Testemunho


Eu nem sempre fui assim. Na verdade, me lembro muito bem de quando eu não era assim. Sim, eu já fui feliz, já estive bem e já pude ser eu mesma não importando as consequências. Mas isso foi graças a uma pessoa que me ensinou o que é viver, amar, cantar, jogar e sorrir: minha avó.
Eu fui uma verdadeira criança feliz com ela, ela me ensinou o que é um lar e como é estar nele. Ela me proporcionou um bem-estar no qual nunca tive ou terei novamente...
Porém, desde quando ela adoeceu, eu me fechei. Me fechei para o mundo e suas possibilidades. Me fechei para as pessoas... Tentei procurar o que havia de bom nelas, mas sempre me decepcionava com algo. Nada seria tão perfeito como era quando passava minhas noites de sábado com ela...
Ela, enfim, morreu e eu, até hoje, nunca superei sua morte. Minha melhor amiga de todas havia morrido e nunca mais me senti tão bem com uma pessoa quanto era com ela, nunca mais eu sorri e fiquei tão feliz como eu estava com ela, nunca mais...
Eu havia entrado num poço sem fundo, poço que nunca mais saí. Eu entrei em depressão, uma depressão tão profunda que nunca me recuperei dela. Tentei me desviar dela, porém isso só me fez ser uma pessoa que não sou: eu me fechei às pessoas que me queriam bem, me abri às que me queriam mal e me tornei uma adolescente rebelde por dentro e inconsequente nos atos.
Eu não queria ser assim, eu só queria voltar a ser feliz! Será que é pedir demais? Mas não... A vida me obrigou a esconder tudo o que sentia para não machucar mais ninguém com aquilo; a não ser eu mesma.
Minhas paixões de nada ajudaram. Minha amigas... por mais que eu tente ser verdadeira e espontânea com elas, nunca fui 100%.  Minhas alegrias e tristezas não tinham mais sentido! E eu me fechei para as pessoas que mais me querem bem e que minha avó me ensinou a prezar: minha família.
Tudo deu errado... Tudo mesmo! Enquanto eu tentei encontrar maneiras falhas a sair desta depressão, eu só via o escuro e mais uma tentativa dando errado. Eu me afundei em doenças por não estar bem em espírito. Eu mesma me afundei no desconhecido...
Eu podia não chorar todas as noites, mas, a cada noite, sua falta aumentava de tal forma que minha dor só abrandava quando eu sonhava estar diante dela ou quando lembrava a sua face me dando bênção ou tocando Ave Maria ou, simplesmente, me cobrindo nas noites frias e que me davam medo e me dando paz e sua proteção.
Ah... Vovó... O quanto que a senhora faz falta...!
Enfim, eu cheguei por um momento a pensar que nada mudaria, que eu nunca sairia desta depressão e que eu nunca, jamais, teria aquelas sensações de novo. Mas a vida me pregou peças, novamente.
Eu conheci alguém... Um alguém que mora longe, mas que se tornou tão importante para mim que, hoje, não sei viver sem o dito cujo. Um alguém que me faz sorrir, me deixa ser eu mesma, que me ama e que quer me proteger... Alguém que, sem querer, amo incondicionalmente, que me faz recuperar o tempo que perdi em lágrimas com sorrisos. Alguém que me deixa ser uma criança feliz e que não me recrimina, apenas se alegra com o jeito que eu havia perdido, mas que com ele recobrei. Alguém que me faz sorrir, ficar vermelha, me sentir bem, protegida e amada... Alguém que está me fazendo feliz e bem comigo mesma e com os outros. Alguém como a vovó... Pessoa que amei incondicionalmente e que só sou feliz ao lado dela.
As coisas podem me entristecer e me abalar, mas ao lado deste alguém... Eu não me importo com o que aconteceu, apenas sou feliz e me sinto bem!
A única coisa que me entristece e me afunda novamente é o medo. O medo de perder quem mais amo, quem me faz sentir bem... Enfim, perder o motivo de minha felicidade.
Sim, eu sei que é egoísmo... Na verdade, eu sempre fui egoísta! Mas eu não aguentava mais tanta dor, sofrimento, escuridão e depressão. Será que é pedir muito para as pessoas nos deixarem ser felizes com quem amamos? Será que é pedir muito a Deus? Não sei a resposta...
Só sei que o medo a cada dia mais cresce dentro de mim, me apavorando e enlouquecendo. Não quero perder nem você e nem esta sensação de novo... Só sei que meu coração só terá um pouco mais de paz quando estiver envolta aos seus braços, finalmente, protegida de tudo... Será que alguém pode me ajudar a conseguir isto?

Ana Luiza Pereira



0 comentários:

Postar um comentário

Comenta, por favor!