Cabana



Era só uma cabana. Comum e simples. Abandonada para quem a via, não se sabia quem ali habitava...

Eu respondo: a tristeza. As lembranças depressivas dos dias de chuva de Mary e sua família.

Poeira sobre os móveis, fotos amareladas, teias de aranhas nas entradas dos cômodos, ratos comendo os restos de comida, cupins comendo a madeira daquela cabana, fazendo buracos por onde saiam baratas. Ali, diante do abandono da cabana, estava o álbum empoeirado de fotos amareladas - as lembranças de Mary.

Dias ensolarados, as folhas a cair. Mary não precisava do sol; ela tinha tudo: o sorriso e o amor dos pais.

Os dias retratados nas lembranças de Mary eram perfeitos... Mas não iriam voltar.

Eles saíram durante um dia seco de verão. Levavam Joe, irmão de Mary, à uma festa no litoral.

Mary esperou, esperou, esperou...

Os dias passaram, as estações mudaram, as fotos amarelaram... O desespero bateu.

Mary, encolhida na sua pequena cama de criança - pequena demais para seu tamanho atual -, sabia de alguma forma: eles não iriam mais voltar...

Ana Luiza Pereira



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