As verdades de Belzebu e Dinato



Venho aqui dizer de fato
Verdades muito faceiras
Com Belzebu e Dinato
Que Gil Vicente e Drummond escreveram

Eram dois personagens muito interessantes:
Um rico Todo o Mundo
E o pobre Ninguém.
O rico repugnando o imundo
E o pobre querendo um Amém

Um diálogo traçaram
Mil coisas queriam buscar
Idéias contrárias encontraram
Mas verdades à gente começaram a mostrar:

A primeira verdade... Tenha paciência!
Isto vem de um milênio inteiro;
Ninguém busca consciência
E, todo mundo, dinheiro

A segunda verdade que nos acude
Viria como uma pomba.
Todo mundo busca honra
E ninguém a virtude

A terceira é dos sabidos
Ou seria dos amados?
Todo mundo quer ser louvado
E ninguém repreendido

A quarta é garrida
Que Belzebu definiu de sorte:
Todo mundo quer a vida
E ninguém conhece a morte

A quinta é um aviso
Aviso que se manteve
Todo mundo quer o paraíso
E ninguém paga o que deve

A sexta é uma calamidade
Que, por fim, desdém de qualquer lugar pedroso
Todo mundo é mentiroso
E ninguém diz a verdade

A sétima é do guerreiro
Daqueles que ficam presos no telhado;
Todo mundo é lisonjeiro
E ninguém desenganado

Muitas outras eles esqueceram
Memórias vão e vêm
Mas eles não se perderam
Na conversa de Todo o Mundo e Ninguém

E assim, por fim, acaba
Estas verdades que se seguem até hoje
Verdades, de fato, macabras
Que se manterão até nossa morte.

Ana Luiza Pereira


Baseado numa peça escrita por Gil Vicente ("Todo o Mundo e Ninguém"), escrita em 1532.

1 comentários:

Wyllian Torres disse...

~. PEEEEEEEERRRFEITO demais! ;D

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