Um Diário De Uma Alma - Eternidade


Uma mão me puxou.
- O que pensas que estás fazendo? – disse a mesma voz.
Virei. Era Radamanto.
- Apenas indo ao meu destino... São Pedro não me deixara entrar. Eu falhei Radamanto. E meu destino de fracassada é no purgatório. – disse.
- Tem certeza que falhou? – disse ele apontando com a cabeça para as suas costas.
Pude ver São Pedro acanhado de vergonha, como ele tivesse cometido um grande erro.
- Desculpe-me, Kara. Devia ter aberto os portões para você. – disse ele de cabisbaixo. – Eu não sabia... Eu não vi... Azui...
- Deixa para lá, São Pedro. – disse. – Você já foi humano e humanos erram de vez em quando. – disse e sorri.
Ele sorriu de volta.
- Mas o que aconteceu? – perguntei curiosa.
- Deus mostrou-me seu sofrimento no purgatório e a luta de Uriel para salvá-la. – respondeu São Pedro.
- Ah... – suspirei. – E Uriel? Ele está bem? Não aconteceu nada com ele, né? – perguntei. Se algo acontecesse com o meu benfeitor, me culparia pelo o resto da eternidade.
- Logo virá. – disse Radamanto num sorriso orgulhoso.
Sorri em resposta. Até que lembrei...
- E Kaique? Ele está bem? Onde ele está? – perguntei desesperada por notícias.
- Ele está bem e ainda está desacordado. Parece que apenas sua presença perto poderá reavivá-lo. – respondeu-me São Pedro.
- Vá! Seu amor lhe espera... – disse Radamanto.
Abri um grande sorriso.
- Obrigada. – disse e adentrei-me ao céu.
Logo pude sentir; a esperança retomava meu coração, eu o ouvia bater como nunca o ouvi antes, era calmo num ritmo alegre... Vi as nuvens abaixo de meus pés virar grama e terra, vi árvores se formar diante de mim, vi um campo tão lindo e tão iluminado que me senti em paz. A tal paz do paraíso... é, eu a senti.
- Kaique... – silabava a vontade de meu coração.
Eu chamava por ele, eu o queria... E só ali, naquele paraíso celestial, que eu pude tê-lo. “A vida nos reserva surpresas, a morte nos reserva lembranças... E o paraíso? Ele NOS reserva, porque logo este paraíso será pouco para o amor que eu tenho por ele.” – pensava a cada passo que dava. “Esse paraíso será nosso, meu amor... Nosso recanto, o nosso alento.”
Sentei-me ali. Eu estava cansada, mesmo não havendo cansaço algum naquele paraíso. “Ele vai me encontrar...” – pensei.
Abaixei a cabeça e comecei a rezar baixinho.
- Beatriz, para onde você foi? Eu acordei e você não estava por perto. – disse Kaique me procurando e vindo ao meu encontro.
- Não sou Beatriz, sou Kara. É você Kai? Os anjos não paravam de falar sobre sua vinda ao paraíso para ficar ao meu lado... – disse. Por um lado era uma mentira, tanto os anjos e os santos não acreditavam na conversão de um assassino frio, mas eu provei ao contrário. Os únicos que me deram esta chance de provar algo foi o arcanjo Uriel e o serafim Radamanto. Sim, ele era um serafim... Pude ver suas belas asas a voar para o inferno e salvar mais almas como a minha assim que passei pelos portões.
“Deus lhe abençoe, Radamanto.” – pensei enquanto o via voar.
Assim que voltei dos meus pensamentos e lembranças vi Kaique a chorar na minha frente. Seu choro era emocionado e seus olhos sorriam de felicidade por finalmente me ver.
Levantei e fui abraçá-lo enquanto ele ainda estava ajoelhado a chorar. Será que ele havia finalmente entendido quem eu era? Não importava. Meus desejos de seu abraço estavam sendo supridos finalmente.
Acariciei sua cabeça. “Não chore, meu amor...” – pensava.
Ele me olhou. Suas lágrimas estacionadas ainda percorriam seu rosto sofrido, mas o rosto que eu amava.
Aproximei-me. Eu estava com medo, admito. Mas não medo do mal, mas medo da eternidade... Será que ela supriria minha saudade? Será que eu irei me enjoar? Será que... Não. Não podia pensar naquilo. Senão, como viveria? Certos momentos são feitos para serem apenas sentidos e não calculados. Esse era o ideal.
Aproximei mais... até que eu pude encostar finalmente meus lábios nos dele. Um frio na barriga se estacionou, o medo ficou maior, mas eu ouvi coisas maravilhosas como sinos tocando (eu sei, cena típica de filme de Hollywood, mas foi o que eu ouvi, foi o que eu senti. Nem todos os filmes de adolescentes mentem... Tirei esta conclusão só depois de morta).
O impressionante é que logo passou. Eu me senti completa e segura quando ele me envolveu em seus braços e me puxou para mais perto. Pude sentir seu coração... “Concordium.” – pensei lembrando o que ele havia me ensinado em latim. “Corações batendo no mesmo ritmo... Não é mesmo que o nosso bateu igual?” – pensei sorrindo enquanto ainda o beijava. Se eu estava bem? Eu estava ótima! Se eu estou feliz? Sim... Eu estou feliz. Eu estou feliz por estar em casa (finalmente encontrei um "lar" para chamar de meu e, este, era ali: ao lado dele, em volta de seus braços, afagando-me em seus beijos...).
“Tomara que você sinta o mesmo que eu... E que esta eternidade, seja o suficiente para os nossos corações.”.

Fim.

Ana Luiza Pereira



2 comentários:

kaique Bruno Boga disse...

foi maravilhoso, sério.
eu nunca ia conseguir descrever algo assim,
naum sei explicar
...
foi perfeito!

Eu te amo muito Ana Luiza Pereira, e sim, pra sempre.

Vitor disse...

Ah, não sabia que já havia terminado D:
Só hoje fui ler os três capítulos antes do final, mas enfim, ficaram ótimos =D
Agora vai dar até saudade de acompanhar rs

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