O tempo de ser feliz é agora (escrito por Gabriel Almeida)


SER FELIZ...
O tempo de ser feliz é agora

Ser Feliz é acordar todas as manhãs com um doce sorriso;
Ser Feliz é aproveitar a vida, sem ter medo de errar;
Ser Feliz é arriscar, viver intensamente as aventuras;
Ser Feliz é saber que você tem um valor especial para a vida de alguém;
Ser Feliz é seguir em frente, com força coragem e confiança, sem nunca desistir;
Ser Feliz é não nos deixarmos vencer, não ser igual, ser diferente;
Ser Feliz é ter autoestima, saber que você e capaz de fazer;
Ser Feliz é ser alegre, mesmo que venham tantas tribulações que a vida nos oferece;
Ser Feliz é sorrir, mas também refletir sobre as tristezas;
Ser Feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios;
Ser Feliz é agradecer a Deus toda manhã pelo milagre da Vida;
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos;
Ser Feliz é poder deixar viver a criança livre, que mora dentro de você;
Ser Feliz é sonhar, acreditar que pode se tornar realidade;
Ser Feliz é poder dizer “Eu te Amo” aos nossos próximos;
Ser Feliz é abrir nossas asas interiores, e poder voar o mais alto que puder;
Ser Feliz é viver em harmonia com nosso corpo e alma
Ser Feliz é ter amigos, que nos amam e nos querem bem;
Ser Feliz é aceitar Deus no nosso coração, e fazer dele uma morada para Deus;
Ser Feliz é ter alguém que nos ame verdadeiramente ao nosso lado;
Ser Feliz é perdoar o irmão sempre que ele erra;
Ser Feliz é se libertar dos vícios, a preocupação é o começo;
Ser Feliz é traçar uma meta, um objetivo para o futuro e o presente;
Ser Feliz é ser grato por todas as coisas que você recebe;
Ser Feliz é transformar os erros, em lições de vida;
Ser Feliz é uma benção em nossas vidas!
                                                                                                       Você é feliz? 



Gabriel Almeida


Escrito por Gabriel Almeida, administrador do blog Tensitude Máxima (http://tensitudemaxima.blogspot.com/).


Felicidade está?


Felicidade não se resume a sorrisos, eles podem ser falsos. Uma lágrima de felicidade é muito mais verdadeira; um grito de felicidade; um olhar a procura de respostas pode esconder a felicidade; e a gargalhada mais gostosa dada perto e/ou junto daqueles que você ama pode estar a felicidade. Pare de procurar a tal "felicidade" e deixe que ele venha até você! Viva a vida! ☺

Ana Luiza Pereira

Definição de Amor


Amor: uma overdose de hormônios e uma cadeia de emoções.

Ana Luiza Pereira

Sacrifício


A vida requer sacrifícios, e estes começam a partir da gente.

Ana Luiza Pereira

Post em homenagem as pessoas que morreram na guerra do Rio de Janeiro (Nov/2010).

Adianta?


Adianta julgar?
Adianta mudar?
Adianta se preocupar?
Adianta cobrar?
Adianta?

Não adianta nada querer mudar os outros quando nós mesmo não mudamos,
Não adianta em NADA julgar sem querer ser julgado também,
Não adianta nada cobrar dos outros algo que nós mesmo não fazemos,
Não adianta em nada se preocupar com algo em que o controle não está em nossas mãos,
Não adianta...

Quer fazer algo?
Viva.
Não adianta?
Então, reze.

O fim está próximo e não há nada que possamos fazer para "adiantar" alguma coisa.

Ana Luiza Pereira

Um dia (escrito por Mário Quintana)



Um dia descobrimos que beijar uma pessoa para esquecer outra, é bobagem...
Você não só não esquece a outra pessoa como pensa ainda mais nela...
Um dia descobrimos que se apaixonar é inevitável...
Um dia percebemos que as melhores prova de amor são as mais simples...
Um dia percebemos que o comum não nos atrai...
Um dia percebemos que ser classificado como “bonzinho” não é bom...
Um dia percebemos que a pessoa que nunca te liga é a que mais pensa em você...
Um dia saberemos a importância da frase:
“Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas...”
Um dia percebemos que somos muito importante para alguém mais não damos valor à isso...
Um dia percebemos como aquele amigo faz falta, mais ai já é tarde de mais...
Enfim... Um dia descobrimos que apesar de viver quase 100 anos, esse tempo todo não é suficiente para realizarmos todos os nossos sonhos, para dizer tudo o que tem que ser dito...
O jeito é: Ou nos conformamos com a falta de algumas coisas na nossa vida ou lutarmos para realizar todas as nossas loucuras...
Quem não compreende um olhar tão pouco compreenderá uma longa explicação.




Mário Quintana

Futuro


Por que olha-se ao longe?

Planejar o futuro nada mais é do que captar as necessidades de um presente.

O que é o futuro?

O futuro são lacunas preenchidas no presente, são recompensas específicas por atos feitos hoje, são planos e especulações que nem sempre acontece.

Pena...

Olhamos demais o futuro, esquecemos o presente, nos remoemos com o passado. Não vemos amigos que nos apóiam, as oportunidades perdidas, escolhemos um futuro errado.

ERRO

Qualquer erro que cometemos no presente, nos remeterá a más lembranças num futuro próximo, num futuro incerto.

Incerteza

É essa a palavra sinônimo de futuro: incerteza, por mais que queiramos planejá-lo sempre dará algo de errado.

Carpe diem

...pois há muito mais coisa acontecendo no presente do que algo que pode não acontecer no futuro.

O presente de hoje será o passado de amanhã e o futuro será o nosso presente.

O futuro é um leque de possibilidades, o presente é uma trilha de pedras. O que prefere? Imaginar se abanando com o leque ou morrer no caminho das pedras porque não soube o que escolher?

Ana Luiza Pereira

A caloura e o veterano


           Lembro-me como se fosse hoje. O vi na entrada do colégio dando trote em calouros como eu.
          Ele era lindo, de uma forma que só eu conseguia ver tal beleza e poucas garotas como eu conseguiam ver também.
          Me aproximei. Ele que me dera o 1º trote...
        Os dias naquela nova escola se passaram, nós conversávamos sempre. Ele era do 3º ano e tinha um monte de histórias interessantes a contar. Meus novos amigos viraram amigos dele e, logo fui descobrindo, havia mais beleza nele do que apenas sua aparência e experiência, mas ele era inteligente, engraçado, fofo... Ele era perfeito! E eu estava cada vez mais me apaixonando por ele.
       Pegávamos sempre o mesmo ônibus para ir para casa, sempre conversando e rindo. Logo, meus amigos descobriram minha paixão secreta por ele.
        Tentaram de todas as formas, nos juntarem. Eu? Sempre empacava. Deixavam sempre nós sozinhos, mas eu, envergonhada, não conseguia me expressar direito perto dele, sempre deixando um silêncio vago que me corroía. E já estava na cara o que sentia, será que ele era o único que não percebia? Ou preferia não contar e deixar que eu me expusesse?
         Até que ele falou. Sua voz me trazia paz... E ele falava de seus sentimentos a mim.
         Será que ele só me vê como uma amiga?
       Entristeci. Mas quem era eu sem encarar tal realidade? Amo-o ao ponto de ser apenas sua amiga, desde que eu o veja sorrir e ser feliz.
         “Eu gosto de você” – disse ele me resgatando da rua sem saída de meus pensamentos. Ainda sim, me desnorteei. E agora? O que eu responderia? A verdade, respondia meus pensamentos.
Respondi. Na minha voz falha e gaga transparecia tudo o que senti e que sentia por ele.
O ano passou. Seu amor por mim esfriou, acho. Mas eu ainda o amo como da primeira vez que o vi. Mas de que adianta? Ele sairá da escola, encontrará garotas mais lindas e mais interessantes que eu e se esquecerá da caloura que ama ele como é.
É o fim, a despedida. Você irá vir visitar o colégio, mas se esquecerá dos nossos momentos, nossos beijos e do meu sentimento. E com lágrimas nos olhos irei te falar: Não se esqueça de mim, não se esqueça do que passamos... Eu te amo!


Ana Luiza Pereira


Inspirado numa história real de um amigo meu.

Eu queria...


Eu queria... Estar no aconchego dos teu braços. Eu queria... Poder-te beijar no calor do teu afago. Eu queria... Mas por que quero coisas que não posso ter?

Eu tenho culpa. Culpa de te amar, culpa de te querer, culpa de sonhar contigo todos os dias, culpa de te culpar...

Sou egoísta. Quero, só para mim, seus beijos, abraços, suas lágrimas, seu corpo, seus sonhos... Eu quero você.

Mas você parece tão distante e surreal. Parece uma linda visão de oásis no meu pequeno deserto mental. 

Tenho medo de acordar e ver que você não está do meu lado, ver que estou sozinha, que sou fraca e que tenho que prosseguir sem aquele que me fortalece: você. Tenho medo do sonho virar, de alguma forma, pesadelo e que meu conto de fadas tenha um fim grego.

Sei que tenho culpa, a possessão e o ciúmes são formas de marcar em placas de neon que você tem dona. Isso cansa, eu sei. Bem que eu queria fazer isso, mas se você criar asas e voar para longe? Não aguentaria ver-te ir quando preciso ficar a chorar. Então, por favor, apenas lhe peço: não esqueça das lágrimas que derramei, talvez, em vão por você.

Ana Luiza Pereira


Foto de cima: Tirada por Fernanda Cid (http://www.fernandacid.com/)

O esquecimento de Belzebu e Dinato


Quando Gil Vicente escreveu,
Sua famosa peça "Todo o Mundo e Ninguém"
Por um acaso ele esqueceu
A maior verdade de alguém.

Belzebu e Dinato ditaram
As verdades de Todo o Mundo e Ninguém
E nunca mandaram
A verdade que vem do além:

"Todo o mundo é lindo,
mas Ninguém é perfeito"

Ana Luiza Pereira

Estamos falando de amor


Sou louca, fato.
Sou louca a ponto de te amar.
Mas, o que é isso?
Estou é falando de amor.
Sou louca por te amar tão verdadeiramente e tão loucamente.
Sim, estamos falando de amor...
Isso é diferente, é verdadeiro, é real e surreal.
Mas sabe o que é isso?
Estou é falando de amor.
Estou é falando do NOSSO amor.
Puro, verdadeiro, forte, surreal.
Não estou pronta para amar, cada dia é um aprendizado.
Mas sabe por que insisto em aprender?
Porque te amo.
E, por te amar, faço as maiores e as melhores loucuras de minha vida.
Mas sabe o porquê disso?
Por que eu estou amando uma pessoa: você.

Ana Luiza Pereira

Era só uma amizade...


            Lembro-me como se fosse hoje. Éramos pequenas, frágeis. Não sabíamos para onde iríamos, com quem andaríamos, o que faríamos. Não sabíamos de nada. Estávamos ali para aprender; com as tias, com a vida, com as amizades.
            Ficamos amiguinhas, fúteis, influenciáveis a tudo e todos. Afinal, éramos crianças.
            Aprontávamos poucas e boas com todos da turma, até...
            Até nos apaixonarmos. Era o mesmo garoto, o mais bonito da classe. Isso era para nos separar? Não funcionou. Ficamos mais amigas, mais grudadas. Falávamos que ele era nosso. Repartimo-lo, repartíamos tudo. Vivíamos numa amizade socialista.
Nos separamos, não nos víamos mais.
O tempo passou, voltamos a nos ver todos os dias. Nós mudamos, mas nossa amizade não. Rimos, aprontamos, falamos mal de algumas pessoas, aprendemos, desabafamos, trocamos confidências... Voltamos à amizade socialista.
Nós mudamos; você ficou meio patricinha, meio emo, meio gótica... Eu? Arcaica, bicho-do-mato, rockeira, boneca de porcelana... Mas uma coisa nós sempre fomos e seremos: humanas cabeças duras.
Eu julgo, fato. Eu brinco, fato. Mas nunca tive plena consciência do que faço e farei.
Você briga, fato. Você chora, fato. Mas também você sabe perdoar quedas e falhas dos outros, como sempre fez.
Não sei, mas acho que minha educação e/ou minha língua me limita a fazer coisas que não gosto ou quero. Não quero nem gosto de ser arcaica ou a bicho-do-mato. Na verdade, eu te invejo. Você é você, na hora que quer, quando quer, faz o que quer... Quero ser você, desde criança eu quis.
Por favor, perdoe-me pelos meus erros e limitações. Sua amizade é a minha droga, hoje eu não consigo conviver com ela.
Eu te amo amiga, sempre te amarei. Lembre-se disso!
Lembre-se de mim...


Ana Luiza Pereira


Carta à Tristeza


“Querida tristeza,

            Não quero atrapalhar seu trabalho, mas eu preciso me expor de alguma forma. Seu trabalho; entrar, atazanar, estar do lado e nunca mais largar, vem me dando nos nervos.
            Suas palavras subiram-me à cabeça e eu vendi-lhe minhas lágrimas.
            Afastei-me e isolei-me. Você é um carrasco e suas chicotadas de tragédias vem rasgando e sagrando a pele de minh’alma.
            Revolto-me contra essas feridas nojentas e as correias assustadoras e rastejantes.
            Enojo-me com as cicatrizes de minhas lágrimas vendidas a ti ao olhar-me no espelho. As máscaras que me deram não funcionam mais: não sou mais a pessoa feliz que todos pensavam que eu fosse.
Obrigado: por destruir minha vida, invadir minha cabeça e me apresentar a infelicidade.
Mas, me faz um favor? Me deixe só até meu leito de morte.

Agradecido,

Uma alma sofredora e infeliz.”

Ana Luiza Pereira

Um Diário De Uma Alma - Perdão


Eu dormi muito (se é que uma alma pode dormir) e acordei com a voz de Thiago a me chamar.
- Kara, Kara! – ele me chama.
- O que é? – respondo com mau humor.
- Me perdoa? – pergunta ele com olhos de cachorro abandonado.
- Pelo o quê? Por achar que um objeto? Por você ser narcisista e achar que todos devem sempre amar sua beleza? Ou por simplesmente me matar sem motivo? – pergunto cínica.
- Me perdoa! Não devia ter feito o que fiz... Eu era...
- Egocêntrico? Narcisista? Idiota? – tentei completar.
- Por favor! Já irei sofrer muito sem o seu perdão...
- Você MERECE sofrer! – disse.
- Kara... – repreendeu-me Uriel.
Respirei fundo. Uriel estava certo em me repreender. Eu devia perdoar... Por mais mal que ele me fizera, mais lágrimas ele me fizera derramar, eu tinha que perdoá-lo. Almas com rancor não vão a lugar algum, eu vi isso ali no inferno... Além do mais, a vida é feita para cairmos, machucarmo-nos, para ser difícil, pois é assim que seremos quem somos, é assim que construímos algo que levamos com a gente até o caixão: o caráter.
- Por que me mataste? – perguntei olhando-o nos olhos.
- Porque eu nunca me perdoei por ter deixado você escapar desse jeito.
- Por isso que, mesmo sabendo que eu gostava de outro, me incitava a pecar?
- Sim... – disse de cabisbaixo. – Eu queria que você fosse minha como...
- Um objeto?
- É...
- Kara, está na hora! – avisou-me Uriel estendendo-me a mão.
Levantei-me. Olhei nos olhos repletos de tristeza de meu assassino e falei:
- Eu te perdoo. – disse com voz apaziguadora.
Ele me olhou, naqueles olhos que refletiam tristeza começaram a brilhar de esperança. Ele sorriu alegre respondendo o meu sorriso fraterno.
Vir-me-ei e fui ao meu novo julgamento.
Já estavam todos a postos; Satã, os três juízes, Uriel e eu, quando pedi a palavra.
- Primeiramente, desculpe-me por ontem. Não queria machucá-lo, eu simplesmente exagerei me exaltando daquele jeito. Portanto, Lúcifer, desculpe-me por tudo.
- Acabaste? – perguntou Lúcifer.
Balancei a cabeça negativamente.
- Não. Quero dizer que, por mais que Uriel me defenda, eu não mereço o paraíso. – disse de cabisbaixo – Mas também, não queria sofrer no inferno. Minhas cicatrizes já são suficientes para me recordar de sofrimentos que nunca deixarão minhas lembranças. E, embora me reste o purgatório, eu não quero ir para lá. A Terra foi um purgatório o suficiente para mim nesta vida. – disse.
O julgamento se passou... Foi decidido: eu iria para céu com Uriel.
Assim que o julgamento acaba, levanto e me dirijo à saída com Uriel. Saí de lá. Sorri para o Thiago e fui para os portões do inferno com Uriel. Seria uma longa caminhada.
Seria...
Minos estava a guardar os portões. Ele bloqueava a minha passagem.
- Você sabe que vocês nunca se encontrarão se você for. Ele sofrerá e a culpa será sua! – disse-me Minos sussurrando em meu ouvido.
- Prefiro morrer a vê-lo sofrer! – disse.
Ouvi Minos sorrir.
- Seu desejo é uma ordem! – disse e a dor pungente que senti na hora de minha morte voltou.
Como? Ele apenas me tocara? Não podia entender...
Caí por terra. Minha visão saiu de foco... apenas via o vulto de Uriel a brigar com Minos e alguém vir me socorrer.
“Kaique? É você?...” – pensei antes de desmaiar.

Continua...

Ana Luiza Pereira



Um Diário De Uma Alma - Ódio



Eles estavam resistentes, mas, ao que parece, Lúcifer assentiu com a cabeça e eles saíram.
- Vamos ser um: marido e mulher. Você é minha, sempre foi. Apenas um beijo de consentimento... E seremos um do outro, como devia ser, e a eternidade de nossos pecados será nosso jardim.
- Não se venda Kara! – disse Uriel a mim.
- Eu já me vendi quando nova e viva. Foda-se minha alma quando morta! – respondi a Uriel.
Lúcifer sorriu vitorioso e convencido.
Ele se aproximou para beijar-me, podia sentir sua respiração quente pairando sobre minha pele fria e morta, nosso olhos se fechavam em sinfonia perfeita enquanto Uriel me olhava com reprovação.
Assim que Lúcifer estava perto o bastante, eu lembrei: “Ainda tenho um coração... E este não bate por Lúcifer.”
Abri os olhos dei-lhe um tapa e cuspo na cara dele.
- Agradeço por me proporcionar tais momentos, mas sempre fui um peão de joguinho cabeça-dura e nunca me rebaixei as suas ordens nojentas e desprezíveis. Não preciso ter tais momentos de volta, as memórias de minha vida cabe a mim preservá-las e não recuperá-las. – disse.
- Sua insolente! – disse Satã com olhos vermelhos de ódio me esbofeteando a cara – Você sempre foi um soldado no meu jogo, sempre tiveras potencial para ser tudo o que quisesse, por isso que eu a incitava em pensamentos e atos. Mas você virara um NADA, uma peça descartável por não fazeres nada o que lhe mandava.
- Você me dera asas, Satã. Veja-me voar... Para bem longe dessa falsa soberania que pensas que tens.
Ele me olhou com raiva.
- Pagarás pela sua insolência! Sofrerá cem vezes mais que as outras almas! – gritava Plutão exaltado.
- Eu não ficarei no inferno por muito tempo... – disse com um sorrisinho vitorioso.
- Mesmo que você não fique, seu namorado ficará! Qual o nome dele mesmo? – disse semicerrando os olhos – Kaique, não é? – olhou-me.
Nada respondi. Apenas encarava-o com uma raiva crescente.
- Que seja! Seu namoradinho logo virá. E, por mais que você vá, duvido que um dia você vá encontrá-lo também... Nunca ele chegará ao céu! Portanto, ele que pague a sua dívida! – disse ele cínico.
- NEM OUSE TOCÁ-LO! – gritei.
- Ou o quê? Não podes me matar, querida... – disse o capeta com sarcasmo.
Não deu. Me exaltei de tal forma que comecei a esganar aquele demônio. Uriel tenta separar a briga que se formara, mas minhas garras estavam tão grudadas naquele pescoço que dera um pouco de trabalho.
- Acalmem-se os dois! – disse Uriel me segurando – Acho melhor adiarmos a audiência até amanhã.
Plutão me olhava com ódio e, eu podia me ver naquele seu olhar vermelho: cabelo despenteado, olhos fixos e dentes trincados. Mas, apesar de tudo, ele achou mais conveniente o adiamento, e eu também.
Saí do salão contando mentalmente as minhas respirações longas para me acalmar. Assim que saí, vi Thiago ao lado da Morte. Eu havia demorado tanto assim?
Meus olhos resplandeciam de ódio por aquele que me matara. Por mais que eu tentasse, eu não entendia seus motivos. Na verdade, sequer encontrava algum!
Sentei-me ali com Uriel e fiquei por esperar o julgamento de outras almas. Acabou que... adormeci.

Continua...

Ana Luiza Pereira



Um Diário De Uma Alma - Pecados


            - Não me chame assim, Uriel! Além do mais, não devo “favores” a você! Leve a ré! – disse Satã com voz grossa.
            Foi quando eu vi quem era a luz: Uriel – o anjo do elemento terra ou, como era conhecido na região celeste; “a morte de Deus”. Ele era moreno alto cabelo negro e encaracolado longo.
- Ela não vai a lugar algum! Sua criada Morte pegou a pessoa errada! Meu Pai a quer perto dele. Veja-a! Nem tens grandes manchas nesta pobre alma! – disse Uriel me defendendo.
- Seu “Pai” me expulsou do céu! – gritava ele - Logo EU! O filho mais perfeito que mais o amou!
- Todos têm chances perante o Pai...
- Ele nem, ao menos, me dera UMA! Me expulsara do recanto celeste por apenas avisá-lo sobre tais seres repugnantes, insignificantes e imperfeitos como os seres humanos QUE ELE MESMO OS CRIOU!
- Se és tão perfeito, por que decaíste desse jeito? Por mais que seja “perfeito”, às vezes, seu maior erro foi não pedir perdão por julgar antes de conhecer... Seu Pai iria perdoar! Assim como me perdoa em todas as minhas quedas e imperfeições. Seu Pai ama a TODOS, sem exceção, e da mesma forma. Eu sei que há muito mais nessa história que as bíblias contam... – disse eu.
- Cale-se já, seu ser insignificante! – disse Plutão apontando seu dedo mágico a mim. De repente, não conseguia mais falar, meus lábios estavam colados, minha voz não pronunciava mais nenhuma palavra.
- Pare AGORA Lúcifel! – ordenou Uriel.
Lúcifer desceu do seu posto de juiz supremo e olhou Uriel com ódio. Uriel respondeu aquele olhar a altura.
- Acalmem-se! – disse um dos três juízes.
Os dois deixaram o que eu imaginei serem suas posições de ataque.
- Por que não deixais a ré escolher aonde irá? Seria mais justo.
- Ou injusto! Todos os pecadores querem ir ao recanto de meu “Pai”.
- Deixe as palavras DELA escolher... Afinal, qualquer coisa errada faz com que qualquer ser humano desça aqui! – disse o juiz do inferno com um sorriso malicioso.
- Tudo bem Minos... – ele me olhou e estalou os dedos – Fale insolente!
Em um instante de segundo minha voz voltou, meus lábios se descolaram e eu podia me justificar normalmente.
Respirei fundo e comecei:
- Sei que sou pecadora; orgulhosa, controladora, persuasiva, mentirosa, preguiçosa, odiei, fui “mão de vaca”, invejei, quase me entreguei aos desejos da carne, omiti meus deveres cristãos e muito mais... Mas se ser feliz, ser justa, ser simples requer certos erros ou pecados, então, não me arrependo deles. Sei que parece egocentrismo de minha parte, o que é e SEMPRE foi um defeito meu, mas se é para deixar meus pecados e suas consequências felizes ou não deles de lado e simplesmente ir ao céu, então, sinto muito! Prefiro queimar neste inferno com o perdão de todas as pessoas que fiz sofrer. Estou tranquila. Para mim, tanto faz para onde irei... – disse.
- Resolvido! A ré escolheu permanecer no inferno. – disse Minos.
- Kara, você está vendendo a sua alma a eles desse jeito... É isso que quer? É que sua avó quer a você? – perguntou-me Uriel.
Calei-me. Vovó... Será que, um dia, poderia te encontrar novamente?
- Pronto! Começou o “Anjo do Senhor” com suas técnicas baixas de persuasão! – disse o sarcástico capeta. – Já que é para usar de técnicas baixas...
Ele se aproximou de mim e abraçou-me pelas costas. Pude, então, sentir seu perfume forte de enxofre incomodando minhas fracas narinas de morta.
- Que tal lembrarmos um pouco dos bons momentos? Lembra da sua primeira mentira aos quatro anos? Quem que você acha que incitou? – disse sussurrando sua doce e grossa voz em meu ouvido – Lembra do seu primeiro beijo aos cinco anos? Quem que você acha que lhe proporcionou? Lembra dos seus namorados semanais até a primeira metade do seu quinto ano? Quem que você acha que lhe deu? Lembra daquela quinta do seu primeiro ano do segundo grau? Lembra da felicidade que você teve após aquela uma hora e meia de puro prazer? Quem que você acha que lhe presenteou com isto?
Minha vida. Meus pecados. Meus erros. Lágrimas. Sorrisos. TUDO estava passando em pequenos flashes sob meus olhos.
- Minos, Radamanto e Sarpédon deem-nos licença, por favor. – pediu Uriel.

Continua...

Ana Luiza Pereira