Um Diário De Uma Alma - Céu


Acordei com um brilhante sol iluminando minha face. Seria um pesadelo? Eu estava acordando? Percebi que Radamanto estava a me fitar.
- O que houve? – perguntei.
- Minos tentou te matar para que você permanecesse no inferno. Mas não funcionou, sua alma realmente foi predestinada a ficar no céu. – respondeu-me Radamanto.
- Onde está Uriel? – perguntei me levantando. Percebi que o chão era de gramíneas verdes, ao redor havia árvores envelhecidas e grandes. Pensei por um segundo estar no lugar que estudo.
- Está vindo, ele foi buscar alguém. – disse Radamanto cortando meus pensamentos.
- O que fazes aqui? – perguntei.
- Deus quer me ver... – respondeu-me Radamanto sério.
- Boa sorte. – disse. – Agradeça a Ele por mim.
- Sim... – disse Radamanto indo embora.
Fiquei ali; no paraíso celestial. Vi almas de todas as idades rindo, se divertindo. Almas que tinham encontrado a paz.
Aquele não era meu lugar... Meu coração estava inquieto, sem paz. Se aquele era meu lugar, o lugar no qual eu fui predestinada a estar; faltava a ele alguma coisa... Faltava algo que eu não sei explicar o que é. Eu acho que lhe faltava amor...
Vi (não sei explicar o porquê ou como aconteceu, só sei que vi) a floresta que era chamada de paraíso desaparecer diante de meus olhos e o chão de terra batida e folhas secas virarem chão de algodão doce, como em desenho de criança, onde os anjos e santos estão nas nuvens de algodão...
- Kara... – disse uma voz reconhecível a me chamar.
Vir-me-ei.
- Vovó! – disse e meus olhos começaram a brilhar. Fui correndo abraçá-la. Seria possível? Era realmente ela? Eu realmente a encontrei?
Abracei-a com todas as minhas forças, meus olhos lacrimejavam. A saudade e a alegria, pela primeira vez lado a lado, emanando do meu ser e jorrando pelos meus olhos.
- Kara... – disse minha avó com voz serena.
Olhei-a. Ela estava como em meus sonhos, apesar das lágrimas me tirarem o foco.
- Kara, precisamos conversar. – disse-me.
- S-sim. – respondi aos soluços.
Começamos a andar... Se é que estávamos andando. Eu não sentia nada, a cada passo que dava, não existia chão! Será esta é a sensação de estar no céu: flutuar? Por um instante de profunda alegria, eu voltei a ver as árvores e as almas felizes. Pouco me importei com a dor da felicidade daquelas almas me causavam, eu estava completa! Ao menos por um segundo me senti assim...
Vovó me dizia que ninguém da Terra sabia a causa da minha morte e, por causa disso, culpavam minha depressão, culpavam o dono do meu coração.
- Como posso dizer-lhes que não é nada disso que pensam? Que ele é inocente? Como eu posso falar com ele? Pedir para ele viver? Como? Responda-me vovó! – essas perguntas me remoíam.
- Você não pode... – disse-me vovó.
Chorei. A linda floresta desaparecera novamente.
Vovó tentava me consolar, mas a cada palavra que dizia eu me lembrava das palavras de Lúcifer: ele iria morrer, e não conseguiria ir ao céu.
- Como eu posso ver as pessoas que amo? – perguntei numa tentativa desesperada de lembrar o seu rosto, de sua voz.
- Só há um jeito... – disse guiando-me pelas trilhas celestes de algodão.

Continua...

Ana Luiza Pereira


3 comentários:

Nelsonjd disse...

Adorei *O* Eu me pareço com o Radamanto? HUASHAHUSA

Vitor disse...

Lembrei dos Ursinhos Carinhosos na parte do algodão doce :B
Mas enfim, muito legal. O Diário está super \õ/

kaique Bruno Boga disse...

o mais legal do Céu foi a q vc encontrou a sua vó e eu imagino como vc deve ter imaginado a sua felicidade em falar dela e com ela( no texto)...

isso foi muito belo! :D

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