Passeio com os signos


De noite, eu adormeço. E viajo...
Vou para mil e um lugares feitos de pontinhos multicoloridos e brilhantes chamados estrelas e vejo velhos amigos, brinco com eles, me divirto com eles, choro e, às vezes, brigo.
O primeiro que encontro num campo estelar é um velho bode. Um velho amigo velho, além de sábio e modesto. Tanto eu quanto ele ficamos a conversar sentado nas gramíneas coloridas deste vasto infinito, deixando o vento imaginário balançar nossos pêlos e seus ensinamentos agraciar meus ouvidos. Tal bode tem nome e faz parte de uma linda constelação, tal bode se chama Áries; o signo dos intelectuais.
O segundo que encontro neste mesmo campo verde a pastar é um bravo touro. Touro que sempre pensa em me atacar quando vê o vermelho vívido dos meus cabelos a balançar com o vento. O bravo amigo bravo fica a me fitar com seus olhares penetrantes e a me ensinar o que é a empatia. Tal animal é um signo; o signo dos que pensam duas vezes.
O terceiro amigo são duas lindas crianças, crianças iguais em aparência, mas diferentes em gênio. Elas brincam comigo e me ensinam que nunca ninguém pode se parecer 100% com você. Tais crianças felizes, sorridentes e geniosas, diferentes e iguais, são um signo: Gêmeos – o signo dos teimosos.
O quarto amigo está na areia do infinito pontuado. É o meu querido amigo caranguejo que fica ali, a observar pessoas e mar todos os dias. Ele me conta seus problemas, sempre me comovendo de maneira especial, e sempre comparam os sentimentos ao mar. Seus sentimentos são suas verdades e suas emoções são suas ações. Tal carangueijinho tem um nome não muito agradável, ele se chama Câncer e é o signo dos que amam e choram.
Olho para o lado e vejo o meu quinto amigo fora do seu habitat natural. É o meu querido amigo feroz, o leãozinho. Sua realeza imposta no seu andar e dizer o quanto ele pode ser um Rei bom ou ruim, impondo clemências ou injustiças aos seus súditos; nós. Mas dizendo que isto depende de nós, fazendo de tudo para que os desejos de tal leão sejam satisfeitos. Tal Rei Leão também é um signo; o signo dos líderes soberanos.
Ando mais um pouco e encontro minha quinta amiga. Ela é como eu, porém calma, imaculada e cheia de luz a meditar na areia de pontinhos brilhantes deste infinito. Tal pessoa carrega uma linda flor em suas doces mãos, a famosa e rara flor-de-lótus. Seus ensinamentos partem da assimilação de si mesmo através das análises do que você aprende com a vida. Tal pessoa é uma constelação, e também signo: Virgem – o signo dos simples.
Atrás desta amiga estava outra, minha sexta amiga cega. Ela carrega sua balança e sempre pesa o que é bom e ruim nela. Equilibrada, sempre ensina a pesar seus atos e palavras antes de torná-los ação e ferir alguém com os mesmos. Tal amiga cega chama-se Libra; o signo dos justos.
Dentre as areias coloridas sob meus pés saiu um pequeno animalzinho, um escorpião. Meu sétimo amigo este. Ele subiu e cochichava seus ensinamentos e venenos em meu ouvido. Suas palavras parecem doces, mas seu coração pode carregar tamanho ódio que seu veneno pode machucar a todos, até quem ele não queira. Tal animalzinho misterioso, que é o Escorpião, é um signo – o signo dos egoístas.
Logo ouvi relinches e trotares na areia colorida do multiverso. Logo vi uma figura mitológica grega a se aproximar de mim; metade homem e metade cavalo. Meu oitavo amigo me convida para dar uma volta neste multiverso colorido e pontuado. Subo nas suas costas e ele corre entre as estrelas. O balançar de suas trotadas e o vento me satisfazia e me dava a tal sensação de adrenalina. Suas palavras me divertiam e sua sinceridade, às vezes, me machucava. Tal ser mitológico é um signo; Sagitário – o signo dos aventureiros.
Assim que desci da minha cavalgada, vi meu nono amigo; o carneiro. Ele estava a caminhar pelos vales estelares enquanto eu estava perdida. Ele me ensinou a ter amor à liberdade e ser determinado nos meus objetivos, porém, tal carneirinho é um pouco desconfiado com o que os outros dizem ou faz. Sempre de pé atrás para que não se machuque, porém fiel e amigo sempre. Tal carneirinho é uma constelação; Capricórnio – o signo dos determinados.
Andei mais um pouco e achei um lago, nele havia uma linda mulher a encher sua jarra de água. Dedicada e preocupada com os que ela ama, minha décima primeira me ensinava a ser dedicada e carinhosa, porém independente. Mas, tal mulher possuía um defeito: não falava muito do que sentia aos outros e, quando falava, dizia coisas demais e desnecessárias, coisas que faziam as pessoas se perderem em suas palavras. Ver as pessoas com caras de que não entendem a irritava, fazendo com que ela guardasse mais coisas ou falasse mais. Tal mulher se chama Aquário – o signo dos inseguros.
Olhei para dentro do lago e vi um monte de peixinhos a nadar. Meus décimos segundos amigos me diziam um monte de coisa; ensinaram-me a ser receptiva, compreensiva e sensível. Também me ensinaram o que é ser altruísta e comunista. Tais animaizinhos são uma constelação: Peixes – o signo dos que imaginam.
Acordei quando, por fim, caí no frio lago a convite dos peixes de estrelas. O sol batia em meu rosto e enfim vi o céu azul claro.
- Acho que sentirei saudades da noite... Quando, finalmente, posso desenhar com as estrelas e tomar um chá com meus doze amigos estelares. Constelações de Signos, eu vos espero à noite, quando ficares finalmente visível aos meus simples olhos admirados.

Ana Luiza Pereira

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