Um Diário De Uma Alma - Inferno


            Seus olhos era a última coisa que lembrava em meio à escuridão que parecia eterna.
            Comecei, então, a sentir que era puxada. Eu era levada a algum lugar...
            Ouvia gritos agonizantes, ranger de dentes, o arrastar de correntes das vítimas da morte, eu vi a fome de perto. Seria mais um pesadelo? Flashes horrendos de pessoas sofrendo vinha por trás dos meus olhos. Reconheci algumas e chorei por aquelas pobres almas, nem todas mereciam tamanho sofrimento.
            Será que eu me juntarei a elas?
            Vi uma floresta de árvores horrendas cheias de harpias. Essas árvores berravam pela dor daquelas garras, mas ninguém as ouvia. Apenas eu; uma pobre alma decadente.
            Mergulhei num grande rio de almas sofredoras e deixei-me levar...
            Tudo escureceu. Pensei por um segundo estar finalmente acordando daquele pesadelo no meu quarto, mas não.
            - O que aconteceu? – perguntou desnorteada assim que abro os olhos.
- Você caiu feio! – respondeu-me alguém.
- Onde estou? Quem é você? – pergunto.
- Me chamo Morte e você está no último círculo do inferno.
- O quê? Inferno? – pergunto assustada.
- Sim, inferno. O lugar onde as pessoas sofrem, queimam e agonizam pelos seus pecados.
- Eu não entendo! Como vim parar aqui? Por que eu vim para cá?
- Fácil! Você morreu esfaqueada pelo seu amigo, embora todos na terra achem que fora suicídio, e caiu até aqui para ser julgada.
- Como assim: “julgada”? E por quem?
- Julgada pelo meu patrão e os três juízes; do céu, do purgatório e do inferno. Eles que escolherão para onde você irá.
- E quem é o seu patrão?
- O diabo.
Estremeci. Ainda era medrosa demais para encarar Lúcifer; olhos nos olhos, cara a cara.
- Agora só vos resta esperar seu julgamento.
Sentei-me em algo que nem sei o que é e esperei o tempo passar. Cada segundo ali parecia anos.
- Você não devia estar buscando mais almas? – perguntei a Senhora Morte.
- Estou na minha hora de lazer...
- Ficando aqui observando as almas agonizarem?
- Não exatamente. Na verdade, nem passo minhas horas de lazer aqui. – respondeu-me a Morte.
- Então, o que fazes aqui?
- Quero ver um final de um julgamento.
- Qual?
- O seu.
Calei-me. Quem era eu para contestar a morte?
Vi muitas almas ali fazerem o mesmo. Almas marcadas, almas manchadas. Almas possuídas pelo o pecado do ódio, mentira, luxúria, orgulho, preguiça, inveja e a avareza.
Almas pecadoras que necessitavam de perdão. Não o de Deus, mas o perdão delas mesmas e quem elas afetaram. E, por mais que algumas (muitas, por sinal) esperneassem, elas não obtinham.
- Não! Por favor! Sejas misericordioso! – disse a alma da mulher sendo arrastada para fora de um grande portão.
- Não sou seu deus para ser “misericordioso”. – disse Satanás de dentro da sala.
Espantei-me com aquilo.
- Kara Silva. – chamou-me um demônio que estava de guarda.
Estremeci. Meu destino como morta estava ali.
- Boa sorte. – desejou a Morte.
- Obrigada. – disse me levantando.
Não sei se isso era um deboche ou foi realmente um desejo de sorte. Mesmo assim, levantei-me orgulhosa e fui.

Continua...

Ana Luiza Pereira



4 comentários:

kaique Bruno Boga disse...

já até sei o final dessa história... enfim, eu voltava do inferno e mataria o Thiago! :D

Caixinha de música da Lily disse...

Poutzz, + que maléficaziinha vc hein Niinha!
Curiosidade maata pô! :'@

Beiijos amore ;*

Heliene disse...

assustador O.O

Just a piece of me... ' disse...

Continua perfeitoo *-*
Preciso mt ler os próximos cap.
*Quero mt ler os próximos cap.

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