Um Diário De Uma Alma - Pecados


            - Não me chame assim, Uriel! Além do mais, não devo “favores” a você! Leve a ré! – disse Satã com voz grossa.
            Foi quando eu vi quem era a luz: Uriel – o anjo do elemento terra ou, como era conhecido na região celeste; “a morte de Deus”. Ele era moreno alto cabelo negro e encaracolado longo.
- Ela não vai a lugar algum! Sua criada Morte pegou a pessoa errada! Meu Pai a quer perto dele. Veja-a! Nem tens grandes manchas nesta pobre alma! – disse Uriel me defendendo.
- Seu “Pai” me expulsou do céu! – gritava ele - Logo EU! O filho mais perfeito que mais o amou!
- Todos têm chances perante o Pai...
- Ele nem, ao menos, me dera UMA! Me expulsara do recanto celeste por apenas avisá-lo sobre tais seres repugnantes, insignificantes e imperfeitos como os seres humanos QUE ELE MESMO OS CRIOU!
- Se és tão perfeito, por que decaíste desse jeito? Por mais que seja “perfeito”, às vezes, seu maior erro foi não pedir perdão por julgar antes de conhecer... Seu Pai iria perdoar! Assim como me perdoa em todas as minhas quedas e imperfeições. Seu Pai ama a TODOS, sem exceção, e da mesma forma. Eu sei que há muito mais nessa história que as bíblias contam... – disse eu.
- Cale-se já, seu ser insignificante! – disse Plutão apontando seu dedo mágico a mim. De repente, não conseguia mais falar, meus lábios estavam colados, minha voz não pronunciava mais nenhuma palavra.
- Pare AGORA Lúcifel! – ordenou Uriel.
Lúcifer desceu do seu posto de juiz supremo e olhou Uriel com ódio. Uriel respondeu aquele olhar a altura.
- Acalmem-se! – disse um dos três juízes.
Os dois deixaram o que eu imaginei serem suas posições de ataque.
- Por que não deixais a ré escolher aonde irá? Seria mais justo.
- Ou injusto! Todos os pecadores querem ir ao recanto de meu “Pai”.
- Deixe as palavras DELA escolher... Afinal, qualquer coisa errada faz com que qualquer ser humano desça aqui! – disse o juiz do inferno com um sorriso malicioso.
- Tudo bem Minos... – ele me olhou e estalou os dedos – Fale insolente!
Em um instante de segundo minha voz voltou, meus lábios se descolaram e eu podia me justificar normalmente.
Respirei fundo e comecei:
- Sei que sou pecadora; orgulhosa, controladora, persuasiva, mentirosa, preguiçosa, odiei, fui “mão de vaca”, invejei, quase me entreguei aos desejos da carne, omiti meus deveres cristãos e muito mais... Mas se ser feliz, ser justa, ser simples requer certos erros ou pecados, então, não me arrependo deles. Sei que parece egocentrismo de minha parte, o que é e SEMPRE foi um defeito meu, mas se é para deixar meus pecados e suas consequências felizes ou não deles de lado e simplesmente ir ao céu, então, sinto muito! Prefiro queimar neste inferno com o perdão de todas as pessoas que fiz sofrer. Estou tranquila. Para mim, tanto faz para onde irei... – disse.
- Resolvido! A ré escolheu permanecer no inferno. – disse Minos.
- Kara, você está vendendo a sua alma a eles desse jeito... É isso que quer? É que sua avó quer a você? – perguntou-me Uriel.
Calei-me. Vovó... Será que, um dia, poderia te encontrar novamente?
- Pronto! Começou o “Anjo do Senhor” com suas técnicas baixas de persuasão! – disse o sarcástico capeta. – Já que é para usar de técnicas baixas...
Ele se aproximou de mim e abraçou-me pelas costas. Pude, então, sentir seu perfume forte de enxofre incomodando minhas fracas narinas de morta.
- Que tal lembrarmos um pouco dos bons momentos? Lembra da sua primeira mentira aos quatro anos? Quem que você acha que incitou? – disse sussurrando sua doce e grossa voz em meu ouvido – Lembra do seu primeiro beijo aos cinco anos? Quem que você acha que lhe proporcionou? Lembra dos seus namorados semanais até a primeira metade do seu quinto ano? Quem que você acha que lhe deu? Lembra daquela quinta do seu primeiro ano do segundo grau? Lembra da felicidade que você teve após aquela uma hora e meia de puro prazer? Quem que você acha que lhe presenteou com isto?
Minha vida. Meus pecados. Meus erros. Lágrimas. Sorrisos. TUDO estava passando em pequenos flashes sob meus olhos.
- Minos, Radamanto e Sarpédon deem-nos licença, por favor. – pediu Uriel.

Continua...

Ana Luiza Pereira


2 comentários:

Just a piece of me... ' disse...

OMG *-*
Perfeitooo, quero +, quero + !

kaique Bruno Boga disse...

eu sei q é passado, mas fiquei com ciúmes no final dele! :@ ><

Postar um comentário

Comenta, por favor!