para aparecer novamente.
Eis que cheguei a tal fato: sou um animal. Um animal voraz e feroz capaz de tudo a qualquer um quando no auge de seus sentimentos.
Pareço não me importar? Talvez por que há poucos que se importam verdadeiramente comigo. Sim, sou capaz de matar quando com ódio e morrer quando com dor. Sou capaz de me vingar quando com raiva e fazer palhaçadas quando me importo com as pessoas... Sou capaz de um TUDO que é impossível ser escrito no papel, afinal, há um infinito de sentimentos a serem desvencilhados e cada um me faz ser capaz de algo.
Se as pessoas lessem meus pensamentos nos meus momentos de raiva ou dor, eu já estaria na cadeia fazendo tratamento psiquiátrico!
Pareço um monstro? Desculpe se um dia eu pareci não me importar com você, mas eu estava desvencilhando os caminhos sórdidos de ser eu mesma. Qual o melhor caminho? Não sei. Só sei que me fecho a tudo e a todos, pessoas me perguntam o que há e se estou bem, mas eu apenas respondo que não é nada. Por quê? Elas podem ver um rosto e um sorriso, mas não podem ver as complexidades da minha alma.

Ana Luiza Pereira

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