Para o meu deleite...


Para o meu deleite; fico a admirar este exemplo de clemência e obediência.
Para o meu deleite; fico a ver a raiva definhar tais corpos pútridos e esgarçar suas mentes cheias de ressentimento.
Para o meu deleite; fico a assistir o quanto o amor nos torna idiotas, marionetes desprezíveis de pessoas que nem sempre nos merecem.
Para o meu deleite; fico a sentir tal dor a transformar meu ser em verme asqueroso e nojento cheio de rancor.
Para o meu deleite; fico a ver a vida destroçar momentos perfeitos de felicidades plenas onde pessoas criam fantasias e falsas memórias.
Para o meu deleite; vejo o “achismo” mover o mundo com suas questões enquanto verdades se tornam crenças fundamentadas em fantasias e relíquias.
Para o meu deleite; assisto pessoas enlouquecerem dizendo que, se só os loucos conseguem amar de fato, preferem mais a loucura que a nossa lucidez.
Para o meu deleite; admiro a mudança das pessoas, uns buscando máscaras enquanto outros tentam expressar melhor a forma de serem elas mesmas.
Para o meu deleite; vejo a falsidade nas palavras ao vento, aos gestos de tratamento buscando sempre status e fofoca enquanto pessoas procuram sinceridade e amor.
Para o meu deleite; assisto o tempo virar uma eternidade na espera do que se ama.
Para o meu deleite...
Para o meu deleite; a vida fica a seguir seu rumo pacato, bucólico e tedioso, basta as pessoas escolherem se querem fazer dessa vida um pouco mais feliz.

Ana Luiza Pereira


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