A História De Uma Deusa - Entre brigas e festejos


Ele aprendia rápido o que eu ensinava, logo sabia o dialeto e a escrita dos elfos de cor. Era como ele quisesse ser um elfo, como se ele se sentisse bem com aquilo.
“Devo estar louca.” Pensava enquanto estudava suas reações. “Por que ninguém pode ser tão perfeito quanto ele é?”
Por mais que eu tentasse ler os pensamentos dos seres a minha volta, eu conseguia ler poucos dele e, todos relatavam seu fascínio pela natureza. Ele amava estar por entre as árvores, elas eram seu abrigo.
Havia muitas mulheres de olho nele, seus pensamentos eram indecentes, elas se fascinaram pela sua beleza e a queria para elas. Seus olhares sedutores e seus corpos obscenos que tentavam, em vão, chamar a atenção dele. Isso me dava raiva, eu as encarava com raiva e elas me olhavam com temor. Mas a falta de atenção dele me reconfortava... Ele não tinha olhos para elas. E eu não soube desvendar para o que ou quem seus olhos se voltavam...
- Angelus Innocent! Quomodo non admirer? Nescio quomodo sentio. Velit. Referte mihir quid sentio! – falava aos sussurros.
(Anjo inocente! Como não admirá-lo? Não sei o que sentir. Por favor. Diga-me o que sentir!)
Todos os dias o imperfeito perfeito (era assim que eu gostava de chamá-lo) vinha me visitar em meus aposentos em meados do entardecer. Sempre trazia algo que ele colhera, plantara ou fizera e sempre com um sorriso largo e de agradecimento no rosto. Mas teve um dia que eu me arrependi amargamente desses encontros em meus aposentos...
- Você é um ótimo escritor! – disse a ele.
- Obrigado minha rainha! Fico lisonjeado por ser reconhecido por vossa alteza. – disse ele se curvando.
Ri. Não sei por que, mas acho que aquele era meu primeiro riso, senão um dos primeiros.
Ele me fazia sentir bem, sem preocupações ou responsabilidades. Ele me fazia sentir como é ser criança, uma criança inocente e sem medo de amar, uma criança que nunca fui.
- Leia mais algum de seus poemas. – pedi.
- Como quiseres minha rainha. – disse ele se curvando novamente, assim que levantou, começou a ler:
Magnifica eius speciem,
Tepidis manu,
Haec eadem dedit mihi domos.

Hodie ascendere cubile rosis
A me ideas in mente:
Gratias pro esse parens Natura mihi semper.

(Sua beleza esplendorosa,
Sua mão quente,
Foi ela que me deu abrigo.

Hoje deito em cama de rosas
E fico a ter idéias em minha mente:
Obrigado Mãe Natureza por estar sempre comigo.)

Comecei com as palmas e o sorriso no rosto:
- Bravo!
Ele se aproximou; ainda estava distante de mim, mas perto o bastante para mim, estendeu a mão com o papel. Peguei-o e encarei-o, era a letra dele em runas, quando, enfim, ele disse:
- Esta é a minha forma de agradeceres o que tem feito a mim.
Meu coração começou a palpitar e meu sangue fervilhar. Afinal, o que eu sentia? O que ele me proporcionava? Não sabia os nomes, só sabia que era maravilhoso estar em sua presença; ele me trazia a paz para um coração atormentado como o meu.
- Não precisava. – finalmente disse baixinho enquanto ainda encarava o papel. Não conseguia e nem podia encará-lo nesse estado. – Faço o que julgo ser justo. – disse.
Neste exato momento, ouço a mente de Raymon se aproximar receoso. Olho a entrada e logo pude definir os formatos de sua roupa alaranjada e sua face preocupada.
- Trouxe bolo e chá, rainha. – disse ele colocando a bandeja na mesa perto da lareira acesa.
- Diga. – disse a ele.
Ele me olhou aturdido.
- Algo lhe atormenta, meu caro aprendiz. Diga. – falei.
- Esse não é o assunto para ser tratado na frente de seres inferiores. – disse ele se referindo a Leonel.
Aquilo começou a me irritar. Mas, em minha posição, nada nem mesmo um insulto poderia me fazer descer do pedestal do meu orgulho.
- Eu falei para dizer-me. Não me obrigue a descobrir de outras maneiras. – falei olhando profundamente seus olhos.
Ele abaixou a cabeça.
- Perdoai-me rainha. Mas sua irmã Mirian foi pega correndo pelos campos de trigo, de novo, com roupas indecentes e na presença de um dos filhos do Terceiro chanceler do conselho. – disse-me.
Minha feição mudou. Pude perceber isto pelos rostos de Raymon e Leonel. Raymon sentia medo do que eu podia fazer, enquanto Leonel sentia um misto de preocupação com susto. Afinal, ele não conhecia minhas irmãs como eu.
- Onde ela está? – perguntei.
- No salão. – respondeu.
- Saia. – disse aos dois. Percebi que minha voz estava décimos acima do normal. Posso ter sido um pouco hostil com isso mas Mirian me obrigava a fazer isso.
Assim que eles saíram, eu saí de minha cadeira e fui à frente de meu espelho. Comecei a mirar-me lá. Nada mudara; meu rosto continuava infeliz e sombrio.
- O que foi? – disse Mirian de biquinho.
- Sente-se. – disse séria. E ela se sentou no meu lugar.
Vir-me-ei e comecei a fitar suas vestes: nada no busto, apenas seu cabelo comprido e levemente ondulado, um short curto que não cobria quase nada se suas partes íntimas e uma saia de véu fino e transparente.
- Pode me dizer o que fazes vestida assim? – perguntei.
- Correndo pelos campos de trigo, me divertindo como nunca me diverti. – respondeu ela.
- Justo com estas roupas? O que fazes a si! Crias uma má imagem tanto a ti quanto à suas irmãs! O que Diana dirá de sua irmã? Você, mais do que ninguém, terá que ser o exemplo a ela!
E eu falava e falava e Mirian nada dizia, nem sequer me ouvia. Estava com cara de que não escutava o que eu dizia, estava ali de corpo mas sua mente ia longe. Longe demais para a minha sanidade.
Suspirei. Dali em diante eu sabia que nada que eu dissesse a faria mudar de ideia.
- O que você tem a dizer? – perguntei desesperançosa.
- Você não me controla mais, Kandra! Não tente dá uma de mamãe, porque VOCÊ NÃO É! Eu não serei mais controlada por você para sempre! E ACOSTUME-SE, pois esta será a Mirian que você verá todos os dias. – disse ela aos berros.
- Se for assim, vá. – disse.
E ela levantou sorridente se encaminhando à saída.
- Mas não aos campos de trigo e, sim, ao seu quarto. Pedirei a Raymon a falar para o Terceiro chanceler vigiar seu filho. Não quero vocês dois juntos, não se você vestir trapos. – disse virando e olhando firmemente em seus olhos.
Seu sorriso desapareceu e seu bico reapareceu. E ela saiu batendo pé.
Suspirei. Meu coração doía, não queria fazer isto com ela, mas ela me obrigava.
- Um dia ela saberá como é ter o mundo em suas costas. – disse.
- Rainha... – falou Raymon às minhas costas.
- Já vou! – disse dirigindo-me até onde ele estava. – Ouviste o que é para ti fazeres? – perguntei.
- Sim, majestade. – disse ele assentindo.
- Tudo bem... – disse-me indo.
Logo, adentrei-me em outro salão de meu templo e invoquei o portal. Uma porta de tons diferentes de roxo apareceu à minha frente, Entrei-me ali e deixei-me levar.
Desci em um dos meus caminhos ao mundo inferior. Logo vi Cerberus, meu amado cão de três cabeças e guardião do portal entre a vida e a morte, abaixando suas cabeças para me cumprimentar.
Passei e fui à diante. Logo vi minhas substitutas; três anciãs de corpos deformados, eu não me lembro suas raças, mas lembro de suas feições horrendas, eram elas que julgavam quem deveria morrer. Mas elas não me importavam, fui mais adiante.
Logo eu vi; o meu verdadeiro trono. Feito dos ossos decompostos dos guerreiros mais valentes que passaram pelo submundo. Eu, finalmente, estava em casa.
Sentei-me ali. Logo vi meus servos virem me servir e me lembrar que havia festa mais tarde. Era Lua Nova e o reino todo iria festejar o começo da transição dos meus poderes à Mirian e coroá-la como uma verdadeira princesa.
- Rainha... – disse um pobre zumbi se aproximando.
Era Ryuuzaki. Seu cabelo negro como as mais profundas trevas e seus olhos negros me fascinavam. Embora sua aparência em si seja horrenda e deplorável.
- Diga caro Ryuuzaki. – falei.
- É Lua Nova. – disse ele.
- Eu sei... – disse a ele – Dia de festejo no reino.
- Sim... – ele respondeu de cabisbaixo.
- O que te aflige? – perguntei.
Ele suspirou calmamente e perguntou:
- Será que eu posso ir ao festejo também?
Eu sorri em resposta:
- Claro... Nada lhe impede de ir.
- Mas e minha aparência? – perguntou-me.
- Vá de capa, fale pouco... Se perguntares; és o meu servo. – falei.
Ele abaixou a cabeça novamente. Mas, dessa vez, eu sabia o que se passava em sua mente atormentada. Desci de meu trono e fui a sua direção:
- Infelizmente, todos ligam às aparências, mas elas não importam a mim, pois quem eu vejo é um alguém amaldiçoado, mas de puro e nobre coração. – disse tirando minha capa e vestindo nele.
Seu rosto se esticou em um sorriso torto e eu assenti.
Afastei-me dele e disse:
- É melhor que eu me arrume. – disse.
Ele assentiu e me acompanhou até o portal. Saí de lá e apareci em minha biblioteca, de novo.
Fui aos meus aposentos, banhei-me e vesti-me de acordo com a ocasião. Fui ao meu espelho, não era muito vaidosa mas eu gostava de ver quem eu realmente era ou como me viam.
Vestido e sapatos negros. Era assim que eu estava, era assim que me vestia.
- Parece estar de luto por algo... – disse alguém atrás de mim.
Vi seu reflexo no espelho; era Leonel. Vir-me-ei para vê-lo vestido como um elfo em dia de festa. Ele estava... Eu não tenho palavras para descrever como estava. Seus olhos nos meus... era uma sensação tão quente!
- Não preciso estar de luto para vestir preto. – respondi. – Mesmo assim, sou a rainha das trevas, negra é a minha áurea.
- Estás linda! – disse ele enfim.
Assenti em agradecimento.
- Nada mal a um elfo... – disse a ele e seus doces lábios se esticaram em um largo sorriso. – Esta será sua primeira festa como elfo, comporte-se como tal. – disse e ele assentiu com a cabeça.
- KAAAAAAAAAAAAAAAAAAAANDRAAAAAAAAAAAAAAAAAA! – berrava Mirian batendo os pés adentrando em minha biblioteca.
Novamente, minha feição mudou e minha voz engrossou.
- Mirian! É inadequado entrar em meus aposentos desse jeito! Principalmente com visitas. – disse.
Ela parou e ficou a encarar Leonel. Em sua mente havia milhares de perguntas... E, a maioria, maldosas.
Controlei-me para não parecer hostil novamente e disse a Leonel:
- Vá.
Ele se curvou e saiu. Assim que havia saído, falo a Mirian:
- Diga.
- Quem é ele? – perguntou ela.
- Não vieste aqui para saberdes dos problemas do reino. – disse.
- É. – disse ela se recompondo – E que vestido é esse? – perguntou ela finalmente.
- O vestido para a sua coroação. Ele é até simples para esta ocasião... – respondi.
- EU NÃO QUERO VESTIR ISSO! – berrava ela.
- Ou vestes, ou seu amado Kalleby não aparecerá na festa da SUA coroação. – respondi e ela se calou.
- E, – continuei – comporte-se! Esta é a SUA coroação, logo você estará em meu lugar de rainha deste reino.
Ela saiu murmurando que não pediu para ser rainha enquanto eu suspirava pesadamente.
“Eu também não, minha irmã.” Pensava.
Logo fomos à festa. Ela em si não me importava e eu não liguei para as coisas que aconteciam apenas para o canto dos elfos em minha homenagem. Foi cantado e escrito por Leonel e interpretado por sete elfos do reino.
Era maravilhoso!

Avertam oculos meos ambulans.
Credo matrem tuam mundum regere.
Peto vocem tuam olim accedentibus satis attigit.
Petere non tortor.

Natura meum regat superstes.
Spero eam.
Credo verbo.
Quasi egréssa infrenaverunt ligna in futurum.

Respicio et corpus offerre oblata.
Ita vt omnia mitti ad beatitudinem aeternam.
Multi vivatur, sed quia non moritur.
Gratias usque regit.
Lorem tuae.
In te gloria aeterna.
Et vultis ire ad finem.

Sententias contra Dryadales”

(Eu fecho meus olhos enquanto caminho.
Eu imagino vossa mãe regendo pelo mundo.
Eu tento ouvir sua voz para um dia chegar próximo o bastante para tocá-la.
Para pedir a sua ajuda.

A natureza rege a minha sobrevivência.
E eu confio nela.
Eu confio em suas palavras.
E em como as runas guiaram as árvores para o futuro.

Olho para trás e como oferenda ofereço meu corpo.
Para que tudo possa ser encaminhado para a felicidade eterna.
Pois muitos podem viver, mas apenas por ti não morri.
E todos agradecem a forma como rege tudo.
Obrigado Vossa majestade.
Em ti confiastes na glória eterna.
E a ti queremos seguir até o final.

Os votos dos elfos.)

Fiquei completamente lisonjeada com esta homenagem. Assenti e deixei o próximo grupo seleto de seres me homenagear. Foi assim para todos e, no fim, para os anjos, com os anjos mais lindos no mundo celestial juntamente com os dois filhos do Terceiro chanceler: Kalleby e Dalquiel.
Minhas irmãs eram fascinadas por eles e suas belezas, mas eu não me importava, só prezava pelo reino e seus afins.
Logo após a homenagem, começou a festa. Mirian e Diana fazendo sala para os convidados enquanto planejavam sair e se encontrar com suas respectivas paixões. Eu continuava flutuando no trono à esquerda do salão de festas, felizmente, meu vestido dava a impressão de realmente estar sentada aos meus convidados.
Logo o vi. Orphelius, nosso meio irmão mais novo. Ele não era deus e possuía um ódio por isso.
- Orpheu! Vieste homenagear também vossa irmã Kandra? – perguntou um dos meus chanceleres.
Ele nada respondeu. Vi em sua mente o perigo e seu passado. Ele havia feito pacto com deuses malignos de outros planetas para, enfim, matar o equilíbrio deste.
Ele se aproximava de Mirian a passos largos e expressivos, eu levantei e fui o mais rápido o possível para sua direção também. Assim que ele sacou a adaga, eu empurrei Mirian e pus-me na frente dele.
Sua adaga perfurou meu fígado, meus poderes desapareceram e coração por um instante parou.
O bom de ser trinitária (uma alma dividida em três) é que eu não morro e vejo tudo o que acontece pelos olhos de minhas irmãs. Eu estava envelhecendo e meus poderes sombrios e de morte foram transferidos a Orphelius, por isso, nasciam chifres em sua testa.
Quando ele soltou a adaga, meu semblante oscilava entre a meia idade e a terceira idade, meu corpo lutava para curar essa ferida, minhas irmãs estavam desesperadas e os chanceleres pasmos. Todos ali estavam assustados com o ato de Orpheu enquanto ele desaparecia no ar, embora Leonel estivesse mais preocupado com meu bem estar.
- O coração dela... Não bate! – disse Diana ouvir meu coração.
- Talvez seja por que nunca bateu! – dizia Mirian com sarcasmo.
- Pára Mirian! Ela é nossa irmã! E isto é sério! – respondeu Diana.
Mirian revirou os olhos e usou todos os feitiços que se lembrava para me salvar, mas era em vão. Nem Raymon conseguia invocar meu espírito para aquele corpo novamente, talvez, ninguém conseguiria.
Mas alguém de capa negra se aproximou.
- Talvez eu possa ajudar. – disse.
- E quem és tu? – perguntaram.
- Sou Ryuuzaki. Servo fiel a vossa majestade, Rainha das Trevas. – respondeu.
- Como poderá ajudá-la? – perguntou Diana.
- Não posso fazer muito, tenho pouco a oferecer, aliás. Mas, hoje, eu ofereço meu coração negro. – disse ele tirando a capa e deixando que vissem sua horrenda aparência.
Todos ficaram pasmados, principalmente quando ele enfiou sua mão no peito e arrancou o próprio coração.
- Sou amaldiçoado a viver como zumbi; não preciso disto. Aliás, vossa rainha poderá usufruir melhor que eu. – disse ele entregando seu coração a Diana. – Ela precisa da escuridão para sobreviver, então, dê trevas.
- Obrigada pelo conselho. – disse Diana.
Mirian pegou seu coração e enfeitiçou para substituí-lo pelo fraco. Logo senti meu espírito sendo puxado de volta e tudo virou trevas...
Acordei em meus aposentos. Não me lembrava quando eu havia vestido a capa ou como fui parar lá. Corri ao meu espelho e vi o que havia me tornado: uma anciã. Lutei com meus poderes para voltar com o pouco de dignidade que me restava, consegui, mas por pouco tempo. Logo voltaram as papadas e os pés de galinha. Aquilo era o máximo de jovem que eu poderia ficar e, mesmo assim, não por muito tempo.
Vi o rasgo em meu vestido e logo percebi um feitiço de selamento em runas na altura de onde fui atingida em formato de pentagrama.
“Proteção e selamento... Obra de Raymon.” Pensei enquanto fitava seu reflexo no espelho. “Isso que dá ser regente do elemento terra.”
Logo percebi a mente preocupada de Leonel a vir me visitar. Rapidamente, vesti minha capa para que ele não me visse deste estado.
- Rainha... – disse ele se aproximando.
- Leonel... – disse dando permissão de ele entrar – Que horas são? – perguntei.
- Tarde da noite, vossa majestade. – respondeu-me ele.
- E a festa?
- Acabou assim que vossa alteza ficou semimorta no salão. A senhora está bem? – perguntou ele. Mas nada respondi. A palavra “senhora” começava a me doer profundamente, principalmente ditas pela voz de um anjo.
Ele percebeu o erro, então consertou:
- Kandra, você está bem?
- Sim... – respondi finalmente.
- Então, deixe-me vê-la. – disse ele se aproximou e eu dei um passo para trás.
- Leonel... – chamei-o. – Acho que deveríamos repensar sobre suas visitas em meus aposentos. – disse, dispensando-o – Estou cansada e é tarde... Nos vemos amanhã na floresta.
Ele ficou triste com as minhas palavras, percebi pelo seu olhar. Sua tristeza me atingia e me partia o coração. Ele se foi e eu fiquei ali, voltando ser quem eu era; voltando a ser A Anciã.
Não gostava que me vissem velha, nunca gostei. Apesar de “Anciã” depois servir de rótulo a mim...
Desde então, nunca mais fui vista sem capa negra pelos recantos e florestas. Apenas uma vez que eu a tirei, mas essa, é uma outra história.

Ana Luiza Pereira


3 comentários:

kaique Bruno Boga disse...

fiquei vermelho quase q o texto inteiro ><

Sassá disse...

Na visualização contextual pude solidificar a formação bem feita da colocação gramatical. A meu ver, com olhos normais, pude apaixonar-me pela forma como seguiu o contexto e as demonstrações carinhosas de Lionel para com Kandra.

No âmbito do amor espero que todos possam ter sentido o rosto molhado pelas lágrimas com a simplicidade de demonstração que o amaldiçoado tornou a fazer para a Deusa, pois a vida de Kandra ficou frágil o bastante para que apenas ele pudesse ter essa coragem.

De fato, comoveu até os meus mais profundos e intocáveis erros, cabendo a somente ela própria saber como foi passar por isso uma vez na vida.

E espero terminar por dizer que o seu medo de mostrar-se como anciã demonstrou que o problema final era para ela, mostrar a forma como se encontrava para quem agora ela amava. Pois quando se ama você quer o bem do outro e provavelmente achava ela que a sua nova face fosse distanciar o amor da sua vida. Ela preferiu renunciar e ter na mente o brilho dos olhos do elfo ao invés de machucá-lo.

Ela estava amando provavelmente sem saber que isso era uma reação do amor...

₣غĽΐρغ Ήغηяΐ XD disse...

Foi o seu melhor texto Ninha ;D
Foi tudo muito bem colocado, confesso que fiz cara feia quando vi o tamanho do texto, mas quando comecei a ler, a história me prendeu, e isso não é qualquer uma que faz.

Pobre kandra, no final ela entendeu o que sentia por Lionel, isso no momento em que o sentimento mais foi ameaçado.

Só tiveram uns pedaços que você podia dar uma arrumada:

"Seu cabelo negro como as mais profundas trevas e seus olhos negros me fascinavam."
Tipo, você usou a palavra "negro" duas vezes, muito rápido. Dá uma impressão de que não haviam outras palavras, e isso prejudica a leitura.

"- Claro... Nada lhe impede de não ir."
Não sei se é burrice minha XD, mas o certo não seria:
"- Claro... Nada lhe impede de ir." ?

Parabéns Ninha, quero continuação!

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