Rosa


Rosa, rosinha, rosão
Que roubou meu coração
Fazendo com que eu me apaixone
Por alguém que me abandone
Sempre reclamando
Que ninguém está lhe amando.

Assim eu não quero, assim eu não gosto
Assim nunca você amou
Sendo que ele me ame...
Talvez eu deva pensar
No caso desse rapaz
Que fica sempre para trás.

Sempre sendo rejeitado
Por alguém que senta ao seu lado,
Falando pelas costas,
Levando cada patada,
Insinuando coisas de cada,
Por isso o rejeitado
Será o mais amado
Por um outro alguém.

Enquanto isso não acontece
Fico sempre à mercê;
Sonhando,
Amando,
Sendo amada por mim mesma.
Disto eu tenho certeza;
Que o amor nunca acaba,
Que a esperança tem uma asa;
De amor,
Paz
E muita cor.

Ana Luiza Pereira


Poema escrito no dia 4/10/2006.

Comum


            Sou comum. Vou à escola, saio, fico na  internet o dia todo ás vezes, gosto de ouvir música, ando de all star e não estou nem aí se está sujo ou se minhas roupas estão amarrotadas.
            Sou feia, bem, ao menos eu me acho assim. Fico incorfomada com certas deformidades do meu corpo, embora nem todos enxerguem e ainda assim insistem em me rotular de bonita, e as que enxergam de estranha.
            Sou sonhadora, mas nem um pouco vaidosa. Acredito que tudo necessita de sacrifício, embora nem sempre estamos preparados para ter o que queremos.
            Busco o amor, tento sempre ver o que é bom, falo o que penso, embora meu silêncio diz mais do que eu mesma possa dizer. Tenho meus medos, sou infantil, guardo mágoas, explodo quando não aguento mais. Sou acomodada, triste, mas sorridente. Enfim, tenho meus defeitos e qualidades.
            Fiz da minha vida um cotidiano. Às vezes, me sinto o único ser humano da face da Terra, uma anormal, mas descobri que não. Todos se sentem assim, ao menos uma vez na vida já se sentiram. O problema sou eu, somos nós e o nosso medo de arriscar, de acabar com o cotidiano e se aventurar sempre. É sempre o medo de viver...
            Enquanto me falta coragem, eu sobrevivo, porque viver é uma aventura que nem todos têm a coragem de enfrentá-la.

Ana Luiza Pereira

Apenas me abrace


Não quero nada.
Não espero nada.
Não planejo nada.
Não desejo nada.
Mas...
Apenas me abrace.

Me pegue de surpresa,
Desprevenida,
Sejais irmão,
Companheiro para a vida.
Mas apenas me abrace.

Estar envolta dos seus braços
É a segurança que procuro.
Me aquecer com esses braços
É o calor que desejo.
Apenas me abrace...

Espante todo o mal do mundo,
Todos os problemas da minha cabeça
Tudo que possa me atormentar,
Me abrace!

Você é o refúgio,
O porto seguro,
A calmaria,
Então, me abrace!

Passo horas esperando,
Horas contando,
Horas sonhando...
Me abrace!

Me deixe chorar,
Por ti consolar,
Me acaricie...
Mas não esqueça; me abrace!

Posso não querer,
Posso não esperar,
Posso não desejar,
Posso não planejar,
Mas posso sonhar a cada momento...
Sonhar com seus braços...
Me abrace!

Ana Luiza Pereira

Everything will be alright


"EVERYTHING WILL BE ALRIGHT" - diga isso ao meu coração e não a minha mente. É ele que você despedaçou… É ele que me faz chorar todas as noites, é ele que sangra, é ele que não dorme. Sou um fantoche dele. Meu pensamento já se conformou, fostes e não vás voltar, ponto. Tento acreditar que “Tudo vai ficar bem”, mas não diga isso aos meus pensamentos, mas ao meu coração. Ele não se conforma e não quer a sua perda, ele quer você aqui ainda… Para ele o tempo parou no fim e o “Tudo vai ficar bem” são meras lembranças doloridas de você aqui.

Ana Luiza Pereira

A real brincadeira de polícia e bandido


Venho hoje lhes contar uma história real e dramática, cotidiana até. Mas que poucos sabem suas verdadeiras razões, o verdadeiro passado desses dois personagens.
Rio de Janeiro, confronto de polícia e bandido na favela, troca de tiros, balas perdidas para todos os cantos. Corpos estirados no chão de inocentes ou não, repórteres gravando tudo para passar na televisão brasileira da forma mais sensionalista possível. Uma pessoa, esguia mais rápida, procurava um alguém durante o tiroteio.
Invade a casa, um bandido se despedia da sua mulher e seu filho de colo. Os dois se enfrentam no olhar, a mulher sabia que aquele policial doce que já viera visitar a sua casa não estava ali, ela chorava perante o fuzil apontado ao seu marido e sabia que ali seria o fim.
- Foge. – disse o policial à mulher. Ela, aos prantos, sai da casa e deixa polícia e bandido a sós.
- O que você quer? – pergunta o bandido ao policial.
- Que você se entregue.
O bandido riu de deboche e respondeu:
- Nunca.
- Você nunca vai conseguir sair vivo daqui... Todos estão aqui com ordem de matar, você se entregando é a única saída de sair vivo e continuar a ver sua mulher e seu filho.
- Prefiro morrer...
- É isso mesmo? Você é peixe pequeno! Olhe pra você! Só te deram uma calibre 42 e nenhuma proteção! Você por muitas vezes parou no hospital entre a vida e a morte, na cadeia, é foragido e quer mesmo continuar sendo peão de traficante grande?
- Deixe de blá-blá-blá! Você que é o cheio da grana, empresário e policial! Você que tem família, amor e luxo e quer mesmo tirar o pingo de orgulho que ainda me resta com este discurso sobre minha vida? Qual é a moral disso tudo?
- Eu quero é te ajudar!
- Não preciso de sua ajuda... – interrompeu o bandido.
- Essa é a terceira e última vez... Se entregue! Eu pago seu advogado, logo você estará livre novamente!
- NÃO! E quer saber? Cansei dessa baboseira... – disse o bandido apontando a arma ao policial.
O policial ri.
- Você sabe que meu colete aguenta tiro até de fuzil...
- Quem disse que meu tiro será no peito? Acertarei a sua cabeça!
- Se assim desejas... – disse o policial apontando o fuzil também.
Segundos depois, ouve-se o disparo.
- Eu disse que meu colete aguentava tiro desse calibre... – disse o policial retirando a bala do colete.
Ele olha para o corpo estirado naquela sala, abaixa para fechar-lhe os olhos e com lágrimas nos olhos diz:
- Adeus irmão...
O policial ficou ali, do lado do corpo do seu irmão traficante a chorar e a se lembrar do passado. Lembrou-se que os dois foram separados quando ainda eram muito pequenos, o traficante ficou com a mãe por ser bonito e ele com a tia paterna, só foram se reencontrar anos mais tarde quando os dois tinham seus caminhos já trilhados. Um era um viciado e traficante e o outro era policial e dono de firmas junto com a esposa. Um fez de tudo para ajudar o outro, mas o irmão só queria as drogas e a bandidagem. Os dois sabiam que essa brincadeira de polícia e bandido teria um fim, e trágico...
O policial foi achado ali, naquela casa, não mais chorando, mas ele sabia que não tinha condições psicológicas de continuar com a operação.
No enterro do irmão, todos compareceram, mas poucos choraram. A culpada disso tudo estava lá também. A mãe que só ficara com os filhos mais belos e que não lhe dera amor o suficiente para que eles fossem homens e mulheres de bem.
Eu também estava lá. Presenciei cada palavra do depoimento do irmão abalado e choroso, da mãe fria, da tia consoladora e da esposa desesperada. E é por isso que eu digo, meus caros leitores, essa brincadeira de polícia e bandido de hoje em dia é perigosa e trágica demais para as famílias de bem.


Ana Luiza Pereira

Trecho de Mulher no palco (escrito por Lya Luft)


Num fino traço
faço o perfil de ninguém.
Quem quer ser alguém
nessa vida sombria
parida com sangue e papel?
Mas no círculo que traço,
nariz, cinco dedos na ponta de um braço,
donzela esguia ou boneco engonço,
limito um novo ser: e me abraço
a mim, o poder de gerar um sinal
que instaure no nada o todo possível.

Quem faz de nós reis, deuses, réus
da nossa contradição?
No texto que faço
separo o nada do nada:
abro o espaço
da minha interrogação.

Lya Luft
Trecho do livro Mulher no Palco, escrito e m 1984.
(Imagem: Lya Luft)

Discernimento na escolha


Eu sei o quanto é difícil escolher. Mais difícil ainda é ter discernimento para seguir em frente apesar das complicações e dores.

É mais difícil ainda é possuir discernimento quando se trata de coração. Se calar para não estragar a felicidade alheia? Boa sorte na sua carreira de mártir! Julgo o silêncio pior do que a situação estranha dos seus sentimentos escrachados na cara de quem você ama.

Na verdade, qualquer uma das situações são bastante constrangedoras, mas são inevitáveis! O que fazer? Lutar. Afinal, é apenas mais uma prova que a vida nos põe... É necessário passar por muitas travessuras da vida para ter as gostosuras.

Ana Luiza Pereira
Dedicado ao meu amigo Kérisson.

Seja o sofredor!


Engraçado como pessoas amam brincar com outras, seus sentimentos, conceitos e confiança. É divertido? É legal? Seja aquele que sofre no final! Sabe, falo logo a verdade; só conhecemos a verdadeira face de uma pessoa quando você se afasta dela. Quando nos aproximamos demais, nós idealizamos demais, não porque queremos mas porque o coração "pensa" que essa pessoa é digna da confiança. Até você cair... Eu prefiro pensar que é um ciclo vicioso, sem fim e com 'finais' um pouco diferenciados, mas a mesma dor e a mesma história... Estou sendo falsa? Meça suas palavras antes de compará-las as minhas. Quando souberes o que é estar na pele de um sofredor, quem sabe, você poderá argumentar que nem homem? Não sei... Só o tempo sabe!

Ana Luiza Pereira

Tentando ser uma fênix


Meu coração dói, minhas lágrimas caem, mas eu não me importo mais. Estou fria. Sabia que aconteceria! Eu avisei... Você não ouviu e quem arcou com as consequências fui eu. Culpa minha? Não, mas sua também. Estou desolada, chorando pelos cantos e você nem aí. Você está feliz seguindo a vida, que bom para você! Eu estou fria com ela... Quero algo que me faça esquecer, ou que me ajude, só quero que tudo volte ao seu normal... Do limite? Já passei. E, agora, ao começo voltei. Tenho que ser fênix, me destruir para me reconstruir e voltar a viver...

Ana Luiza Pereira

Monólogo do silêncio


            Meu silêncio é a minha fatalidade, minha morte intrínseca, minha loucura revolta, minha adorável seca de carinho, total falta de amor, e uma pitada de falta de pudor...
            Não entendes? Eu morro e renasço na ausência de palavras ditas, escritas e atuadas; suas e minhas. Elas me apunhalam e curam; são complexas, vívidas e reais. Enlouqueço, revolto-me sem suas palavras, berro em silêncio sendo esta revolta confundida nas lágrimas. É um silêncio seco, que você não entende que é pura apelação minha pelo seu amor e carinho... Nesse momento, perco o pudor chamando a atenção já que palavras são gastas, o silêncio não é entendido e os atos... nem adianta! Você nem olha, não é?
            É nesse silêncio misto que grito e... PELO O AMOR DE DEUS, ME OUÇA! Meus olhos estão esgotados, as palavras engasgadas; eu tenho que dizer! “Eu te amo!” – e o grito do silêncio sai como sussurro de palavras atropeladas e lágrimas borrando palavras escritas.
            Morri. Você não me ouve, não adianta mesmo! Logo renasço... O silêncio me mantém – por mais que você não saiba ouvi-lo.

Ana Luiza Pereira

Ser criança...


Não se determina uma criança pela idade, muito menos pela maturidade e experiência. Há crianças que são mães, pais, avós, tias... Amadureceram porque a vida obrigou, mas não deixam de ser criança.
Não se julga um idoso pela idade e experiência. Idoso também é criança! Todos o somos. Podemos não ter idade o suficiente para jogar bola na lama, brincar de boneca ou lembrar os tempos de “escravos de Jó”, mas ainda continuamos crianças.
Podemos ter perdido a inocência pura e doce, a crença que tudo vai ser melhor no dia de amanhã porque o realismo nos obrigou, podemos ter parado de chupar dedo, mamar na mamadeira, fazer xixi na cama... Podemos até ter aumentado de tamanho e criado rugas, mas, ainda assim, continuamos crianças.
Não faz sentido não é? Pois, então, desvendarei o paradoxo que confunde sua cabeça, leitor: ser criança não é ser imaturo, não é brincar na rua, não é ser doce ou inocente; ser criança é ser feliz.
Ser criança é, de fato, sonhar e persistir no seu sonho, crendo que um dia ele será real até de fato o ser. Ser criança é sorrir, chorar, amar... Ser criança é ser você, sentir o que você sente e não se esquecer de agradecer a Deus por ter uma eterna criança dentro de você que não há tempo algum que poderá apagá-la.

Feliz Dia das Crianças!

Ana Luiza Pereira

Codinome: filho(a) da puta!


Nome: ciúme Codinome: filho da puta.
Nome: distância Codinome: filha da puta.
Nome: inveja Codinome: filha da puta.
Nome: criancice Codinome: filha da puta.
Nome: mentira Codinome: filha da puta.
Nome: traição Codinome: filha da puta.
Nome: raiva Codinome: filha da puta.
Nome: impulso Codinome: filho da puta.
Nome: coração partido Codinome: filho da puta.
Nome: depressão Codinome: filha da puta.
Nome: saudade Codinome: filha da puta.
...
Nome: o(a)seu(ua) ex-namorado(a) Codinome: filho(a) da puta.
Nome: o(a) seu(ua) atual namorado(a) (que não sou eu) Codinome: filho(a) da puta.
Nome: o(a) seu(ua) futuro(a) namorado(a) (que não será eu) Codinome: filho(a) da puta.
Nome: a(o) idiota que roubou o meu coração e me deixou aqui. Codinome: filho(a) da puta.
...
Enfim,
Nome: amor Sobrenome: você Codinome: filho(a) da puta!

Ana Luiza Pereira

Quero um amor...


Quero um amor sem idealizações,
Sem aquele "desliga você primeiro...",
Sem o "você é bonita demais para mim!"

Quero um amor com coragem,
Com audácia de dizer se estou gorda ou se estou feia,
Com diferenças para discordarmos e respeitarmo-nos.

Quero um amor que não se desgaste,
Que o tempo não ultrapasse,
Um amor sem limites de vida ou morte.

Quero um amor com ternura,
Feito como na criação Divina,
Um amor que compreenda e não julgue.

Quero um amor sem dores,
Amor sem vingança,
Amor com ardores daqueles que amam!

Quero o amor ideal,
Um sonho de amor que não encontrei em vida,
Um sonho do "até que a morte nos separe"...

Ana Luiza Pereira

Anjos da guarda


Sabe, eu acredito que em vida passamos pelas mãos de vários anjos.
Podemos não ver as suas asas, mas eles as têm.
Podemos não vê-los sempre, mas eles sempre estão ali.
Podemos até esquecê-los, mas eles não se esquecem da gente.
Podemos não saber, mas eles sempre zelam, protegem, vigiam e guiam a gente.
Podemos nos perguntar o porquê de estarmos sozinhos, mas eles sempre estarão do nosso lado.
Podemos chorar sempre, eles sabem afagar nossas angústias.
Podemos sorrir sempre, eles serão os motivos ocultos desses sorrisos.
São o amor e o carinho deles que nos dá o bem-estar necessário para vivermos felizes.
E felizes para sempre.
Ao durável infinito do agora, o zelo daqueles que nos guiam é o zelo daquele que nos quer bem.
A eles, eu agradeço de terno e humilde coração;
Obrigada, meus anjos da guarda!
Obrigada, meus amigos!

Ana Luiza Pereira

Garota ideal


Quem é a garota?

Digamos que ela fez um milagre em mim...

Quem é a garota?

Feliz com os amigos, quieta sozinha...

Quem é a garota?

Carinhosa, protetora, linda e romântica...

Quem é aquela garota?

Ela me fez cair aos seus pés com essa paixão avalassadora!

E agora?

A quieta me deixou aqui, enquanto ri com as amigas.

Me declaro?

Não. Serei um idiota...

Fico quieto?

Não. Serei masoquista!

O que faço?

Não sei... 

Nesse paradoxal de incertezas, a certeza que eu tenho é: 

Minha linda idealização de garota, eu te amo!

Ana Luiza Pereira

Inesquecíveis e adoráveis


Se eu fosse escrever uma(s) palavra(s) que me lembrasse a felicidade, essa palavra seria(m) seu(s) nome(s). 
Cada momento que passamos foi especial e feliz, cada segundo, cada encontro e reencontro... 
Não importa como eu esteja, você me anima.
Posso estar aos trapos, você nem se importa.
Não importa se eu choro, você me dá o ombro e me faz sorrir.
Posso estar de bem com a vida, você estará de bem comigo.
Não importa o quão irritada eu esteja, você sabe dos meus motivos.
Posso estar de mal com a vida, mas você compreende, ou tenta compreender, os porquês.
Ouvinte, compreensivo(a), conselheiro(a)...
Não importa como eu seja, você me aceita.
Não importa como você seja, diferenças é que nos faz felizes e de bem.
Somos assim, especiais um(a) para outro(a), importantes, infalíveis.
Inesquecíveis e adoráveis irmãos(ãs) de famílias diferentes:
Somos apenas amigos(as).

Ana Luiza Pereira

Complexidade de perdas


Se penso; existo.
Se existo; me busco.
Se me busco; uma hora me acho.
Enquanto não; me perco. 
Perco-me na melancolia, estupor, paixão, tristeza, vida e morte de palavras dos textos que me convém a escrever.
Infinitas possibilidades de perdas e encontros se há em palavras feitas de ações ou emoções completas ou não.
Inifinadades de definições incompletas por auto-biografias confusas não consistentes a de um dicionário.
Somos humanos, sujeitos a falhas.
Somos humanos, aqueles que pensam e criam palavras mais falhas...
Afinal, se penso, existo e me busco, por que não pensar, existir e me buscar me perdendo no mar de sentimentos tentando serem descritos num oceano de palavras?

Ana Luiza Pereira

Patience - Aprendendo a viver


Mais uma tarde de julho nas montanhas. O inverno rigoroso me fazia apelar para as mais grossas roupas que tinham no meu armário.
Com um chocolate quente na caneca, retirei-me para a varanda onde estava meu marido, um cobertor, uma rede e um violão.
Ofereci-lhe um pouco do chocolate enquanto eu me cobria e me aconchegava ao seu lado na rede. Após sua golada no chocolate quente, ele voltou a tocar seu violão.
Nossas vozes se cruzaram na melodia suave de “Patience”. Ele cantava para mim enquanto eu me recostava no seu ombro. Eu cantava para ele enquanto me esquecia do chocolate quente em meu colo. E nós cantávamos para natureza que nos observava enquanto nós olhávamos seus vários tons de verde, marrom, azul, violeta... Ele fazia o ritmo da música com suas mãos a se encostarem levemente no violão velho e a natureza, sempre cúmplice de dois amantes, nos dava a melodia, a paz, a harmonia, enfim, tudo que precisávamos.
Eu podia não ter a vida perfeita, eu podia não ser perfeita, eu posso até não saber o que é perfeição, mas aquele momento chegou bem perto. Simples momento que afagou meu coração e marcou minha memória. Eu podia estar ali, nas montanhas, tentando fugir do mundo, da cidade, da monotonia, mas eu fugia do caos, da confusão, da armadilha que é viver.
A verdade é que eu busco uma maneira de ter a vida perfeita e sem estresse, mas respostas eu não possuo. Sempre enjoamos de algo, sempre brigamos e queremos algo, é a nossa humanidade cair e continuar lutando. Mas, uma coisa que eu aprendi, é que o que constrói seu caráter não é a quantidade de quedas, mas a quantidade de vezes que você levantou e continuou a viver.
A vida nos ensina sempre algo novo a cada dia, às vezes, não conseguimos aquilo que almejamos por não estarmos preparados ainda para suportar as dores. Eu sei... A vida sabe o que faz conosco.
Eu posso não ter a vida perfeita, mas eu tive uma ótima família e estou construindo a minha, tentando passar a ela tudo o que eles (a família e a própria vida) me ensinaram. Posso não ter amigos perfeitos, mas, para mim, eles são os melhores nos termos ouvir, aturar e aconselhar. Posso não ter o companheiro perfeito, mas ele, com certeza, é um ótimo companheiro para a vida toda.
Se perfeição existe, ela passa bem longe de mim e da minha vida. Mesmo assim, não reclamo dela. Vivo otimamente bem e tento aprender tudo o que a vida tem a me ensinar. Posso não ser a melhor aluna, mas tento ser boa em aplicar o que ela já me ensinou.
Posso até me entristecer às vezes com a realidade, posso até recorrer à imaginação de vez em quando, mas não posso fugir da vida. E, por mais que eu tente saber qual o sentido dela ou o porquê que ela nos ensina tanto, eu sei que não irei encontrar. Seu sentido é ser vivida intensamente com a ordem de sermos nós mesmos a todo o momento e eu sei que, às vezes, o viver nos pressiona quando somos nós mesmos. Ainda assim, não desisto da vida porque momentos como estes, que nos faz pensar e refletir em tudo que passamos, são únicos.
As dores podem passar, as lágrimas podem secar, os sorrisos podem se fechar, as vozes podem se calar, mas, ainda assim, a vida tenta nos ensinar a viver, e a viver bem consigo mesmo.
Podemos ser péssimos alunos e só descobrirmos no leito de morte, ou podemos descobrir enquanto vivemos pequenos momentos de quase perfeição com quem você ama e se importa.
Aprendi ali que a vida requer paciência, como diz a música; a paciência de aprender, a paciência para aquilo que você sonha comece a acontecer, a paciência de se descobrir e reinventar, a paciência de amar, a paciência de descobrir o que você realmente precisa, a paciência de fazer dos pequenos momentos os mais memoráveis... Muita paciência.
Os últimos acordes do violão me fizeram voltar à realidade fria da tarde de inverno. Sorri ao meu marido e agradeci. Ele ficou curioso em saber o porquê do agradecimento, mas eu nada disse. Em meu interior, agradecia a natureza por ser cúmplice da minha vida e dúvidas, por ser minha amiga e aturar meus momentos de desespero, quando eu rogo aos céus e a vida respostas para a minha confusão. Agradeci, também, a Deus e à minha família, eles puderam não me dar tudo o que eu queria, mas me deram tudo o que eu precisava para eu ter o mínimo da perfeição.
Só agora eu enxergo o quanto minha vida foi perfeita, por mais altos e baixos que ela continha, por mais lágrimas e sorrisos, e agradecia.
Amanhã? Amanhã eu volto à realidade. Afinal, viver não é um sonho realizado numa tarde nas montanhas, mas uma batalha constante entre o ser você mesmo e a pressão de sempre aprender o que a vida quer te ensinar.

Ana Luiza Pereira
Feito no dia 25/06/2011.

Pontos de amor


Você diz: Eu te amei.
Eu digo: Eu te amo!
Você diz: Te esqueci.
Eu digo: Não consigo te esquecer!
Você diz: Oi amiga(o).
Eu digo: Oi amor!

E nessas reticências da vida percebemos a nossa diferença; você deu um ponto final a tudo enquanto eu vivo nas exclamações de um amor acabado. Enquanto vivo o presente do fim, exclamando por um ponto final dito por ti; você já virou a página, está em outra, exclama por um alguém que não sou eu... Dói, fere; pontos e vírgulas pontuam uma relação que teve um início lindo, meio conturbado e final trágico. Feridas ilusórias estão abertas por estes pontos. Quem poderá curar-me do amor se o amor-remédio me fere? Irei saber, irei viver na medida dos pontos que pontuam nossa vida, na medida das reticências do desconhecido amanhã...

Ana Luiza Pereira

Meu eu


Queria ser apenas um emaranhado de palavras que sinto, vejo e sou. Mas não. Sou lembranças, sou confusão de disse e não-disse, eu sou um pouco de você mesmo sendo ainda a mim mesma. Sou apenas um humano com suas imperfeições, procurando a perfeição onde não existe e perdendo a paciência quando a vida tenta te ensinar a tê-la.

Ana Luiza Pereira

Janela


Se a vida fosse um passeio; seria de carro nessa cidade. Vemos de tudo um pouco; felicidades, atrocidades, tristezas... Mas sempre sentados, cansados, observadores de uma vida numa janela de vidro. Até quando iremos nós ver a vida passar pela janela de nossas almas?

Ana Luiza Pereira

Debuxo de escombros


Estou aqui. Com papel e lápis a refletir no debuxo de meus sentimentos falhos traduzidos friamente em palavras. Não tente inicialmente entendê-los; só quem já sentiu reconhece as minhas palavras e as aplaude de pé. Aos outros, intrigo a imaginação e o pouco de senso crítico que nos resta.

Não quero parecer insana, muito menos idiota. Mas sim, sou uma sonsa. Por quê? Amor.

A quem quero enganar? Minhas lágrimas são invisíveis, meu sofrimento intrínseco, minha tristeza é reprimida... Não é por que eu não demonstro que eu não sinto, mas todos já sabem.

Às vezes parece que a vida te dá esperanças para arrancá-la toda, e mais um pouco de teus sonhos, de volta... Você, meu bem, me dá esperanças e me retira do gozo delas em um piscar de olhos. E eu? Choro. Que mais eu hei de fazer? Não tenho mais forças para lutar...

Sei que preciso de um tempo para mim, te esquecer e me afastar. Mas você é a droga mais viciante que já provei. Eu simplesmente não consigo entrar em abstinência de ti sem a depressão. Então, por escolha própria, prefiro morrer aos poucos de amores.

Se amor é uma bomba-relógio? Com certeza. Explode as emoções ao acontecer e só nos deixa os escombros. Por que somos nós sempre os soterrados sobreviventes? Se eu ao menos pudesse ter parado o relógio antes de sua explosão... Atrocidades, acidentes, fatalidades sempre irão acontecer. Bombas-relógios como atentados de um(a) terrorista também, infelizmente.

E nos escombros destes rabiscos, volto a por a mão no queixo a refletir na minha sobrevivência deste amor. Reconstrução? Sem chance, perda total. Mas o que é a vida sem os escombros macabros do passado? Sem a mudança e as bombas-relógios momentâneas? Respondo-te com maior prazer, amigo; nada. A mudança vem, inevitavelmente - sem pretensão ou previsão -, aceitá-la é uma obrigação, um fato. Não devemos temê-la, afinal, quer maior bicho-papão do que os escombros vosso passado?

Ana Luiza Pereira

Magia das palavras não ditas


Estou perdida. Num emaranhado de escritos e palavras não ditas. A música melancólica eleva a melodia da depressão. 

É uma floresta, negra, sem fim. Um cubo mágico sem portas onde tudo é branco e o que não é - é insano. 

É nostalgia de palavras há muito esquecidas, palavras de afeto que hoje machucam feito espinhos de rosas. E as pétalas - lágrimas, emoção. 

Um estupor por nada acontecer me toma, a melancolia já passara como um raio ardente e me deixou lembranças. Agora, a paixão me visita. 

Palavras vistas e expressadas sem serem palavras me tomam. Cada um quer me contar algo mas não sabe de que forma. Uma sensação quase orgástica pela raiva expressada ao bater dos pés... Tudo era dito no silêncio, sem palavras descritas. Tudo era expressado da maior maneira por fotografias e lembranças, textos visíveis sem palavras. 

Era rico, era detalhado, era um teatro mágico de amores sem fim. Era duvidoso, lindo, um espetáculo de emoções e música. Era TUDO; atrizes, atores, autores, eram personagens vivos dizendo sem palavras, expressando, sentindo... Era mágico o que via. O que via era a dança.

Ana Luiza Pereira

Uma pequena história de amor


Há muitos anos te escolhi,
Com as décadas te perdi,
Nos tempos procurei,
Em outrora, não te achei
Nos braços das épocas adormeci.

Para estradas voltei,
No caminho te encontrei,
De tudo falei
E você - estranho - se escondeu
Na noite, no breu,
Sozinha - coitada! - fiquei.

De novo, te vi.
Os teus versos de pé aplaudi,
Você me reconheceu
E não se esqueceu
Da louca que quis o bem para ti.

Em casa me enclausurei,
No fundo chorei
De amores por ti
E de ciúmes que senti
Nos braços de outra te encontrei.

Ainda não esqueci
Do garoto que encontrei,
Dos olhos que me perdi,
E da cabeça que afaguei.

Será que um dia eu irei
ao acaso poder
encontrar-te novamente
e no seu amor me perder?

Ana Luiza Pereira

Minhas palavras


Um emaranhado de escritos, é isto que sou. Um emaranhado de palavras ao vento que nem todos que quero que me ouçam, ouvem. Sou muitas palavras andantes modificadas pelo tempo, num nexo inexplicável que só a mente de um ser como eu possui. Sou um incomum comum, homem vivo que respira as palavras que mesmo diz. Sou uma lembrança de palavras ditas de alguém que tive afeto. Sou páginas envelhecidas com o tempo de palavras em busca de sua reciprocidade. Sou vivo, sou palavra, sou o vento que as leva, sou o livro que você lê, sou lembrança, sou simples: sou autor.

Ana Luiza Pereira

O espelho


Começo a pensar desta vez que a vida é um espelho. Suas contradições e contratempos nos levam a crer que nada do que queiramos será conseguido. Mas como todo o bom espelho, a vida reflete tudo ao contrário, se desejamos algo, seus contratempos fazem-nos acreditar que está tão distante que nos é impossível. Mas não. A vida quer ser conquistada. Ela pode ser um espelho de contratempos, mas também é uma luta e escola de ensinamentos conquistados ao decorrer de um dia. Contratempos existirão sempre, espelhos são imagens refletidas ao contrário, mas são imagens virtuais de uma coisa real: seus sonhos, desejos, sentimentos. Coisa mais real do que isso? É você enfrentar seu espelho e dizer com toda a força: eu consegui!

Ana Luiza Pereira


Ciclo de carinho


Mãos como brisa num rosto tranquilo num colo feminino reconfortante. O cafuné o tranquilizava e a presença dela davam a ele total segurança.
- Como um bebê no colo da sua mãe protetora. – brincou ela.
Ele sorriu sem graça e encostou seus lábios nos dela num selinho bem suave.
- Eu te amo. – disse ele na maior paz do mundo, num sussurro sem desencostar os lábios. Ela sorri e o beijo começa...
Os corações aceleram e a respiração ofegante não atrapalha o beijo apaixonado do casal. A concórdia de dois corações pulsando no mesmo ritmo da paixão os aproximavam. Os dois eram um, num amor infinito no instante de um beijo.
- Eu te amo... – sussurrou ela no ouvido dele após o caloroso beijo.
E a cena de amor e paixão recomeça na tranquilidade dos corações pulsantes num carinho expressado por mãos femininas.

Ana Luiza Pereira


Siga!


E o arrependimento bate...
Para mim,
ainda estou sonhando o pesadelo
que te contava
e você não acreditava.

Tudo é real...
Queres provas a mais disso?
Afinal, o que queres de mim?

 Foi preciso que você esteja no meu lugar para acreditares...
Acredite em si agora!
Acredite na sua escolha...

Siga!
Você vai se arrepender se parardes no meio.
Siga!
Porque o futuro ainda reserva muito mais coisas para a gente.

Foi preciso cair para se levantar me amando,
 será necessário levantar para parardes de me amar?

Você que não fala por si,
você que deixa sua confusão te guiar para caminho algum,
siga!

Vá à escuridão que a confusão te aguarda.
Siga até os confins de seu mundo malévolo
para achardes a resposta:
tudo isso é real.

Acredite!
A vida segue seu rumo de suas crenças...
Acreditas?
Conseguirás!
Não acreditas?
Pararás!

Siga!
O futuro ainda lhe reserva a surpresa...
Surpresa e mistério: viva e ame.

Ana Luiza Pereira


Saudades


Saudade é um sentimento que te aperta. Faz com que você chore não fique bem... Saudade te faz ter nostalgia da infância que não se tem mais no hoje em dia, te faz lembrar os risos, sorrisos e loucuras... Saudades é aquele sentimento que te faz querer voltar no tempo, só para reviver cada história marcante. Ter saudades é bom, porque significa que alguém já marcou a sua vida dizendo coisas simples, fazendo coisas simples, mas que te fizeram bem, coisas que nunca esquecerá, porque a memória esquece mas o coração não apaga.

Ana Luiza Pereira
(Homenagem aos 5 anos sem Dona Dora - minha avó)


Desvendando a depressão


            Depressão é como um poço quase sem fundo. Só quem está dentro dele sabe o que sente: a tristeza que te domina, as lágrimas que não cessam, a dor que te sufoca...
            Depressão por causa de amor é a pior. Arrancam seu coração como uma flor na primavera. Dói ter raízes meio podres meio vivas como lembranças. Até que você planta outro coração, cuida, ele cresce e alguém arranca. Sementes de coração regado de lágrimas de depressão...
            Viver com depressões de amor é como um ciclo vicioso da vida: quando você acha que é o fim para sempre, você se reergue, sorri, vive; até amar, se entregar e cair; cai, se entristece, chora, lembra, dói... Vai caindo, caindo, caindo... Até ver uma mão amiga estendida para te levantar, até cansar – e o ciclo volta.
            Dor de amor é apenas um dos altos e baixos da vida. E é a dor e a depressão mais conhecida de todas. Porém, há outro fato que todos sabem: só quem esteve é que consegue falar sobre.           E nada de preconceitos. Sim, 90% dos humanos depressivos tem tendências suicidas, pois não acham uma saída dessa tristeza que os corrói e se desespera. Taí! Desespero e tristeza, as almas da depressão.
            Conseguir superar isso sem cicatrizes é quase impossível. Você não vê saída apenas sombras, escuridão, tristeza, dor, lágrimas. Você se afoga nas lágrimas que descem do seu rosto perguntando-se o porquê, mas não obtém resposta. Não há reciprocidade desse sentimento com ninguém, você vê que está só num mundo de bilhões de habitantes. Você se corrói e se corrompe, e deixa acontecer...
            Depressão é um estado de espírito – um dos mais tristes – e o pior para se conseguir superar...
São nessas horas que existem anjos – amigos –, pessoas que te querem bem, estendem a mão e te fazem sorrir. São elas que fazem de você um não-solitário, por mais triste que ainda esteja. São por elas que você percebe que vale a pena de viver, mesmo com dores e cicatrizes, são por esses anjos que te levantam sempre nas quedas que você acorda para vida e aprende que tudo é passageiro. E depressão também é...

Ana Luiza Pereira
para Luan Santos Figueiredo.


Minha nostalgia


Minha nostalgia de ser...
Minha nostalgia de poder...

Minha nostalgia de estar...
Minha nostalgia de encarar...

Minha nostalgia de parecer...
Minha nostalgia de adormecer...

Minha nostalgia de sonhar...
Minha nostalgia de realizar...

Minhas nostalgias de criança
Minhas doces nostalgias de danças

Bonitas e reais
Nostalgias, eu te quero de volta e mais...

Ana Luiza Pereira


Cartas para você (letra de Nx Zero)


Eu tento te esquecer
Mas tudo que eu escrevo
É sobre você

Eu não posso me enganar
Fingir que estou bem
Porque não estou

Preciso de você
Preciso de você
Essa noite

E hoje estou aqui
Só pra te cobrar
O que você disse
Que iria ser pra sempre
Mas não foi assim

Agora o que me resta
Escrever nessa carta
Pra lembrar...

Eu passo tanto tempo
Só te procurando
Em um outro alguém

Mas não posso me enganar
Sinto sua falta
E ninguém pode ver

Preciso de você
Preciso de você
Essa noite

E hoje estou aqui
Só pra te cobrar
O que você disse
Que iria ser pra sempre
Mas não foi assim

Agora o que me resta
Escrever nessa carta
Preciso de você

Nx Zero