Um Diário De Uma Alma - Ódio



Eles estavam resistentes, mas, ao que parece, Lúcifer assentiu com a cabeça e eles saíram.
- Vamos ser um: marido e mulher. Você é minha, sempre foi. Apenas um beijo de consentimento... E seremos um do outro, como devia ser, e a eternidade de nossos pecados será nosso jardim.
- Não se venda Kara! – disse Uriel a mim.
- Eu já me vendi quando nova e viva. Foda-se minha alma quando morta! – respondi a Uriel.
Lúcifer sorriu vitorioso e convencido.
Ele se aproximou para beijar-me, podia sentir sua respiração quente pairando sobre minha pele fria e morta, nosso olhos se fechavam em sinfonia perfeita enquanto Uriel me olhava com reprovação.
Assim que Lúcifer estava perto o bastante, eu lembrei: “Ainda tenho um coração... E este não bate por Lúcifer.”
Abri os olhos dei-lhe um tapa e cuspo na cara dele.
- Agradeço por me proporcionar tais momentos, mas sempre fui um peão de joguinho cabeça-dura e nunca me rebaixei as suas ordens nojentas e desprezíveis. Não preciso ter tais momentos de volta, as memórias de minha vida cabe a mim preservá-las e não recuperá-las. – disse.
- Sua insolente! – disse Satã com olhos vermelhos de ódio me esbofeteando a cara – Você sempre foi um soldado no meu jogo, sempre tiveras potencial para ser tudo o que quisesse, por isso que eu a incitava em pensamentos e atos. Mas você virara um NADA, uma peça descartável por não fazeres nada o que lhe mandava.
- Você me dera asas, Satã. Veja-me voar... Para bem longe dessa falsa soberania que pensas que tens.
Ele me olhou com raiva.
- Pagarás pela sua insolência! Sofrerá cem vezes mais que as outras almas! – gritava Plutão exaltado.
- Eu não ficarei no inferno por muito tempo... – disse com um sorrisinho vitorioso.
- Mesmo que você não fique, seu namorado ficará! Qual o nome dele mesmo? – disse semicerrando os olhos – Kaique, não é? – olhou-me.
Nada respondi. Apenas encarava-o com uma raiva crescente.
- Que seja! Seu namoradinho logo virá. E, por mais que você vá, duvido que um dia você vá encontrá-lo também... Nunca ele chegará ao céu! Portanto, ele que pague a sua dívida! – disse ele cínico.
- NEM OUSE TOCÁ-LO! – gritei.
- Ou o quê? Não podes me matar, querida... – disse o capeta com sarcasmo.
Não deu. Me exaltei de tal forma que comecei a esganar aquele demônio. Uriel tenta separar a briga que se formara, mas minhas garras estavam tão grudadas naquele pescoço que dera um pouco de trabalho.
- Acalmem-se os dois! – disse Uriel me segurando – Acho melhor adiarmos a audiência até amanhã.
Plutão me olhava com ódio e, eu podia me ver naquele seu olhar vermelho: cabelo despenteado, olhos fixos e dentes trincados. Mas, apesar de tudo, ele achou mais conveniente o adiamento, e eu também.
Saí do salão contando mentalmente as minhas respirações longas para me acalmar. Assim que saí, vi Thiago ao lado da Morte. Eu havia demorado tanto assim?
Meus olhos resplandeciam de ódio por aquele que me matara. Por mais que eu tentasse, eu não entendia seus motivos. Na verdade, sequer encontrava algum!
Sentei-me ali com Uriel e fiquei por esperar o julgamento de outras almas. Acabou que... adormeci.

Continua...

Ana Luiza Pereira



3 comentários:

Just a piece of me... ' disse...

O.O
Raivosa essa Kara, cheia de coragem ;P
Continua, continuaa *-*

Caixinha de música da Lily disse...

Nossa maaan, se fosse eu tinha "matado" ele mesmo; maledeeto [hunfs']
Sabe que, me lembrei de uma coisa, um diálogo.
"-Eu tenho CERTEZA q Deus me amava antes mesmo de eu nascer..
- + como vc tem tannta certeza?
- Pq se ele fosse deixar pra me amar depois de nascida, não encontraria razões!"
*..................................*

kaique Bruno Boga disse...

Adorei o momento do cuspir na cara do Lúcifer; Adorei a briga tbm :D seu amor possa demorar a chegar, mas eu espero q ele chegue logo.

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