Um Diário De Uma Alma - Bola de Cristal

Logo vi um amontoado de almas juntas. Olhei a minha avó sem nada entender.
- Aqui se encontra uma bola de cristal, quando você a olha, consegues ver quem quiser, onde quer que este alguém esteja. – explicou-me.
- Posso ouvi-las também? – perguntei.
- Isso dependerá do seu coração.
Abaixei a cabeça. Será que matarei a saudade?
Entrei na fila de almas que esperavam ver seus entes vivos. Logo, chegou minha vez. Vi, primeiramente, meus pais e irmãos. Todos eles de luto, não acreditavam o que eu supostamente havia feito... Eles o culpavam, carregavam um ódio por aquele que eu carrego amor.
Chorei. Eles pensavam errado! Se ao menos soubessem... Se ao menos eu pudesse me comunicar e falar a eles que não foi por causa dele! “Meu amor por ele é o que me dava força a viver e não motivos para morrer...” Mas eles não acreditariam...
Logo minha visão mudou. Eu o vi. E o ouvi.
Ele estava acabado, havia olheiras de tanto choro em noites perdidas, ele havia emagrecido... Não me era mais familiar, apenas sua voz tristonha que continuava a mesma. Ele não conseguia sorrir... Ele não era o mesmo.
Ele estava na chácara distante com seu pai. Seu olhar distante, olheiras profundas puxa uma arma 9 mm e atira na sua cabeça.
Sim, eu o vi tirar sua própria vida. Eu o vi morrer por não achar mais razão para viver...
Estatizei. Não acreditava o que ele havia feito. Minha visão turva de lágrimas não me deixava ver mais ninguém, apenas via meu amor com poças de sangue ao seu redor e um furo na cabeça.
Bati na bola de cristal, não queria vê-lo assim. A bola caiu e rolou para longe de mim enquanto eu corria para longe do local.
Não acreditava no que ele havia feito. Ele não viria ao céu, tirar sua própria vida é pecar contra o Espírito Santo. Eu não o veria, nunca mais...
Parei longe das almas felizes, eu era A alma infeliz, e chorei. Minha avó logo estava ali me consolando.
- Eu não quero vê-lo sofrer pela eternidade! Não consigo vê-lo sofrer pela eternidade sem sofrer também! – disse aos prantos.
- Não podes fazer nada... – tentava me consolar.
- Posso pecar e ir ao inferno tentar encontrá-lo!
- Você é predestinada ao céu, Kara. Nada do que você faça, fará você cair ou ele subir... – disse-me vovó.
- Nem se eu pedir a Uriel? – perguntei.
- Isso não depende de Uriel, está bem acima dele! – respondeu-me.
- Eu posso ao menos pedir aos santos e anjos para rogar por ele, já que sou apenas uma mera alma...
- Quem sabe? – disse vovó.
Ajoelhei-me diante dela e comecei a rezar, a pedir a todos os santos sua salvação.
- Kara... – chamou-me. Era Radamanto. Ele estava acompanhado de Uriel.
- Sim... – disse.
- Venha conosco, os santos e o Senhor vos esperam. – disse-me.
Levantei-me daquele chão de algodão e fui.

Continua...

Ana Luiza Pereira


2 comentários:

kaique Bruno Boga disse...

q medo... o_O a chácara do meu primo (onde eu vou com o meu pai) era onde eu pensava em me refugiar na minha história q eu estou fazendo um diário de assassinatos! ; medo...

Ninha Luiza disse...

SABIAAAAAAAAAAAAA! Foi por isso que pus! u.ú

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