Monstros têm coração


            Já havia se passado muito tempo... Tempos demais até. Tempos felizes a uns e obscuro a mim. O sol quase não tocava o chão naquela densa floresta... mas eu não havia o que temer; a eternidade estava no meu sangue, vingança no meu currículo e a solidão nas minhas lágrimas imbecis.
            Há quanto tempo eu não pisava nestas terras fofas e nessas folhas secas! Eu procurava e a dor me dizia onde encontrar. Minha solidão dizia que eu não a sentiria mais, a eternidade prometia ser meu trunfo e a vingança falava que seria doce.
            “Vingar-me de que? Ele se matou! Não há como se vingar de um suicida.” – uma parte de mim pensava enquanto a outra respondia: “Se ele não prezava a vida, tanto que se matou; por que não fazê-lo viver novamente? Desta vez, a eternidade. Esta é a melhor vingança que alguém possa ter...”
            Assentia aos meus pensamentos e deixava-os guiar meus passos.
            “Onde está?” – perguntei a dor. “Aqui.” – respondeu-me rapidamente.
            Ajoelhei-me. Tirei o capuz vermelho que cobria meu rosto e cavei...
            - A eternidade será nosso trunfo... – dizia a mim mesma. – Pode ser monstruoso viver como eu ou como você, mas o que podemos fazer? Você não me deixou salvá-lo anos atrás. – disse enquanto cavava com minhas unhas.
            Logo toquei em uma estrutura de cálcio que ficara um pouco amarelada pela terra molhada.
            Era seu crânio. O desenterrei.
            - Por mais penada que possa ser sua alma, uma coisa o fará humano novamente... – disse e abracei aquele crânio contra o peito – amor.
            É estranho saber que um ser das trevas, mãe da luxúria, do prazer, da morte como eu possa amar. O mais estranho ainda é saber que o humano que amei morreu por eu ser incapaz de salvá-lo. E, o mais estranho que isso, é eu; uma vampira sanguinária tentando se redimir com meu amor e transformá-lo em fantasma.
            - A eternidade será nosso trunfo, Jhon... – disse saindo daquela floresta.
            Nem todas as histórias de monstros nos fazem ter pesadelos, por que nem todos os monstros têm coração.

Ana Luiza Pereira


7 comentários:

kaique Bruno Boga disse...

terá continuação? *-*

ALP disse...

Pede pro ítalo!

kaique Bruno Boga disse...

sacanagem... na verdade ele tem a história inteira antes disso ¬¬ e ta pensando em escrever continuação tbm ¬¬

ALP disse...

Pede pra ele leeeeeeeeeeeeeeeeeeeer! ><

kaique Bruno Boga disse...

claro! :D

₣غĽΐρغ Ήغηяΐ XD disse...

Gostei! Acho que sentimentos são tão inesplicáveis quanto de onde eles vem... Esperando continuação! _o/

Unknown disse...

Gostei bem profundo

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