Era uma vez, Alemanha


Era inverno. As ruas inundadas pela neve branca e límpida. Os termômetros marcavam alguns graus negativos...

Ruas e casas vazias, cidade evacuada. Fantasmagórica enquanto o alarme de bombas não alarmava a população alemã que ficava e as ruas começarem a ser lambidas por anti-nazistas e inundadas pelos soldados alemães para o contra-ataque.

Triste história.

Hans era um garoto alemão atingido pela guerra. Virou soldado aos 16 anos para ajudar sua pátria em decadência.

Viu as tristes marcas que uma guerra pode deixar: o abandono e a morte.

Sua família fora se refugiar em algum campo longe das bombas anglo-saxônicas; com paz. Seus amigos foram mortos na explosão de alguma outra bomba soviética no último outono. Todos com o propósito de ganhar um aperto de mão do Hitler, alguma medalha. Patriotas demais e nazistas demais.

Tolos.


A mente de Hans vacilava entre a tristeza da solidão e a destreza de Anne Hickel.

Loura dos olhos azuis...

O soldado mais esperto que a  tropa do leste alemão viu.

Era uma deusa aos olhos de Hans. Apesar de possuir um corpo franzino e um sorriso infantil.

Ele queria se casar, ter filhos e ser feliz.

Ele queria TÊ-LA. Mas a ambição dela os impediam de serem felizes, de fugirem dos fantasmas do passado. Ela queria mais. Ela queria ele; Hitler e a glória de posar ao seu lado possa passar.

Não media esforços quando o assunto era a sua ambição. Minha vida não pertence à Alemanha e, sim, ao Hitler; dizia ela.

Seus pensamentos aturdidos foram interrompidos pelo alarme do ataque anti-nazista. Despertou num susto, atordoado, esbarrava nos soldados armados preparando as bombas.

Percebeu que uma lágrima imbecil escorria vagarosamente pelo seu rosto. Ele estava sendo um idiota em alimentar a ilusão de ficar com ela. E sabia disso.

Seu túmulo seria o campo de batalha. E ela não sentiria saudade de sua presença tentando protegê-la da forma mais passiva o possível.

Após uma ordem do general Klausberg, um dos braços direitos do Füher e o melhor estrategista, Hans e Hickel fora para o campo de batalha.

O estrondo das bombas e o tintinlar das cápsulas das balas caindo no chão... Tudo lembrava tristeza. Até os tiros certeiros nos soldados austro-hungaros que serviam vigorosamente a Alemanha.

É o fim da juventude alemã.

Os pensamentos de Hans foram interrompidos com a visão de sua donzela em perigo. Destemidamente, Hans começou a atirar nos inimigos que aterrorizavam e arriscavam a vida dela.

Ela corria enquanto carregava mais munição para tropa. Os soldados ao seu redor caíam com os tiros certeiros; as barricadas não passavam mais do que uma fina camada de pano perante as armas anti-nazistas.

Ela estava longe. E Hans não tinha mais munição na arma de longo alcance para protegê-la.

Aviões anti-nazistas faziam sombra naquela tarde de inverno.

Uma explosão.

Hans se protegeu imediatamente, porém Hickel, que corria, foi atingida e lançada a uns quilômetros de distância.

Hans correu. Ajoelhou-se e colocou a cabeça de Hickel nas suas penas. Hickel estava em seu leito de morte.  Suas longas tranças louras ficaram desgranhadas com a explosão e o lançamento.

Hans chorava e Hickel não sabia o que acontecia, apenas dizia estar cansada.

E, antes que Hickel fechasse os olhos, antes que seu sofrimentos terminassem para sempre. Antes que Hickel morresse, Hans solta as palavras que engasgava e entalavam-se em sua garganta: Eu te amo.

Hickel nada disse. Estava morta. E Hans nem sabia se ela ouvira a oração até o fim.

Ele a beijou; estava fria. A neve e fuligem misturavam-se com as lágrimas de Hans.

Desespero e mágoa.

Hans gritou. E, pegando sua arma, correu para guerra.

Ele não tinha mais medo da morte. Ele não sentia mais nada; virara uma máquina com a morte de sua amada.

Ele virara ninguém... Hans virara apenas mais um número; mais um jovem apaixonado que morrera lutando por sua nação.

Aquela bala... Apenas mais uma bala que atravessara um coração partido. Um coração que fora arrancado invisivelmente de seu peito.

Era o fim. O fim de mais uma história de amor, se aproximava o fim daquela Alemanha nazista.

Ana Luiza Pereira

5 comentários:

Wyllian Torres disse...

=O I N C R I V E L !!! Amei de paixão !

celi_bad disse...

Q perfeito!!!!!!! Amei demais!<3

Caixinha de música da Lily disse...

Uma booa o um tanto doce descrição de um período tãão violennto.. Parabénns! (vc me encannta *...*)

Nathalia N. ' disse...

amei *-*

Guilherme Espinosa disse...

lindo, parabéns!
Alemanha <3

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