Melancolia


Deitada com as pernas contra meu peito, comprimindo as ordens de domínio do choro; eu estou aqui.
A lembrança de uma tentativa de suicídio me entorpece e entre as penumbras dos piscares dos meus olhos eu vejo seu rosto. Lábios mordidos, olhar de culpado. Não o julgo pelo o que me dizes, mas ainda me preocupo com seu bem-estar.
É amor? Seria este o amor incondicional? Amor que ultrapassa a vida e a morte... Eu não acredito na vida sem amor! Obrigada, querido, por me fazer viver.
Mas hoje, especialmente hoje, você não me verá viva. Estou fraca, pálida, com olheiras profundas e sem qualquer esboço de reação. Hoje eu sou uma morta-viva. Apenas meus olhos vermelhos e inchados irão lembrar-lhe: eu ainda vivo e posso chorar.
Sabe por que choro? Egoísmo. Sabe por que choro? Porque te amo! E eu queria que nunca nos separássemos... Bem, ao menos eu supliquei aos céus que fosse assim.

Ana Luiza Pereira


1 comentários:

L.S.F. disse...

Sem palavras, você consegue esgotar o meu pequeno dicionário de palavras com um post tão lindo assim que chega a ser indescritível e inútil tentar fazer o contrário!

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