Dona Morte


Por que necessitamos muito um dos outros?
Por que temos tanto medo da morte?

Nos desesperamos quando devemos ter fé
É só um susto!
Mais um dentre os muitos...

Em menos de um ano
Já gastamos muito com o hospital
Primeiro; coração
Segundo; amputação
Terceiro; litotripsia
Quarto; punção
Quinto; drenagem no pulmão
E, agora,
Sexto; cérebro.

O mais importante dos órgãos
Sendo alvo de uma cirurgia
A uma das mais importantes pessoas

Não quero pensar em morte,
Pois sei que tudo vai correr bem
Não posso me desesperar,
Pois alguém tem que “segurar a barra”

Mamãe não aguenta esta facada sozinha
Mesmo assim, eu não posso me desabafar
Não quero que meu pai,
Entrevado numa cama,
Me veja chorar

Porque aí,
O pior dos seus temores
Irá mais uma vez se despertar

Então, vago pelo vazio da noite
Procurando estrelas no céu escuro
Com lágrimas nos olhos
Agradecendo a Deus
Que nenhum mal ainda não nos atingiu
E penso naqueles que já se foram,
Como estarão suas famílias agora?
Afinal,
Quem entende a Dona Morte?

Ana Luiza Pereira


Feito dia 25/01/2008, quando minha família passava por problemas de saúde. A listagem presente no poema são os problemas que enfrentamos de 2007/2008.

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