Pressinto crise chegar

TIC TAC
Prevejo uma tempestade por aí...
É uma crise num dia qualquer.
TIC TAC
A lembrança não pára de chegar.
Infinitos risos foram substituídos por infindas lágrimas.
TIC TAC
A fogueira apagou na chuva do final do mês de junho.
As bandeirinhas foram pintadas e ficaram negras como a noite.
TIC TAC
Os doces... Que doces?
O pau de cebo não existe mais. Só a lembrança...
TIC TAC
Prevejo uma crise chegando, 
Num dia que era de festejo
E hoje é de luto e apenas lembrança.

Ana Luiza Pereira
Texto baseado na crise que eu tenho todo o dia 23 para o dia 24/06, que seria aniversário da minha falecida avó.

Não tenhais medo! (Carta aos cristãos)

Caríssimos,

Venho, através desta, dizer-vos algo que Cristo nos disse séculos antes: Não tenhais medo! Há por aí muitos cristãos, sacramentados no Espírito Santo; batizados, que comungam ou, até mesmo, crismados, mas não seguem a fé. São muitos de nós que esquentam os bancos dos templos, mas não professam a fé fora das paredes. Do que vós tendes medo? O mundo não é maior do que Aquele que o venceu, se vós acreditais nele e no seu Divino Amor, do que tendes medo?

Se Cristo, em sua humanidade, recebeu muitos não, por que vós temeis a rejeição? Se Cristo, flagelado e humilhado, foi esbofeteado e crucificado, por que vós temeis o martírio? Se suas palavras atingiram muitos e muitos a rejeitaram, por que vós temeis não serem ouvidos? Se para ficar perto do Pai e fazer segundo seu plano, Cristo já fugira dos seus pais quando criança e ficara no templo, por que vós temeis em fazer o que o Pai quer que façais? Se Cristo, no ventre de Maria Santíssima, fora rejeitado entre as pousadas, sendo ele, nato dentro de um estábulo, por que vós temeis ter apenas o necessário? O próprio Cristo manda-nos ter o necessário ao dizer para deixar tudo, carregar nossas cruzes e segui-lo.

Muitos querem ser como São João Evangelista que morrera velho e cuidando de Maria, Mãe Santíssima, mas se esquecem dos outros apóstolos, todos martirizados em nome daquele que nos redimiu. Eles não tiveram medo, e não foi por falta de humanidade neles, mas por excesso em confiança em Deus e no seu Espírito que eles não temeram. “Não tenhais medo daqueles que matam o corpo, mas não podem matar a alma!” (Mt 10, 28a) As palavras de Cristo, sua Igreja, seus ensinamentos e seu amor perduraram até hoje e foi por homens cheios do Espírito Santo que não tiveram medo.

Então, por que temeis, caríssimos? Por que temeis o mundo? Cristo já não o venceu? Quantas vezes mais serão necessárias reviver a Semana Santa para lembrarmo-nos disso? Se é em Cristo que devemos nos espelhar, por que vos recusastes a serem sua imagem e semelhança? Viver como Cristo viveu não é fácil, nem simples, mas se temerdes sempre o mundo, de nada adiantará ter conhecido as Escrituras e de nada adiantarão os sacramentos, pois tendes vergonha da sua fé que professas e se recusas a vivê-la por completo. 

Ouvi muito os antigos dizerem que ser cristão é ser um mártir e, de fato, é verdade. Quem de vós tendes coragem de ser diferente? Irdes contra a maré do mundo que irá nos julgar e nos recriminar? Qual de vós quer ser como Cristo e viver verdadeiramente a fé? Então, não tenhais medo! O medo é um sentimento vão, é ele que tem que impulsionar-vos a seguir em frente, pois não há nada que o Senhor já não conheça e não prepare em vosso caminho. Não tenhais medo, irmãos! Vivai a fé, pois ela te renova na graça do Espírito Santo de Deus e te aproxima do Pai.

Ana Luiza Pereira

Lembranças

Com tantas mortes ao meu redor, me pego como em Hamlet, mas não sendo um governante, mas um cidadão de uma civilização aos pedaços se perguntando sobre a finitude da vida. Não me pergunto o que há no desconhecido do outro lado, aprendi a não busca respostas em vão e, muito menos, a temer o que virá (embora meu corpo essencialmente humano ainda tema). Porém, me pergunto: quem se lembrará de mim?

Família e amigos é uma resposta muito óbvia. Conhecidos irão ao meu enterro, mas duas semanas depois nem se lembrarão do meu nome. E, se lembrarem, quem mais além deles?

Minh'alma, enterrada num túmulo ou incinerada e jogada ao mar para que vire coral, ficaria contente se ouvisse, onde quer que ela esteja, uma história de "Era uma vez...", ou "Nos meus tempos...", ou "Conheci alguém..." e esse personagem fosse eu. Ela se sentiria viva, pois, de fato, ela está. Enquanto alguém, seja eu viva ou morta, contar histórias de mim, minha alma permanecerá eterna e minhas preocupações terrenas vãs.

Não digo isso com uma adaga apontada no meu peito pensando em suicídio e recitando "Ser ou não ser...". Mas penso nisso pela saudade daqueles que foram e eram próximos a mim. Conto histórias deles quando posso e eles vivem em mim. 

Minhas lágrimas não foram o suficiente para me despedir de cada um. Desejo, sim, revê-los, mas não como um espectro armado e amaldiçoado a vagar pelas madrugadas antes do sol raiar e do galo cantar, mas como anjos, dignos da descrição dantesca de Beatriz. 

Todavia, para isso, há duas possibilidades: a morte e a lembrança. Por isso, digo bem-dizeres e mal-dizeres de todos os que se foram, é uma forma de revivê-los, lembrá-los e, principalmente, homenageá-los.

Ana Luiza Pereira
Texto escrito no dia 25/5/2014.

Tentarei ser o melhor

Assim que começamos
Eu não levava muita fé assim
Mas me apaixonei
E decidi ser meu melhor

Mas sou humana
E relacionamentos não é comigo
Na verdade, você é o meu primeiro
E verdadeiro namorado

Não quero justificar minhas quedas
Nem meus ciúmes
Mas quero dizer que eu tento ser o meu melhor
O melhor para conseguir honrar você
E honrar seu amor por mim
E, por mais que meus esforços não sejam o suficiente,
Continuarei a tentar
Pois é o que você merece:
O meu melhor

Ana Luiza Pereira

A carta do Passado

Querido(a),
               
                Ainda não aprendestes o que quero de ti? Não quero te ferir nem te machucar, pois quem faz isso é o presente. Não se lembre de mim como um passado negro que só tem sofrimento e dor, nem como um passado glorioso com muitas vitórias e risos, pois não o sou nem um como não sou o outro. Sou um meio termo.
                Só quero que se lembre de algumas coisas... Como: você não deve se flagelar por mim, afinal, sou o passado. Quem te flagela é o presente, para que o presente do futuro (seja o futuro daqui a alguns segundos, minutos, horas, dias, meses ou anos) seja glorioso.
                Sim, te faço lembrar as dores, pois são essas dores que te formaram. Se sabes quem és, é porque se lembra do seu nome e sobrenome, das suas fraquezas e forças e não fui eu que impus ou dei, mas foi o presente naquele instante que hoje sou eu: seu passado.
                E a mais importante de todas: entre eu e seu futuro só existe um piscar de olhos chamado presente. Você decide seu futuro, mas não pode mudar-me nem o seu “quem sou eu” que formei junto contigo com esses milhares de piscares de olhos. Ou seja, não importa o que você faça, estarei sempre com você, pois é esse “quem sou eu” que formamos juntos que determina suas escolhas e ações no presente, mudando, portanto, seu futuro.
                Então, por mais que não queiras, estaremos sempre em contato, embora eu não fale contigo sempre. Você sempre se lembrará de mim, seja eu bom ou ruim, alegre ou triste. Você estará sempre ligada a mim, pois sou aquilo que irá sobrar quando você morrer e, a não ser que você possa de fato ser uma fênix e renascer, não me perderá.

Atenciosamente do seu sempre amigo,

Passado.

Ana Luiza Pereira